Duas ações civis públicas movidas pelo Ministério Público de Goiás solicitam indenizações que somam cerca de R$ 140 milhões por supostos danos ambientais registrados em uma Usina em Ipiranga de Goiás. Os processos foram ajuizados pela 2ª Promotoria de Justiça de Rubiataba e têm como alvo a empresa Agro-Rub Agropecuária, do setor sucroenergético.
De acordo com o MP, a empresa é investigada por despejar vinhaça — resíduo gerado na produção de etanol a partir da cana-de-açúcar — em ocorrências registradas nos anos de 2021 e 2023. As ações apontam que o material teria provocado impactos ambientais relevantes, atingindo os córregos Grande e Água Branca.
Entre os danos relatados estão contaminação da água, aumento da carga orgânica, diminuição do oxigênio dissolvido, morte de peixes e prejuízos a áreas de preservação permanente.
Recuperação ambiental
Laudos técnicos elaborados por peritos ambientais indicam, segundo o Ministério Público, falhas estruturais e operacionais no sistema de manejo da vinhaça utilizado pela empresa. Com base nesses documentos, o órgão pede a reparação integral dos danos ambientais, além de compensação financeira.
As ações também solicitam a recuperação de cerca de 790 hectares de áreas degradadas. Entre as medidas previstas estão a recomposição da vegetação nativa do Cerrado, restauração de Áreas de Preservação Permanente (APPs), controle de processos erosivos e monitoramento contínuo da qualidade da água.
Outro pedido inclui o repovoamento dos cursos d’água com espécies de peixes, com acompanhamento técnico especializado, além da implantação de um programa permanente de monitoramento ambiental.
Segundo o promotor responsável, os custos estimados para a recuperação chegam a aproximadamente R$ 76 milhões em uma das ações e R$ 63 milhões na outra.
Posicionamento da empresa
Em nota ao Jornal Opção, a Agro-Rub Agropecuária afirmou ter recebido com surpresa as informações divulgadas pelo Ministério Público, destacando que não foi previamente notificada sobre o relatório mencionado.
A empresa também sustenta que os dados apresentados não refletem a realidade dos fatos e afirma que as acusações se baseiam em denúncias não comprovadas. Ainda segundo a defesa, processos administrativos relacionados ao caso teriam sido arquivados por falta de comprovação.















