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Quem é Nick Fuentes? Conheça o maior expoente da extrema-direita dos Estados Unidos

Livestreamer norte-americano ganhou notoriedade em movimentos ligados a Donald Trump e se tornou referência para grupos ultraconservadores


Danilo Santana Por Danilo Santana em 07/03/2026 - 09:30

Pode parecer exagero, mas Nick Fuentes, nome cada vez mais frequente nos debates sobre radicalização política nos Estados Unidos, tem um perfil que faz Donald Trump e Marie Le Pen parecerem moderados. Jovem influenciador digital e comentarista político, ele se consolidou como uma das figuras mais visíveis da nova geração da extrema-direita norte-americana, especialmente entre públicos jovens que acompanham transmissões políticas na internet.

Fuentes ganhou projeção ao defender uma agenda ultranacionalista e ao pressionar o Partido Republicano a adotar posições ainda mais conservadoras. Por meio de transmissões online e de eventos políticos organizados por seu próprio grupo, o ativista busca construir uma base de seguidores alinhada a ideias nacionalistas, religiosas e anti-imigração.

Além disso, Fuentes se tornou referência para um grupo que costumava viver nos cantos mais obscuros da web e da dark web: os INCELS, termo que abrevia no inglês “celibatário involuntário” e designa uma subcultura online de ódio contra as mulheres marcada pelo ressentimento de não conseguir relacionamentos afetivos ou sexuais.

Assumidamente INCEL, Fuentes afirma que nunca teve uma relação sexual com uma mulher por repulsa ao sexo feminino e é constantemente citado por declarações racistas como as que proferiu contra a esposa do vice-presidente estadunidense, JD Vance. Em sua declaração, Fuentes afirmou que Vance era uma vergonha para sua raça por se relacionar com uma mulher de pais indianos.

Com este histórico, não é exagero assumir que Fuentes faz Trump parecer moderado.

How Critical Theory Paved the Way for Nick Fuentes - First Things

Ascensão nas redes e discurso radical

Natural do estado de Illinois, nos Estados Unidos, Nick Fuentes começou a produzir conteúdo político ainda jovem. Durante o período em que frequentava a universidade em Boston, ele passou a realizar transmissões ao vivo comentando política e assuntos ligados ao conservadorismo americano.

Posteriormente, ele criou o programa online America First, exibido regularmente em plataformas digitais. A atração se tornou o principal canal de comunicação com seus seguidores e ajudou a consolidar uma comunidade de apoiadores que se autodenominam “groypers”, grupo que se organiza principalmente em fóruns e redes sociais.

Ao longo de suas transmissões, Fuentes passou a defender ideias consideradas extremistas por analistas políticos e organizações que monitoram o radicalismo. Entre os pontos mais controversos de seu discurso estão críticas ao multiculturalismo, defesa de uma identidade nacional baseada em valores cristãos e ataques frequentes a imigrantes e minorias.

Além disso, ele já manifestou admiração por líderes autoritários do passado (como Adolf Hitler), além de “ter se colocado a disposição” para substituir o posto de marido da esposa do ativista assassinado Charlie Kirk. Em várias ocasiões, o influenciador também afirmou que pretende transformar o Partido Republicano em uma força política mais radical e ideologicamente alinhada ao nacionalismo.

Facebook bans all 'stop the steal' content

Relação com movimentos políticos

A projeção nacional de Fuentes cresceu especialmente após as eleições presidenciais de 2020. Naquele período, ele participou de mobilizações ligadas ao movimento Stop the Steal, que questionava o resultado do pleito vencido por Joe Biden e defendia, sem provas, que houve fraude eleitoral.

Durante esses protestos, o ativista discursou para apoiadores do então presidente Donald Trump e mobilizou seguidores em manifestações realizadas em diferentes cidades americanas. Ele também esteve presente em Washington durante os eventos que antecederam a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.

Embora não tenha entrado no prédio do Congresso durante os confrontos, Fuentes acabou incluído em investigações conduzidas por autoridades americanas que analisaram a organização dos protestos ligados ao movimento.

Conservadorismo como estratégia de influência

Em paralelo à atuação nas redes sociais, Fuentes passou a investir em eventos políticos e organizações próprias. Entre as iniciativas está a America First Political Action Conference (AFPAC), conferência criada como alternativa mais radical a encontros tradicionais do conservadorismo norte-americano.

O evento reúne ativistas, comentaristas políticos e simpatizantes do chamado movimento “America First”, que defende políticas nacionalistas e restrições mais rígidas à imigração. Em algumas edições, parlamentares e figuras da direita americana participaram da conferência, o que gerou críticas dentro do próprio Partido Republicano.

Apesar de enfrentar restrições em diversas plataformas digitais, incluindo remoções e suspensões por violação de políticas de conteúdo, Fuentes continua mantendo presença online e mobilizando seguidores por meio de transmissões e redes alternativas.

O influenciador representa um exemplo de como novas lideranças da extrema-direita têm utilizado a internet para ganhar visibilidade e tentar ampliar influência dentro da política tradicional dos Estados Unidos. Após a morte de Charlie Kirk, é seguro dizer que ele é o

Além disso, o perfil do eleitorado de Donald Trump não é dos mais jovens. Segundo dados do Pew Research Center, 60% dos votantes de Trump em 2024 tinham 50 anos ou mais, enquanto 40% estavam abaixo dessa faixa etária.

Nomes como Fuentes – e Charlie Kirk, para menção – possuem muita interlocução com o publico mais jovem, além de um manejo muito natural com as dinâmicas digitais. A extrema-direita, seja por estratégia ou consequência dos próprios atos, também conseguiu criar e crescer ecossistemas próprios de propagação de valores e opiniões próprias, o que não acontece com tanta popularidade entre os democratas.

Para quem olha de longe, pessoas como Fuentes podem mais um destes influenciadores que querem surfar a onda de Donald Trump, mas é importante notar que essa onda já passou e o mar já assentou. São vários os Nick Fuentes na mídia, na internet e na política. As consequências? A ver.

Danilo Santana

Jornalista e produtor audiovisual baseado em São Paulo. Escreve sobre cultura e esporte.

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