O ex-deputado federal Vilmar Rocha afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá enfrentar dificuldades para concluir um eventual novo mandato. Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, colunista da Tribuna do Planalto, nesta terça-feira (13), o professor de Direito Constitucional associou sua avaliação à composição do Congresso, ao desequilíbrio fiscal e à idade do presidente.
Vilmar apresentou a previsão como uma percepção pessoal. “Você quer que eu fale uma coisa que não é racional, mas é uma percepção? O Lula, se ele for reeleito, não vai terminar esse mandato”, declarou.
Ao explicar a fala, mencionou tanto a possibilidade de obstáculos institucionais quanto questões de saúde. Ressalvou que não desejava esse desfecho, mas não apresentou informações clínicas que sustentassem a hipótese.
“Não é que eu deseje, não é isso. Mas é razoável você pensar que um cara de oitenta e tantos anos não vai ter grande vitalidade para ser o presidente da República num país como o nosso, complexo”, afirmou.
Congresso e contas públicas
A declaração surgiu durante a discussão sobre a relação de um eventual novo governo Lula com as bancadas eleitas. Na avaliação de Vilmar, o presidente encontraria dificuldades para governar diante da força dos adversários no Legislativo.
O ex-deputado também apontou as contas públicas como fator de pressão. Defendeu medidas para recuperar o equilíbrio fiscal e acusou o governo de agravar o problema com decisões que classificou como populistas no período eleitoral.
Para ele, a combinação de dificuldades econômicas e resistência política poderá ampliar os conflitos no próximo mandato. A entrevista, porém, não trouxe a descrição de um mecanismo concreto que levaria à interrupção do governo.
Crise política e ruptura institucional
Vilmar distinguiu o enfrentamento entre governo e oposição de uma quebra das regras constitucionais. Disse prever uma crise política, mas manifestou preocupação com a possibilidade de ela atingir as instituições.
“Uma democracia vibrante tem que ter atritos, discussões, debates contundentes, mas dentro das regras previstas na Constituição. A crise institucional é quando você quebra essas regras”, afirmou.
O professor também sustentou que o lulopetismo atravessa um processo de esgotamento, mesmo que o presidente consiga vencer o segundo turno. Em sua leitura, a rejeição ao PT reúne eleitores que não necessariamente se identificam com o bolsonarismo.
Apesar desse diagnóstico, reconheceu que a disputa presidencial ainda pode mudar. “É possível haver mudança? Sim, possível é. É provável? Eu acho que é pouco provável”, disse.











