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Operação Mata Atlântica em Pé 2026 detecta mais de 160 hectares de desmatamento ilegal em Goiás

Os ilícitos ambientais foram identificados a partir da fiscalização remota e presencial de sete alertas de desmatamento obtidos por sistemas de monitoramento remoto, como o MapBiomas Alerta


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 28/08/2026 - 16:35

Operação Mata Atlântica em Pé 2026 detecta mais de 160 hectares de desmatamento ilegal em Goiás
Operação Mata Atlântica em Pé 2026 detecta mais de 160 hectares de desmatamento ilegal em Goiás - Semad
Em dez dias, mais de 164 hectares (o equivalente a 230 campos de futebol) de desmatamento ilegal foram autuados no Estado de Goiás, segundo balanço da Operação Mata Atlântica em Pé 2026, realizada simultaneamente nos 17 Estados abrangidos pelo bioma entre 17 e 27 de agosto. A ação no Estado mobilizou o Ministério Público de Goiás (MPGO), órgãos de fiscalização ambiental – Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) – e forças policiais em uma atuação integrada, baseada em inteligência geoespacial, que resultou na fiscalização de 18 áreas, em 20 autos de infração, 15 embargos e R$ 298.250,00 em multas, além de outras medidas administrativas.

Os ilícitos ambientais foram identificados a partir da fiscalização remota e presencial de sete alertas de desmatamento obtidos por sistemas de monitoramento remoto, como o MapBiomas Alerta.

A promotora de Justiça Daniela Haun de Araújo Serafim coordenadora da operação no Estado de Goiás, destaca que a atuação integrada fortalece o combate ao desmatamento ilegal no Estado e em todo o País. Ela avalia que a ação nacional tem consolidado uma cultura de fiscalização e resposta a essa atividade ilegal, a partir da articulação entre os Ministérios Públicos e os órgãos de fiscalização ambiental nos 17 Estados abrangidos pela Mata Atlântica. “A utilização de inteligência, aliada ao contínuo engajamento das instituições, tem contribuído decisivamente para a redução dos índices de supressão ilegal, para a proteção, conservação e recuperação do bioma e para o enfrentamento das mudanças climáticas”, ressalta.

A coordenação nacional da Operação Mata Atlântica em Pé é realizada pela Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com o apoio da Fundação SOS Mata Atlântica. Como nas edições anteriores, neste ano participaram da operação todos os Estados abrangidos pelo bioma: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso do Sul.

O resultado nacional da Operação Mata Atlântica em Pé 2026 será apresentado durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta (28/8), no Centro Universitário Dom Helder, em Belo Horizonte (MG), marcando a abertura do Seminário 20 anos da Lei da Mata Atlântica. Na ocasião, também será realizada a primeira edição do Prêmio Mata Atlântica em Pé, iniciativa da Abrampa em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica.

Integração e tecnologia

Para o promotor de Justiça Alexandre Gaio, que coordena a operação nacional, a Operação Mata Atlântica em Pé, esta atuação consolida um modelo bem-sucedido de trabalho planejado e articulado entre diversas instituições, com uso de tecnologia para viabilizar efetivas respostas aos ilícitos praticados em prejuízo do bioma Mata Atlântica.

“O monitoramento contínuo, aliado à fiscalização híbrida, presencial e remota, efetiva responsabilização dos infratores, tem fortalecido a proteção da Mata Atlântica e contribuído para ampliar o controle sobre o desmatamento ilegal. Esse trabalho vem sendo reconhecido como um dos fatores que tem contribuído decisivamente para a redução das taxas de desmatamento do bioma nos últimos anos”, afirma Gaio.

Segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica, em 2025 foi registrada uma redução de 40% no desmatamento em relação ao período anterior e de 60% na comparação com 2020-2021, alcançando a menor taxa em quatro décadas de monitoramento.

“Os resultados dos últimos anos mostram que é possível reduzir o desmatamento da Mata Atlântica quando a legislação é aplicada com rigor, há monitoramento permanente e os órgãos responsáveis conseguem agir sobre as ilegalidades identificadas”, afirma Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica. “A Operação Mata Atlântica em Pé tem uma contribuição muito importante nesse processo ao integrar Ministério Público, órgãos ambientais e tecnologia para transformar alertas de desmatamento em fiscalização e responsabilização. É esse esforço contínuo e articulado que precisamos fortalecer para avançar rumo ao desmatamento zero no bioma”, completa.

Monitoramento, fiscalização e responsabilização

A Operação Mata Atlântica em Pé utiliza informações produzidas por diversos sistemas de monitoramento remoto, entre eles o MapBiomas Alerta, para identificar áreas com indícios de desmatamento ilegal. Com base nesses alertas, equipes de fiscalização realizam verificações remotas e presenciais para confirmar a ocorrência das infrações ambientais e emitir os devidos autos de infração e termos de embargo.

Em diversos Estados, o emprego de drones e outras tecnologias de georreferenciamento complementa as inspeções de campo, aumentando a precisão das fiscalizações e reduzindo o tempo de resposta das equipes.

Confirmadas as irregularidades, os responsáveis ficam sujeitos à aplicação de multas e demais sanções administrativas e a reparação integral dos danos ambientais e climáticos, sem prejuízo na apuração da responsabilidade nas esferas cível e criminal. As áreas desmatadas ilegalmente também podem sofrer restrições relacionadas ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), ao acesso ao crédito rural e a outros instrumentos previstos na legislação ambiental.

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