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Cerrado concentra maior área queimada do Brasil em 2025, apesar de queda de 31% nos incêndios

Relatório do MapBiomas mostra redução histórica das queimadas no país, mas aponta que o Cerrado segue como o bioma mais afetado; Goiás está entre os estados com maior extensão do bioma


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 21/07/2026 - 13:07

Cerrado concentra maior área queimada do Brasil em 2025, apesar de queda de 31% nos incêndios
Cerrado concentra maior área queimada do Brasil em 2025, apesar de queda de 31% nos incêndios - Fapeg

O Brasil registrou uma redução de 31% na área queimada em 2025 em comparação com a média histórica, segundo a segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado pelo MapBiomas. Ao todo, 12,7 milhões de hectares foram atingidos pelas queimadas no ano passado, contra uma média anual de 18,4 milhões de hectares desde 1985.

Apesar da melhora no cenário nacional, o Cerrado continua sendo o bioma mais afetado pelo fogo. Em 2025, foram 8,7 milhões de hectares queimados, o equivalente a cerca de 68% de toda a área atingida no país. Junto com a Amazônia, o bioma concentra 86% de toda a área queimada registrada no Brasil desde o início da série histórica.

Para Goiás, estado que possui cerca de 97% do território coberto pelo Cerrado, os dados reforçam a importância das ações de prevenção e manejo do fogo. O bioma abriga grande parte da biodiversidade goiana, além de ser responsável pelo abastecimento de importantes bacias hidrográficas que atendem milhões de brasileiros.

O relatório destaca que a redução nacional foi impulsionada principalmente pela Amazônia, que registrou 3,1 milhões de hectares queimados em 2025, a menor área dos últimos 41 anos. Em 2024, o bioma havia registrado o maior índice da série histórica, com 15,8 milhões de hectares atingidos.

Frequência das queimadas preocupa no Cerrado

Embora o fogo faça parte da dinâmica natural do Cerrado, os pesquisadores alertam que o aumento da frequência e da intensidade das queimadas pode comprometer a capacidade de regeneração da vegetação.

Segundo o MapBiomas, 66% de toda a área queimada no Cerrado desde 1985 voltou a pegar fogo pelo menos uma vez, indicando um ciclo cada vez mais recorrente de incêndios.

Para a pesquisadora Vera Laísa Arruda, do MapBiomas e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), o cenário exige atenção. “No Cerrado, o fogo faz parte da dinâmica natural do bioma, mas a incidência atual, marcada por eventos mais frequentes e extensos, pode ultrapassar a capacidade de recuperação da vegetação. Quando esse regime se intensifica, aumentam os riscos de perda de biodiversidade e degradação do bioma”, afirmou.

Vegetação nativa é a mais atingida

Outro dado que chama atenção é que, no Cerrado, mais de 80% das áreas queimadas correspondem à vegetação nativa, diferentemente da Amazônia, onde os incêndios ocorrem principalmente em áreas alteradas pela ação humana, como pastagens.

No período entre 1985 e 2025, 71,5% de toda a área queimada no Brasil ocorreu sobre vegetação nativa, enquanto 28,5% atingiram áreas destinadas à agropecuária e outras atividades humanas.

Pantanal registra maior redução

Entre os biomas brasileiros, o Pantanal apresentou a maior queda proporcional nas queimadas em 2025. Foram registrados 121 mil hectares queimados, redução de 85,6% em relação à média histórica. A Caatinga foi o único bioma que apresentou área queimada acima da média no período.

Estados

O levantamento aponta que Mato Grosso, Pará e Maranhão concentram quase metade de toda a área queimada registrada no Brasil desde 1985, com 47% do total nacional. Já os municípios de Corumbá (MS) e São Félix do Xingu (PA) lideram o ranking histórico das cidades mais atingidas pelo fogo.

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Redação Tribuna do Planalto

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