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TCM-GO proíbe Prefeitura de Goiânia de reduzir plantões e atendimentos na Saúde

Medida cautelar determina manutenção de escalas, horários, unidades e serviços essenciais no mesmo patamar de agosto; decisão foi tomada após representação da vereadora Kátia


Arthur Oliveira Por Arthur Oliveira em 24/09/2026 - 18:45

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O Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) concedeu, nesta quarta-feira (23), medida cautelar que impede a Prefeitura de Goiânia de reduzir plantões, escalas, horários de atendimento, unidades ou serviços essenciais da rede municipal de Saúde em razão do limite de R$ 4 milhões estabelecido pela Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz) para o pagamento de profissionais credenciados com recursos do Tesouro.

A decisão atende a uma representação apresentada pela vereadora Kátia (PT), que acionou o Tribunal no início de setembro diante da redução de aproximadamente R$ 6 milhões mensais no aporte do Tesouro destinado ao pagamento dos profissionais credenciados. O processo é relatado pelo conselheiro Humberto Aidar e tramita sob o número 7013/2026.

Na cautelar, o Pleno do TCM-GO determina que a Prefeitura preserve a assistência à população, utilizando a Fonte 102 ou outra fonte legal, efetiva e imediatamente disponível, enquanto o Tribunal realiza a análise definitiva do caso. A determinação estabelece que a quantidade de plantões, escalas, horários, unidades e serviços essenciais seja mantida tendo como referência o que foi executado em agosto deste ano.

Além de impedir a redução dos serviços, o Tribunal determinou que a administração municipal apresente, no prazo de 10 dias, documentos e informações sobre a execução orçamentária e financeira da Saúde, a evolução da aplicação constitucional na área, as escalas de agosto e setembro e eventuais unidades ou serviços que tenham sido afetados pela mudança no financiamento.

O TCM-GO também exigiu que a Prefeitura detalhe as emendas parlamentares que afirma utilizar ou pretende utilizar para financiar os profissionais credenciados. Deverão ser informados a origem dos recursos, o autor da emenda, o valor, a data de ingresso do dinheiro nos cofres públicos, o saldo disponível, os empenhos e o cronograma de utilização.

A administração municipal também deverá demonstrar que os valores disponíveis são suficientes para garantir a manutenção dos serviços de Saúde.

Impacto nos atendimentos

A decisão do TCM-GO ocorre após uma sequência de manifestações de órgãos de controle sobre a situação do financiamento dos profissionais credenciados na rede municipal de Saúde de Goiânia.

Na representação apresentada ao Tribunal, a vereadora Kátia questionou a decisão da Sefaz de limitar a R$ 4 milhões mensais os recursos da Fonte 102 destinados ao pagamento desses profissionais. Antes da mudança, a média de recursos do Tesouro utilizados para esses pagamentos era de aproximadamente R$ 10,17 milhões por mês.

Segundo os dados apresentados na representação, a redução representaria um impacto de aproximadamente R$ 6 milhões mensais e poderia levar à suspensão de cerca de 2 mil plantões médicos de 24 horas. Ainda conforme estimativas apresentadas pela própria Secretaria Municipal de Saúde, a redução poderia resultar em até 160 mil atendimentos a menos por mês.

Outro questionamento apresentado pela vereadora foi a ausência, até aquele momento, de estudo técnico, memória de cálculo ou avaliação de impacto que justificasse a redução dos recursos destinados aos credenciados.

Kátia também solicitou que a Prefeitura informasse quais fontes de recursos seriam utilizadas para substituir o dinheiro retirado do Tesouro e apresentasse comprovação de que os valores seriam suficientes para garantir a continuidade dos serviços prestados à população.

Ministério Público de Contas

O Ministério Público de Contas (MPC) já havia se manifestado favoravelmente à concessão da cautelar no dia 17 de setembro.

O parecer do procurador Henrique Pandim Barbosa Machado acompanhou o entendimento da área técnica do TCM-GO e apontou risco de prejuízo à continuidade da assistência à população. O documento também considerou registros de redução de plantões nas escalas de unidades de emergência.

Na avaliação apresentada ao Tribunal, a situação poderia comprometer a manutenção dos serviços caso a redução dos recursos destinados aos profissionais credenciados não fosse acompanhada de medidas capazes de garantir o financiamento necessário para manter as escalas.

Para a vereadora Kátia, a decisão do TCM-GO demonstra que a preocupação apresentada na representação estava relacionada a um problema concreto da rede municipal de Saúde.

“Desde o primeiro momento, nossa preocupação foi garantir que a discussão sobre as contas da Prefeitura não se transformasse em redução de atendimento para a população. O que levamos ao TCM foi uma questão objetiva: houve uma redução expressiva dos recursos destinados aos credenciados e era preciso saber qual seria o impacto disso nas escalas e nos serviços”, afirmou a vereadora.

Segundo Kátia, a determinação do Tribunal também reforça a necessidade de transparência sobre as fontes de financiamento que a Prefeitura pretende utilizar para compensar a redução dos recursos do Tesouro.

“O TCM determinou que a Prefeitura mantenha os plantões, as escalas, os horários e os serviços e, ao mesmo tempo, apresente os números, os estudos e a origem dos recursos que pretende utilizar. É exatamente a transparência que estávamos cobrando. Não se trata de impedir a Prefeitura de organizar o orçamento, mas de garantir que essa reorganização não aconteça às custas do atendimento da população”, disse.

Decisão é provisória

A medida concedida pelo TCM-GO tem caráter provisório e não representa ainda uma decisão definitiva sobre o caso.

O processo continuará em análise no Tribunal, que deverá avaliar os documentos e as informações apresentados pela Prefeitura de Goiânia antes de decidir de forma definitiva sobre os questionamentos levantados na representação.

Enquanto a análise prossegue, a administração municipal deverá cumprir a determinação de preservar os plantões, escalas, horários, unidades e serviços essenciais da rede de Saúde, tendo como referência o funcionamento registrado em agosto.

O descumprimento da cautelar poderá resultar na aplicação de multa.

Arthur Oliveira

Estagiário sob supervisão de Andréia Bahia

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