A possível ida do deputado estadual Júlio Pina (SD) para a Federação Brasil da Esperança (formada por PT, PV e PCdoB) tem gerado forte reação de lideranças e parlamentares do Partido dos Trabalhadores em Goiás. Um grupo de vereadores, deputados e militantes divulgou uma carta pública em que manifesta oposição direta à filiação e pede o veto à eventual candidatura do parlamentar dentro da federação.
O documento, assinado por nomes como a vereadora Kátia Maria, o deputado estadual Mauro Rubem e o vereador Fabrício Rosa, aponta uma série de incompatibilidades políticas e programáticas entre Júlio Pina e o campo progressista.
Segundo a carta, há uma “nítida incompatibilidade programática” entre o histórico político de Júlio Pina e os princípios da federação, que reúne partidos de esquerda com compromisso com direitos sociais, democracia e redução das desigualdades.
Os signatários destacam que o deputado tem votações e posições contrárias a pautas históricas da esquerda, como a defesa de investimentos em educação, políticas públicas de saúde e a preservação de empresas públicas. O texto também afirma que o parlamentar não possui trajetória vinculada à defesa de pautas como diversidade, combate ao racismo e direitos da população LGBTQIA+.
Outro ponto central da crítica é o alinhamento político de Júlio Pina com lideranças da direita goiana, como o governador Ronaldo Caiado e o vice-governador Daniel Vilela. De acordo com o documento, o deputado integra a base do governo estadual e já manifestou apoio público ao grupo político de Caiado, adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Indisciplina partidária
A carta também alerta para impactos eleitorais e estratégicos da possível filiação. Entre eles, o risco de indisciplina partidária, já que, segundo os autores, Júlio Pina poderia não apoiar candidaturas do campo progressista nas eleições de 2026.
Os signatários afirmam que a presença do deputado poderia prejudicar a campanha presidencial de Lula em Goiás e comprometer a unidade interna da federação. Além disso, apontam que, por já possuir mandato e estrutura eleitoral, Pina poderia se beneficiar do quociente eleitoral da federação sem ter compromisso com seu programa político.
O documento ainda cita o histórico de mudanças partidárias do parlamentar como um fator de preocupação, classificando-o como um risco à coesão e à estabilidade da chapa proporcional.
Diante desse cenário, os autores da carta solicitam formalmente o veto político à filiação de Júlio Pina. Caso isso não seja possível, defendem a abertura de processo por indisciplina partidária e, principalmente, a não homologação de sua candidatura na convenção da federação.
O texto ressalta que, mesmo sem poder impedir juridicamente a filiação ao Partido Verde (PV), a federação tem autonomia política para barrar.
Confira o documento na íntegra.














