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Operação Luz e Sombra mira ex-líder de comunidade espírita por crimes sexuais em Goiânia

MPGO cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, incluindo na sede da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo; investigado teria usado a fé e cestas básicas para obter conteúdo sexual de mulheres


Fábio Prado Por Fábio Prado em 27/10/2026 - 18:14

Operação Luz e Sombra mira ex-líder de comunidade espírita por crimes sexuais em Goiânia
Operação Luz e Sombra mira ex-líder de comunidade espírita por crimes sexuais em Goiânia - Foto: Divugação/MPGO

MPGO cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, incluindo na sede da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo; investigado teria usado a fé e cestas básicas para obter conteúdo sexual de mulheres

O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou nesta terça-feira (27) a Operação Luz e Sombra para investigar crimes contra a dignidade sexual atribuídos ao ex-presidente e líder espiritual da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo. A instituição fica no Jardim Guanabara II, em Goiânia.

A força-tarefa cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao investigado, incluindo a sede da entidade. As ordens foram expedidas pelo 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da capital.

A Justiça também autorizou a quebra do sigilo dos dados telemáticos do suspeito. Foram impostas medidas cautelares diversas da prisão, como comparecimento mensal em juízo e proibição de frequentar a comunidade ou participar de atividades promovidas por ela em outros locais.

Como o esquema teria funcionado

Segundo o MPGO, o homem se valia da fé e da posição de autoridade espiritual para submeter mulheres atendidas pela instituição a situações que podem configurar violação sexual mediante fraude, crime previsto no artigo 215 do Código Penal.

A investigação também reuniu indícios de que ele repassou a terceiros, sem consentimento, fotos e vídeos íntimos de uma das vítimas. A conduta se enquadra no artigo 218-C do Código Penal, que trata da divulgação de cena de sexo, nudez ou pornografia sem autorização.

As diligências apontam ainda que o investigado teria explorado a vulnerabilidade social de pessoas atendidas pelo programa assistencial da comunidade. Ele é suspeito de trocar cestas básicas por material de conteúdo sexual.

Outras vítimas e desdobramentos

O MPGO afirmou que as apurações indicam a existência de outras vítimas. O número total e o período em que os crimes teriam ocorrido não foram divulgados porque o procedimento tramita sob sigilo.

O caso veio à tona a partir da denúncia de uma integrante da comunidade. Em julho deste ano, uma assembleia geral extraordinária destituiu o investigado da presidência da entidade. Desde então, a sede está temporariamente fechada e sob nova administração.

O MPGO também recebeu a informação de que o ex-líder estaria realizando atividades religiosas em Santa Helena de Goiás e articulando a abertura de um novo centro espírita. O dado aumentou a preocupação de que ele volte a usar a posição de liderança para se aproximar de outras mulheres em situação de vulnerabilidade na região.

O MPGO orienta que novas vítimas procurem o Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita). Os telefones são (62) 3243-5119, (62) 3243-8161 e (62) 3243-8120. O atendimento também pode ser feito pelo WhatsApp (62) 9 9428-7362, pelo e-mail navita@mpgo.mp.br ou presencialmente na sede do Ministério Público. Denúncias podem ser feitas de forma anônima. O caso segue sob sigilo e não há conclusão sobre a responsabilidade criminal do investigado.

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