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O silêncio que alimenta a violência

A violência contra crianças e adolescentes continua amplamente subnotificada porque acontece, em grande medida, dentro de casa


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 26/07/2026 - 06:00

O Brasil convive com uma tragédia silenciosa que se repete diariamente atrás de portas fechadas, longe dos holofotes e da indignação pública. A explosão dos casos de violência contra crianças e adolescentes registrada nos últimos anos não pode ser tratada apenas como uma estatística alarmante. Ela é o retrato de uma sociedade que ainda falha em proteger seus cidadãos mais vulneráveis.

Os números são contundentes. As denúncias cresceram mais de 120% no país e, em Goiás, o avanço foi ainda mais expressivo. Mas a realidade é provavelmente muito pior. Autoridades, pesquisadores e profissionais da rede de proteção concordam que os casos conhecidos representam apenas uma parcela do problema. A violência contra crianças e adolescentes continua amplamente subnotificada porque acontece, em grande medida, dentro de casa, praticada justamente por aqueles que deveriam garantir cuidado, segurança e afeto.

É impossível ignorar a gravidade desse cenário. Quando mães e pais aparecem com frequência entre os autores das agressões, o problema deixa de ser apenas policial e revela uma crise social profunda. O lar, que deveria ser um espaço de acolhimento, transforma-se em ambiente de medo, sofrimento e violação de direitos. Enquanto isso, muitas vítimas permanecem em silêncio por dependência emocional, por não compreenderem que estão sendo violentadas ou simplesmente porque não encontram adultos dispostos a ouvi-las.

Os casos que chocaram Goiás recentemente demonstram uma verdade incômoda: muitas vidas só foram salvas porque alguém decidiu denunciar. Um vizinho atento, um professor preocupado ou um cidadão inconformado podem representar a diferença entre a proteção e a continuidade da violência. Quando a sociedade escolhe não se envolver sob o argumento de que se trata de um problema familiar, abre espaço para que os abusos continuem.

Romper essa cultura do silêncio é uma obrigação moral. Não basta punir os agressores depois que a violência se torna pública. É necessário fortalecer os mecanismos de prevenção, ampliar campanhas de conscientização, garantir recursos à rede de proteção e estimular a denúncia responsável. Nenhuma criança deve depender da sorte para ser resgatada de uma situação de violência.

A omissão protege o agressor. A denúncia protege a vítima. Entre uma escolha e outra, não pode haver neutralidade.

 

Redação Tribuna do Planalto

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