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O ridículo político das eleições


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 02/06/2024 - 10:16

Vivemos tempos ridículos. A política está cheia de gente ridícula. A vida anda ridícula. Pedir voto é sério, mas, hoje, os ridículos se sobressaem. Não basta mentir. É preciso mentir e gritar mais alto, sapatear na razão, inventar um mundo irreal em que o sangue alheio é a fantasia. Vencer? Matar o inimigo.

Imprescindível fazer dancinha, antes de se ter ideia do que fazer de fato. Dancinha ridícula. Esta é a nova campanha. Se não viralizar, não tem audiência; se não tem audiência, não chama a atenção; se não chama a atenção, adeus votação. Assim pensam. Assim trabalham. Assim vivem os ridículos em público. No privado, insanos pecadores.

Morremos ridículos o tempo todo. Morremos assim, sem sentir a dor dos outros, a tragédia da devastação das águas no Rio Grande do Sul, o luto no coração dos gaúchos, a miséria contra os sem-teto, a devastação do cerrado. Morremos de temas verdadeiros enquanto os ridículos vivem de nada com nada, a nova ideologia do mundo irreal onde vivem e procriam suas irracionalidades.

Os ridículos não sabem o que dizem. Dizem. Repetem Se repetem. Não sustentam um discurso com início, meio e fim. Não vale a pena, eles não têm pena. Apenas alardeiam o caos: fim da liberdade, fim dos tempos, fim da família, fim da picada. O que propõem? O fim. O fim da dialética em nome da monotemática assunção de seus fins: o mundo à sua vontade e concepção.

Os ridículos tem a visão apocalíptica para tudo que não lhes convém. Os ridículos sabem exatamente o que querem moral e civicamente. Acusam o adversário de roubo enquanto roubam sorrateiramente em nome da causa, do mito, da ridícula contradição de seus atos. São hilários os ridículos. São perigosos todos aqueles que advogam a vida com a hipocrisia da morte aos contrários.

Sem like, sem foto, sem vídeo, sem viralização orgânica dos seguidores e dos perseguidores de outros, sem os rastros deixados no pasto, a roda não gira, o mundo é plano. Sem qualquer pudor, sem medida dos acontecimentos, sem defesa dos fatos senão como convém a si mesmo, e sem principalmente a sequela de uma cegueira automatizada por gatilhos calculados por métricas e psicologia das massas incautas, sem o algoritmo impulsionador, nada vale às penas.

Sem o fundamento dos espíritos sensatos, sábios, curtidos na cultura universal, imbuídos da imperativa ordem civilizatória, e sem a filosofia dos passos humanos, sem os contos e histórias de fadas, do folclore, da imaginação liberta, sem a gente desamarrada da religião, dos domas inglórios e da alteridade acima de tudo e de todos, a vida segue seu curso rumo ao mar – o mar dos ridículos: o abismo infernal.

Mas há esperança. Quem encontrá-la, que a abrace. Antes que gere engajamento e chegue às urnas. Antes que os políticos ridículos e os seus eleitores ridículos tomem conta de tudo. A esperança não morre. A falsa esperança é uma inimiga ridícula. Você é ridículo? Você é ridícula?

Dever de ofício

Não deveríamos nos importar com o que as pessoas pensam de nós. Mas nos importamos. Não deveríamos nos abater com o que dizem da gente. Mas nos abatemos. Não deveríamos temer o sofrimento quando os outros nos desejam o que não nos faz bem. Não deveríamos. Mas não é assim que funciona a vida. Somos os outros. Não somos o que somos tão somente.

Há uma persuasão do destino em alguns de nós para que sustentemos o mundo nos ombros. O mundo é maior que eu e os meus malabarismos. Mal me sustento. Bem me equilibro. O que ouvimos nos atinge com a força de um canhão. O que define tudo é a superficie. Sou eu. O que importa é a resistência do corpo ante o impacto arrasador que vem com destino certo. O que nos faz incertos.

As pessoas preferem suas opiniões à indefinição que carregamos. Escolhem o ataque sorrateiro, em vez do questionamento simples e direto: afinal, a que veio? Pouco importa se não temos respostas sobe nós, se o que levamos na alma são perguntas infinitas indissociáveis. Nada importa além da própria ânsia de nos destruir com seus apontamentos.

Pior fazemos no papel desse outro cruel por natureza. Nos comemos crus ante o que não deveríamos, diante do que haveríamos de se não fosse a ingenuidade, na melhor visão de nós mesmos, ou a covardia, na realidade. Não deveríamos nos deixar ser o que de fato não somos, para morrer sendo o que imaginam ser o nosso mal estar na vida. Matemos os outros, salvemos o nosso féretro e o fim que nos cabe vencer.

Não deveríamos nos ater ao fluxo da vida. Mas a ter fluxos de vida sem definição e sem limite de interpretação.