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Modus operandi da direita global: Netanyahu contesta resultado das eleições em Israel sem apresentar provas

Com 90% dos votos apurados, bloco do primeiro-ministro conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset; oposição denuncia tentativa de deslegitimar o pleito e autoridades eleitorais descartam fraude sistemática


Fábio Prado Por Fábio Prado em 30/10/2026 - 17:25

Modus operandi da direita global: Netanyahu contesta resultado das eleições em Israel sem apresentar provas
Modus operandi da direita global: Netanyahu contesta resultado das eleições em Israel sem apresentar provas - Foto: Reprodução/Instagram

Com 90% dos votos apurados, bloco do primeiro-ministro conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset; oposição denuncia tentativa de deslegitimar o pleito e autoridades eleitorais descartam fraude sistemática

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, intensificou a contestação dos resultados das eleições legislativas realizadas na terça-feira (27). O bloco liderado por ele não alcançou as 61 cadeiras necessárias para formar maioria no Parlamento (Knesset), e o Likud, seu partido, passou a acusar as legendas que representam os cidadãos palestinos de Israel de fraude eleitoral. O movimento repete um padrão adotado por lideranças de extrema direita em diferentes países, que contestam resultados desfavoráveis sem apresentar provas.

Com 90% dos votos apurados, a coalizão de Netanyahu conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset. O bloco de oposição, liderado pelo ex-general Gadi Eisenkot, ficou com 48, enquanto as legendas árabes somaram 19 assentos, um recorde histórico. A elevada participação dos eleitores palestinos com cidadania israelense foi decisiva para impedir que o primeiro-ministro alcançasse a maioria parlamentar.

A acusação de fraude

Nesta quinta-feira (29), Netanyahu divulgou em suas redes sociais um comunicado do Likud no qual denuncia suposta fraude eleitoral envolvendo as legendas árabes. “O caso Ra’amgate é um terremoto. Roubaram as eleições em Israel!”, afirma o texto. O primeiro-ministro também citou uma suposta interferência estrangeira e pediu investigação urgente à polícia e ao Shin Bet, o serviço de segurança interna.

O Likud alega que organizações responsáveis pela mobilização do eleitorado árabe teriam recebido recursos estrangeiros, supostamente provenientes do Catar e da Turquia, para influenciar a votação. O partido chegou a afirmar que as eleições haviam sido “roubadas” pelas legendas árabes, embora não tenha apresentado provas públicas que sustentem a acusação.

A reação da oposição e dos partidos árabes

Lideranças da oposição denunciaram uma tentativa de deslegitimar o resultado eleitoral. O ex-general Gadi Eisenkot, principal rival de Netanyahu, afirmou que o Likud e o primeiro-ministro iniciaram uma campanha orquestrada para criar dúvidas sobre o pleito. Yair Lapid, ex-primeiro-ministro e aliado de Eisenkot, disse que não há risco nem questionamento sobre os resultados e que não existe obstáculo para a constituição do novo Parlamento.

O líder do partido árabe-israelita Ra’am, Mansour Abbas, rejeitou as acusações de suborno eleitoral e afirmou que a legenda não tem qualquer ligação com o caso. Ele garantiu que o partido colaborará com as autoridades para esclarecer a verdade. A coalizão árabe Lista Conjunta classificou a ofensiva do Likud como uma campanha de incitação que expõe o medo dos partidos de direita diante do crescimento político da minoria árabe.

O que dizem as autoridades eleitorais

O diretor-geral em exercício do Comitê Central de Eleições de Israel, Dean Livne, rejeitou as acusações de fraude generalizada. Segundo ele, a integridade da votação foi rigorosamente protegida e não existe fundamento para alegar violações sistemáticas.

A polícia israelense também descartou as alegações de que a eleição foi “roubada” pelos partidos árabes, afirmando que não há evidências que sustentem a acusação. O Shin Bet confirmou que abriu uma investigação sobre uma possível interferência estrangeira, mas ressaltou que a apuração tem alcance limitado e se baseia em informações de inteligência, não em denúncias de atores políticos. Segundo as autoridades, os resultados certificados serão entregues ao presidente Isaac Herzog em 4 de novembro, sem alteração no calendário.

Negação de Catar e Turquia

Os governos do Catar e da Turquia negaram categoricamente qualquer envolvimento no financiamento de organizações ligadas ao eleitorado árabe em Israel. O Ministério das Relações Exteriores do Catar classificou as acusações como “ridículas e perigosas”. Autoridades turcas também rejeitaram as alegações.

O presidente de Israel, Isaac Herzog, pediu uma investigação completa sobre as suspeitas, mas alertou contra a estigmatização de toda uma comunidade que exerceu o direito de voto. Ele afirmou que a integridade das eleições é um valor democrático supremo e que as evidências e denúncias devem ser apuradas, com os responsáveis levados à Justiça.

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