O militar goiano Guilherme Matheus, que mora na Espanha, após 27 anos foi reconhecido pelo pai, o operador de GRUA (equipamento de elevação de cargas para movimentar materiais pesados), Rogério Cristiano Fleury, 57, que está na Inglaterra. O reconhecimento voluntário aconteceu durante audiência on-line do Pai Presente presidida pelo juiz Eduardo Perez Oliveira, coordenador executivo do programa, nessa quarta-feira, 20. Natural de Jataí, Guilherme contou que na época Rogério morava em Goiânia e explicou que os pais se conheceram em uma das viagens dele de trabalho para a cidade.
No entanto, a mãe foi embora para Rondônia e 5 anos depois se mudou para a Espanha com o filho. Por meio de um dos tios, Guilherme teve um encontro com o pai no aeroporto anos depois e ambos passaram duas semanas juntos, tornando-se amigos.
“Conheci meu pai de verdade há apenas 2 anos. Ele veio na minha formatura do exército aqui na Espanha e nosso desejo do reconhecimento da paternidade foi mútuo. Nunca imaginei que esse processo fosse tão fácil e rápido. A equipe do programa é muito atenciosa. Ficamos surpresos, muito felizes. Agora é comemorar”, enalteceu.
Reencontro
De acordo com Rogério Cristiano, que reside na Inglaterra, houve um desencontro com a mãe de Guilherme quando ele foi morar na Inglaterra há 21 anos e ela na Espanha. Ele explicou que foi justamente ela, ao reencontrar seu irmão pelo facebook, que avisou sobre a permanência dos dois no País.
“Tentei contato várias vezes com a mãe do meu filho, que é minha amiga, mas moramos em países diferentes e essa comunicação se perdeu. Nosso primeiro encontro aconteceu há 4 anos no Brasil. Nunca mais perdemos o contato, nos falamos todos os dias. Tenho muito orgulho do meu filho que é um homem exemplar, íntegro, incrível. É uma honra poder mostrar para todos agora que meu nome está inserido nos documentos do meu filho. É um sonho realizado”, comemorou.
Descendência japonesa
A emoção tomou conta da sala de audiência em outro caso interessante de reconhecimento paterno no mesmo dia, cujas partes foram às lágrimas. De descendência japonesa, Milton Mitsuo, 67, que residia em Goiânia, explicou que não sabia da gravidez quando se envolveu com a mãe da sua filha Nataly Santana e acabou perdendo totalmente o contato com ela quando se mudou para o Japão. Quando retornou ao Brasil dois anos depois ficou sabendo por um amigo da existência da filha.
“Um amigo da minha filha achou meu endereço pelo sobrenome de família e a Nataly conseguiu o celular do meu outro filho. Quando eles descobriram que eram irmãos começaram a chorar e trocaram fotos minhas. Então marcamos um churrasco na minha casa em Brasília. Impossível a gente conter as lágrimas nesse momento tão importante. Gratidão eterna ao Pai Presente, que nos acolheu de forma excepcional”, enalteceu.
Foram realizados 31 reconhecimentos paternos online durante 4 horas em 4 salas de audiência. Deste total, 20 casos são ordinários, 3 de pessoas privadas de liberdade e 8 de origem judicial.













