Integrantes da Agência Brasileira de Inteligência ouvidos pelo ICL Notícias classificaram a decisão como prematura e afirmaram que havia elementos que deveriam ter sido aprofundados antes do encerramento.
Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) criticaram a decisão da Polícia Federal de arquivar a apuração preliminar sobre uma possível interferência externa nas eleições brasileiras de 2026. As fontes foram ouvidas pelo ICL Notícias e reproduzidas por outros veículos.
Uma das fontes classificou o encerramento como prematuro. Segundo esse servidor, havia elementos que deveriam ter sido aprofundados antes de a PF decidir não abrir um inquérito formal.
“A maior preocupação é que países alinhados ao Departamento de Estado americano passem a corroborar suas ações”, afirmou um dos integrantes da agência.
O que motivou a apuração
A apuração preliminar foi aberta após uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU). O pedido foi baseado em reportagem do jornal britânico The Guardian, que revelou um projeto do Departamento de Estado dos Estados Unidos no valor de US$ 1 milhão destinado a grupos da sociedade civil brasileira.
O projeto, intitulado “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”, tinha como alvo a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e organizações que atuam no debate político brasileiro.
A PF concluiu que não havia indícios mínimos de ilícitos ou de interferência do governo Donald Trump no processo eleitoral.
Tensão entre Abin e PF
A crítica dos servidores da Abin à decisão da PF ocorre em um contexto de tensão entre as duas instituições. Reportagem do ICL Notícias de abril de 2026 já apontava disputa entre a agência e a corporação.
Segundo o veículo, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, atuaria para “invadir competências da Abin no exterior mediante uso de adidos policiais”. Servidores da agência também relataram episódios anteriores de insatisfação com a condução de investigações que envolviam informações de inteligência.
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