As Testemunhas de Jeová mudaram a orientação relacionada ao recebimento e à doação de componentes do sangue. Com a nova regra, anunciada pelo Corpo Governante da denominação, cada fiel poderá decidir se aceita ou doa glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plasma e plaquetas.
Essas decisões passam a ser consideradas uma questão de consciência individual. Isso significa que a denominação deixa de estabelecer uma proibição geral sobre os quatro componentes, permitindo que cada integrante avalie pessoalmente a conduta que pretende adotar.
A mudança foi comunicada em um boletim publicado na sexta-feira (18) no site oficial das Testemunhas de Jeová. A nova orientação, no entanto, não representa uma liberação irrestrita das transfusões: o recebimento de sangue total permanece proibido.
A restrição ao sangue total é baseada na interpretação religiosa de trechos do capítulo 15 do livro bíblico de Atos, que orientam os cristãos a se absterem de sangue. Para o Corpo Governante, essa passagem estabelece uma determinação expressa em relação ao sangue integral.
No caso dos componentes sanguíneos, a direção religiosa passou a considerar que não existe uma orientação bíblica específica que permita a imposição de uma regra única a todos os fiéis. Por essa razão, a decisão deve ser tomada por cada pessoa, de acordo com sua consciência e suas convicções.
Na prática, um integrante das Testemunhas de Jeová poderá aceitar um determinado componente e recusar outro. A alteração também não significa que todos os membros passarão a receber ou doar essas substâncias, mas que a escolha deixa de ser definida de maneira uniforme pela organização religiosa.
Uso do próprio sangue também teve mudança
A flexibilização faz parte de uma revisão mais ampla das orientações da denominação sobre tratamentos médicos. Em março, o Corpo Governante já havia modificado sua posição sobre procedimentos que utilizam o sangue do próprio paciente.
Na ocasião, a entidade informou que a Bíblia não aborda diretamente o uso do próprio sangue em tratamentos ou cirurgias. Assim, procedimentos médicos desse tipo também passaram a depender de uma decisão pessoal do fiel.
A distinção estabelecida pela nova orientação é que o sangue total continua submetido à proibição religiosa, enquanto o uso dos componentes sanguíneos e do próprio sangue do paciente passa a ser avaliado individualmente.











