A Câmara Municipal de Goiânia aprovou em primeira votação, nesta quinta-feira (29), a criação da Comenda Charlie Kirk. A homenagem leva o nome do ativista político americano morto a tiros em setembro de 2025, durante um evento em uma universidade no estado de Utah.
A proposta é de autoria do vereador Igor Franco (Podemos). Durante a sessão, os vereadores Fabrício Rosa (PT) e Aava Santiago (PSB) votaram contra a matéria. O projeto ainda precisa passar pela Comissão de Cultura e por uma segunda votação no plenário antes de ser concluído.
Franco defendeu a homenagem afirmando que Kirk foi um grande defensor da liberdade, da liberdade de expressão e dos valores cristãos.
Kirk construiu uma carreira como comentarista político e podcaster, tornando-se uma das vozes mais influentes da direita americana. Em 2024, desempenhou papel central na mobilização de jovens eleitores para a campanha de Donald Trump e foi morto em 10 de setembro de 2025, aos 31 anos, com um tiro no pescoço enquanto discursava na Universidade Utah Valley. Ele respondia a uma pergunta sobre tiroteios em massa quando foi alvejado. A esposa e os dois filhos dele estavam no local.
O histórico de declarações racistas e anti-islâmicas
A homenagem em Goiânia ocorre em um contexto de controvérsia sobre o legado de Kirk. Ele era amplamente reconhecido por difundir ideias de superioridade racial branca e por atacar minorias raciais, imigrantes e a comunidade LGBTQIA+.
Entre as declarações públicas de Kirk que geraram reação estão a defesa da teoria da Grande Substituição, que alega que democratas e judeus estariam trazendo imigrantes para substituir a população branca. Ele também chamou George Floyd de escória, disse que negros que andam pelas ruas por diversão atacam pessoas brancas e afirmou que mulheres negras não têm capacidade cerebral para serem levadas a sério.
Kirk defendia publicamente que algumas mortes por armas de fogo todos os anos valem a pena para que os americanos possam manter a Segunda Emenda. Também promoveu a falsa alegação de que a eleição de 2020 foi roubada de Trump e disseminou visões antitransgênero.
Famoso em Telaviv
Em relação a Israel e ao genocidio que promove nos territórios da Palestina ocupada, Kirk era um defensor declarado da ocupação israelense. Ele afirmava publicamente que se posicionava com Israel e usava sua plataforma para normalizar as políticas do país. Em uma de suas falas, descreveu o mundo como um lugar melhor por causa da existência do Estado de Israel.
A Turning Point USA, organização que ele fundou, tornou-se uma máquina de propaganda conservadora em campi universitários, com milhões de dólares investidos em campanhas de mobilização eleitoral. Kirk usava esses espaços para promover debates provocativos, frequentemente centrados em temas como raça, gênero e imigração.
Ligação com o bolsonarismo
Kirk também mantinha vínculos com a extrema direita brasileira. Ele entrevistou o ex-presidente Jair Bolsonaro em seu podcast em 2023 e organizou um evento em que Bolsonaro deu uma palestra em Miami, no mesmo ano. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) lamentou a morte de Kirk nas redes sociais.
A escolha de homenagear Kirk em Goiânia insere a capital em um circuito internacional de reverência a figuras da extrema direita global. O gesto ocorre menos de um ano após sua morte e em um momento de ascensão de pautas ultraconservadoras no Brasil.
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