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Renan Santos suaviza discurso e dá “pistas” de escolha estratégica pela esquerda no 2º turno

Líder do MBL admite excessos durante a campanha e busca se afastar do bolsonarismo, mas afirma que não apoiará Lula nem Flávio


Por Carlos Nathan Sampaio em 08/10/2026 - 15:49

Renan Santos suaviza discurso e dá pistas de escolha estratégica pela esquerda no 2º turno
(Imagens: Reprodução/Instagram)

Derrotado no primeiro turno da eleição presidencial, Renan Santos (Missão) começou a rever o discurso adotado durante a campanha e ampliou as interações com eleitores identificados com a esquerda. O movimento ocorre após o avanço eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL) e diante da dificuldade do MBL de disputar espaço com o bolsonarismo dentro da direita.

Renan, que terminou a eleição em quarto lugar, com 2,24% dos votos válidos, afirmou que está esgotada a tentativa de convencer o eleitor conservador a romper com a família Bolsonaro. Em transmissões realizadas nesta semana, ele também questionou a própria classificação ideológica.

“Eu não sou Bolsonaro, então como eu posso ser direita?”, declarou. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Renan admitiu que pode ter “passado do tom” em determinados posicionamentos por estar limitado a uma “bolha”. Ele citou como exemplo a retórica do “prendeu, matou”, que teria assustado parte do público.

O presidente do Partido Missão também afirmou que aceita conversar com pessoas de esquerda dispostas a rever posições consideradas por ele exageradas. Segundo Renan, assuntos relacionados à soberania nacional, economia, meio ambiente e reformas precisarão ser discutidos independentemente do vencedor do segundo turno.

Interações com a esquerda

A mudança de postura ganhou repercussão nas redes sociais, onde Renan passou a receber mensagens bem-humoradas e elogios de perfis ligados à esquerda. A cantora Anitta começou a segui-lo no Instagram e compartilhou um vídeo no qual o ex-candidato criticava a atuação dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.

Renan também recomendou a leitura de “Desejo Pós-Capitalista: Últimas aulas”, do filósofo marxista Mark Fisher. Ao comentar a indicação, defendeu que pessoas de direita conheçam autores de esquerda e que o caminho inverso também seja adotado.

Em outro episódio, publicações mostrando objetos vermelhos na casa do ex-candidato alimentaram especulações sobre uma possível sinalização a Lula. Primeiro, Renan exibiu cortinas novas e escreveu que gostava da escolha da cor. Depois, mostrou um tapete vermelho que, segundo ele, foi produzido em 1822.

Parte dos seguidores interpretou as imagens como uma mensagem velada de apoio ao petista para evitar a vitória de Flávio Bolsonaro. Renan, porém, rejeitou a interpretação. “Eu odeio o PT, eu jamais vou votar no Lula. Isso é só uma cortina”, afirmou.

Apesar da aproximação discursiva com parte da esquerda, Renan garante que não apoiará nenhum dos concorrentes no segundo turno. Ele afirmou que não conversou nem pretende se reunir com Lula ou Flávio para negociar uma adesão.

O ex-candidato deixou seus eleitores livres para escolher e pediu que petistas e bolsonaristas tentem conquistar esses votos sem hostilidades. Ainda assim, o novo posicionamento tem como principal contraponto o bolsonarismo, que Renan considera responsável por ocupar praticamente todo o espaço político da direita brasileira.

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