PRD, Solidariedade, Agir e Mobiliza elegeram nove deputados estaduais e um federal por Goiás nas eleições de domingo (4), mas ficaram abaixo da cláusula de barreira nacional. O resultado preserva os mandatos conquistados, enquanto compromete o acesso das legendas ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda partidária gratuita no rádio e na televisão.
O grupo ocupará nove das 41 cadeiras da Assembleia Legislativa. Na Câmara dos Deputados, Lucas Calil, eleito pelo PRD, é o único dos 17 representantes goianos vinculado a uma legenda que não alcançou os requisitos nacionais.
O levantamento cruza a relação de eleitos divulgada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás com os cálculos de desempenho partidário disponíveis após a apuração. A cláusula considera os votos e as cadeiras conquistadas na disputa para deputado federal em todo o país. Eleger uma bancada estadual não ajuda a cumprir essa exigência.
Federação elege cinco em Goiás, mas não alcança exigência nacional
PRD e Solidariedade disputaram a eleição pela Federação Renovação Solidária e têm o desempenho contabilizado em conjunto. Em Goiás, o PRD elegeu Anderson Teodoro, Alessandro Moreira e Paulin Vai Nele para a Alego, além de Lucas Calil para a Câmara. O Solidariedade conquistou uma cadeira estadual com Wagner Neto.
No país, porém, a federação somou 2.134.673 votos e elegeu sete deputados federais. O resultado ficou abaixo dos dois caminhos previstos para superar a cláusula.
A regra de 2026 exige pelo menos 2,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara, com um mínimo de 1,5% em nove unidades da Federação. A alternativa é eleger ao menos 13 deputados federais, também distribuídos por nove unidades da Federação.
O desempenho goiano, portanto, garantiu representação à federação, mas não compensou sua insuficiência nacional.
Mobiliza e Agir somam cinco cadeiras na Alego
O Mobiliza elegeu Keké da Vulkanic, Bessa e Lucas Kitão. O Agir conquistou duas vagas com Joscilene do Mangão e Graciele da Arte Trigo. Nenhuma das duas siglas elegeu deputado federal no país, e ambas ficaram abaixo da votação exigida.
A diferença entre o resultado estadual e o nacional aparece também no sentido inverso. Novo e a federação PSDB/Cidadania superaram a cláusula pela votação, embora tenham eleito, respectivamente, dez e onze deputados federais, menos que as 13 cadeiras previstas na segunda alternativa.
Em Goiás, o Novo elegeu Dr. Amarildo e Neto Karfan para a Assembleia. A federação PSDB/Cidadania conquistou vagas com José Machado, Gustavo Sebba e Romário Policarpo.
Mandatos estão preservados
Ficar abaixo da cláusula não anula a eleição nem impede a posse dos parlamentares. A restrição atinge a estrutura de financiamento e de comunicação dos partidos, que precisarão manter sua atuação sem as mesmas condições das legendas que cumpriram os requisitos.
O quadro ainda pode mudar caso decisões judiciais alterem a validade de votos e provoquem retotalizações. Fusões e incorporações também podem modificar a situação partidária. Até lá, as quatro siglas chegam à próxima legislatura com dez representantes eleitos em Goiás e desempenho nacional insuficiente para superar a barreira.










