Sete candidaturas de pessoas trans foram eleitas nas eleições de 2026 para ocupar cadeiras na Câmara dos Deputados e em assembleias legislativas estaduais. O resultado foi comemorado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), que acompanhou a participação dessa população no processo eleitoral.
Na disputa federal, Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PSOL-MG) conquistaram novos mandatos na Câmara. As duas fizeram história em 2022 ao se tornarem as primeiras parlamentares trans eleitas para o Congresso Nacional.
A bancada trans na Câmara também será ampliada com a eleição de Thabatta Pimenta (PSOL-RN), que garantiu seu primeiro mandato como deputada federal. Com o resultado, a Casa passará a contar com três representantes trans a partir de fevereiro de 2027.
Nas assembleias estaduais, Linda Brasil (PSOL-SE) e Dani Balbi (PCdoB-RJ) foram reeleitas. Outras duas candidaturas conquistaram o primeiro mandato: Natasha Ferreira (PT-RS), no Rio Grande do Sul, e Sofia Favero (PSOL-SP), em São Paulo.
Ao todo, cinco das sete eleitas são filiadas ao PSOL. PT e PCdoB elegeram uma representante cada.
A Antra avaliou que o resultado amplia a presença de pessoas trans em espaços políticos tradicionalmente marcados pela baixa diversidade. Para a entidade, os mandatos terão o desafio de atuar na defesa dos direitos humanos, da democracia e de políticas destinadas à proteção da população trans e travesti.
O levantamento da associação identificou 116 candidaturas trans e travestis nas eleições deste ano, distribuídas por todos os estados. O número representa um crescimento de 45,6% em comparação com 2022, quando foram mapeadas 79 candidaturas. Desde 2014, quando a Antra começou o monitoramento e encontrou sete nomes, a participação cresceu aproximadamente 1.540%.
Entre as 116 candidaturas contabilizadas em 2026, 104 eram de mulheres trans e travestis, sete de homens trans ou pessoas transmasculinas e cinco de pessoas não binárias. A entidade também apontou que 69% dos candidatos eram pessoas pretas ou pardas.
Apesar do aumento no número de candidaturas, as sete eleitas representam cerca de 6% do total de nomes trans mapeados. Para a Antra, a participação eleitoral demonstra avanço na ocupação dos espaços institucionais, mas também evidencia que permanecem obstáculos para ampliar essa representação nos parlamentos brasileiros.















