Donald Trump afirmou que não tem planos de se encontrar com Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, mas disse que o senador pode ficar no país “o tempo que quiser”. A declaração foi feita no sábado (31), na Flórida, seis dias após a derrota de Flávio na eleição presidencial brasileira e sua saída do Brasil. Trump também voltou a chamar a eleição de “uma vergonha”.
A ausência de um encontro pode refletir uma tentativa de evitar que o caso de Flávio se transforme em um problema político para Trump às vésperas das midterms, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Essa é uma possibilidade de análise, não um motivo declarado pelo presidente americano. A votação renova parte do Congresso e tem peso para a agenda de Washington.
Em avaliação à CNN Brasil, Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, afirmou que a situação de Flávio virou um “fardo” para Trump administrar durante o período eleitoral. Segundo o analista, as disputas pela Câmara e pelo Senado concentram a atenção política nos Estados Unidos, enquanto a relação com o Brasil envolve interesses que vão além da situação do senador. Aragão apontou, por exemplo, as negociações sobre minerais críticos como prioridade americana.
O cálculo também pode ser delicado na Flórida, onde, segundo Aragão, eleitores brasileiros, cubanos, venezuelanos e de outros grupos latino-americanos esperam que Trump defenda Flávio. Uma reunião pública poderia agradar a parte desse eleitorado, mas manter o caso em evidência e gerar desgaste em outras frentes.
Trump não explicou por que descartou o encontro. A Reuters informou que ele não tem planos atuais de apoiar as ambições políticas de Flávio, apesar de ter permitido sua entrada nos Estados Unidos. O secretário de Estado Marco Rubio, por sua vez, afirmou que o governo americano não participou diretamente dos arranjos para a saída do senador do Brasil.











