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Quaest expõe os pontos de pressão de Daniel, Marconi e Wilder em Goiás

Pesquisa revela que líder ainda precisa converter força do grupo em voto próprio, tucano enfrenta resistência de eleitor que já o conhece e candidato do PL esbarra no desconhecimento


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 30/08/2026 - 08:41

A primeira Quaest da campanha em Goiás deixa claro que Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL)
Continuidade com mudanças é o desejo de 38% do eleitorado. (Foto: Divulgação)

A primeira Quaest da campanha em Goiás deixa claro que Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) chegam à disputa carregando fragilidades muito diferentes. Daniel lidera, mas ainda depende de transformar em voto próprio a força política acumulada pelo grupo de Ronaldo Caiado; Marconi tenta fazer a memória de suas gestões pesar mais do que a resistência já consolidada em parte do eleitorado; e Wilder precisa vencer uma etapa anterior às demais, porque mais da metade dos goianos ainda diz não conhecê-lo.

Esse desenho explica por que as campanhas tendem a adotar estratégias distintas nas próximas semanas. Daniel aparece com 37% das intenções de voto, contra 20% de Marconi e 12% de Wilder, enquanto a gestão de Caiado é aprovada por 64%, e 69% dos entrevistados consideram que ele merece eleger um sucessor. A distância entre esses indicadores mostra que existe um eleitor que avalia positivamente o atual ciclo político, mas ainda não necessariamente escolheu o candidato governista.

Para Daniel, transformar esse ambiente em voto exige mais do que reforçar a associação com Caiado. A pesquisa aponta que 36% querem manter o trabalho realizado, mas um grupo ainda maior, de 38%, prefere continuidade com mudanças nos pontos que não estão bons. Como apenas 24% defendem mudança completa, o desafio do emedebista passa por apresentar identidade própria e capacidade de corrigir rumos sem perder o eleitor que reconhece resultados no atual modelo.

No caso de Marconi, o problema está menos em alcançar o eleitor e mais em convencê-lo a rever uma opinião já formada. O tucano é conhecido por 87% dos entrevistados, mas 49% afirmam conhecê-lo e não votar nele. Sua campanha tem buscado recuperar obras, programas e entregas das quatro gestões que comandou, numa tentativa de recolocar sua experiência administrativa na comparação com o presente.

A estratégia encontra, entretanto, uma dificuldade inerente à própria trajetória do ex-governador: o passado que oferece um acervo para ser apresentado também é aquele sobre o qual o eleitor já construiu avaliações positivas e negativas. Marconi precisa, portanto, fazer da memória um instrumento de reconsideração, e não simplesmente de reconhecimento.

Para Wilder, os números apontam um problema anterior. Apesar de senador e candidato do PL, 56% dos entrevistados dizem não conhecê-lo, ao mesmo tempo em que 37% afirmam preferir um governador aliado de Flávio Bolsonaro. A diferença entre esse contingente e os 12% registrados pelo candidato indica um espaço político que ainda não foi convertido em voto.

A tarefa do PL passa primeiro por tornar Wilder mais conhecido e definir sua imagem para um eleitorado que demonstra afinidade com seu campo político, mas ainda não o associa necessariamente à escolha para o governo. Diferentemente de Marconi, que precisa modificar percepções consolidadas, Wilder ainda tem parcela significativa da própria imagem a construir.

Com 42% dos entrevistados admitindo que podem mudar de voto e 74% sem citar espontaneamente nenhum candidato, a Quaest retrata uma eleição na qual as posições atuais ainda convivem com considerável margem de movimentação. Mais do que perseguir o adversário imediatamente à frente, cada campanha terá de resolver a própria fragilidade para conseguir ampliar seu eleitorado.

A pesquisa ouviu 804 eleitores entre os dias 23 e 26 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número GO-06186/2026.

Eleitor que quer ajustes vira principal faixa de disputa

A parcela de 38% dos goianos que deseja a continuidade do atual modelo, mas com mudanças naquilo que não está funcionando, forma o maior grupo isolado identificado pela Quaest e abre uma faixa de disputa que não pertence automaticamente nem ao governo nem à oposição. Esse contingente supera os 36% favoráveis à manutenção do trabalho realizado e os 24% que defendem mudança completa.

Para as campanhas, o dado impõe uma calibragem de discurso porque uma defesa pura da continuidade pode ser insuficiente para Daniel diante de um eleitor que cobra correções, enquanto uma oposição baseada exclusivamente na ruptura também corre o risco de encontrar resistência entre aqueles que reconhecem aspectos positivos do atual ciclo. Marconi e Wilder precisam oferecer mudança sem necessariamente negar tudo o que veio antes.

A distância entre os 69% que consideram que Caiado merece eleger um sucessor e os 37% que hoje declaram voto em Daniel reforça essa zona de disputa. Da mesma maneira, os 37% que preferem um governador aliado de Flávio Bolsonaro não se traduzem automaticamente nos 12% de Wilder. As duas diferenças mostram que identificação política e intenção de voto ainda não caminham juntas para parcelas importantes do eleitorado.

É nesse intervalo que a campanha tende a se intensificar: Daniel tentando transformar aprovação e continuidade em escolha pelo seu nome, Marconi buscando convencer o eleitor a reavaliar seu passado e Wilder trabalhando para converter um campo ideológico favorável em reconhecimento e voto.

Lucas de Godoi

Jornalista formado pela PUC Goiás. Na Tribuna do Planalto, cobre administração pública e os principais desdobramentos do cenário político em Goiás.

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