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Cidade completa 100 anos com novo status

O município comemora o seu centenário com muitas histórias e tradições que impulsionam o crescimento econômico do município

Por Redação Tribuna do Planalto - 11/05/2022

Dhayane Marques 

Com mais de 600 mil habitantes, o município de Aparecida de Goiânia completa 100 anos de fundação no próximo dia 11 de maio, num contexto de crescimento como cidade inteligente, integrada, universitária, industrial e atraente. 

A história de Aparecida de Goiânia começou em 11 de maio de 1922, quando os precursores da cidade rezaram uma missa campal onde foi construída, depois, a capela da padroeira do arraial – atual Paróquia e Santuário Nossa Senhora Aparecida.  

Estavam presentes Aristide Frutuoso, Antônio Lourenço Ribeiro, Antônio Alves Fortes, Antônio Bertoldo Ribeiro, Elias Gonçalves Primo, Manuel Cabral da Silva, Joaquim Marques da Silva, Benedito Batista de Toledo e outros. 

Em 26 de dezembro de 1958, foi criado o Distrito de Goialândia, reconhecendo esta então pequena comunidade como esse nome, através da Lei n° 1.406. A emancipação política só aconteceu em 1963, quando a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) sancionou a Lei nº 4.927. No dia 14 de novembro, a cidade vai celebrar 58 anos dessa conquista que concedeu autonomia para que pudesse se autogerir e criar as próprias leis. 

Por muitas décadas, Aparecida foi chamada de “cidade dormitório”, porque muitos moradores trabalhavam em Goiânia e cidades vizinhas, só retornando para dormir. Nos últimos 20 anos, com olhar voltado para investimentos em melhorias na infraestrutura da cidade e desburocratização dos serviços prestados às empresas, o município passou a atrair grandes companhias dos ramos da indústria e logística, que impulsionaram desenvolvimento econômico. 

Aparecida também acolheu famílias de diversas regiões do Brasil e se transformou em um lar para elas, apesar de já ter sido menosprezada por ser uma cidade interiorana. Há 43 anos residindo em Aparecida, José Xavier Martins, popularmente conhecido como Zé Colméia, conta que, quando se mudou para o munícipio, não existiam os setores.  

“Quando vim morar aqui era tudo chácara, não existia bairros. Naquela época, eu trabalhava em Goiânia, tinha que sair daqui (Aparecida) às 5h da manhã para conseguir embarcar no ônibus que passava pela Vila Redenção, porque era o lugar mais próximo que tinha. A gente olha para situação de hoje, que está boa, mas ainda assim é preciso e pode melhorar”, diz Zé Colmeia. 

Zé Colméia há 43 anos mora em Aparecida: “Quando vim morar aqui era tudo chácara.”

  Foi em 1996 que José Xavier deixou a empresa em que trabalhava em Goiânia para criar o seu comércio em Aparecida, um bar de chopp. Foi também quando ficou conhecido como Zé Colméia. Na nova cidade, ele se casou, criou as duas filhas e, com o comércio, conseguiu pagar os estudos delas. “Eu não tenho do que queixar de Aparecida, a cidade é muito boa”, relata o morador, que atualmente é dono de uma papelaria e afirma não ter “vergonha de dizer que mora em Aparecida”.  

Assim com o de Zé Colmeia, existem muitos relatos de moradores que ajudam a escrever a história e as tradições da cidade e que impulsionam o crescimento de Aparecida de Goiânia.  

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO  

A localização do munícipio tem sido um dos principais atrativos para que empresas queiram se instalar na região, fazendo com que a economia se mantenha aquecida e propícia para à geração de emprego e renda. Em 2017, Aparecida foi o segundo município que mais gerou empregos formais no Brasil, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). 

O Produto Interno Bruto (PIB) local cresceu 122% de 2010 a 2018, chegando atualmente a R$ 14,4 bilhões. “Para acompanhar o desenvolvimento da cidade, a Prefeitura de Aparecida investiu e continua investindo em infraestrutura, mobilidade urbana, saúde, educação, assistência social, esportes, lazer e outras áreas sensíveis, garantindo à população qualidade de vida e acesso aos serviços públicos”, assegura o prefeito Vilmar Mariano.  

Osvaldo Zilli: “Aparecida nos acolheu muito bem quando viemos instalar a empresa”.

Há 21 anos, o empresário Osvaldo Antônio Zilli mora na cidade, onde ele comanda o Grupo Transzilli, uma empresa voltada para armazenagem, transporte de cargas secas, refrigeradas e congeladas. Osvaldo conta que uma das razões que o fez levar sua empresa para a cidade foi a localização, que contribuiu para uma operação logística. 

“Aparecida nos acolheu muito bem quando viemos instalar a empresa, recebemos apoio do poder público, principalmente dos prefeitos que passaram e que ainda comandam aqui. Eles sempre nos valorizaram muito, porque sabem da nossa origem aqui é o trabalho e dedicação, sempre pensando no coletivo”, destaca Zilli. 

“Hoje temos tudo que precisamos em Aparecida” 

Aos 11 anos, Nilda Simone Oliveira de Siqueira, se mudou para Aparecida de Goiânia com sua família. Naquela época, a cidade ainda era bem pequena e foi com o município que sua família estabeleceu seus laços, desde os pais até suas trisavós. Hoje em dia, Nilda é professora, escritora e pesquisadora. Já publicou dois livros sobre a história da cidade “Um olhar sobre Aparecida: História e Cultura” e “Aparecida de Goiânia: Nossa história, Nossa gente!”, que foi escrito por ela e seu Filho Gabriel Siqueira. 

“Nos primeiros 50 anos, Aparecida não teve esse desenvolvimento, era uma cidade pequenininha, não chegava a ser nem uma cidade dormitório, com costumes de uma cidade interiorana. O desenvolvimento começou na década de 70, com a chegada de pessoas que vinham em busca de oportunidades, que, provavelmente, na terra delas não tinham.”  

Com o desenvolvimento, Aparecida se tornou a segunda maior cidade o Estado de Goiás e está se firmando como polo universitário, atraindo, cada vez mais, estudantes do interior de Goiás e de outros estados. “Quando eu estudei, na década de 80, tinha um ônibus escolar da prefeitura que levava os alunos. Na época, eu estudava na PUC-GO [Pontifícia Universidade Católica de Goiás]. Só havia duas faculdades em Goiás, que ficavam em Goiânia. Hoje, Aparecida oferece para a população diversos centros universitários”, destaca a pesquisadora. 

Nilda Simone Oliveira de Siqueira: “A força de vontade do povo e a ideologia dos políticos que se sucederam foram os dois fatos mais importantes para a modernização da cidade”.

Nilda conta que o que fez com que a modernização chegasse à cidade foi a vontade do povo. “Tínhamos que recorrer a Goiânia para tudo. Em um determinado momento, descobrimos que poderíamos nos tornar independes. Com isso, o povo de Aparecida começou a perceber que tinha a possibilidade de ter tudo que havia em Goiânia, às vezes, até melhor. Eu acho que a força de vontade do povo e a ideologia dos políticos que se sucederam foram os dois fatos mais importantes para a modernização da cidade”. 

Por muitas décadas, os impostos produzidos pelo consumo dos aparecidenses eram recolhidos em Goiânia. Nilda conta que isso mudou a partir do momento em que começaram a surgir os investimentos nos polos industriais, o que contribuiu para o fortalecimento da economia local. “Com a chegada dessas empresas, os moradores não tinham mais necessidade de trabalhar em outra cidade, podiam trabalhar e viver em Aparecida. Os impostos que pagávamos em Goiânia passaram a ser pago em Aparecida, e isso contribuiu para o crescimento da nossa cidade”.  

Nilda reconhece que a partir do momento que Aparecida se tornou independente de Goiânia e passou a ter autonomia, a vida da cidade melhorou. “Hoje temos tudo que precisamos em Aparecida”. 

Embora a cidade tenha se desenvolvido no setor econômico e de educação, por outro lado, ela relata alguns problemas, como a revitalização da região do Centro da cidade. “O Centro é um pouco esquecido, ainda tem a mesma característica de quando aqui era uma cidade de interior, bem pacata. Eu acho muito importante que as autoridades tenham esse olhar para que possam revitalizar o Centro e preservar a sua parte histórica. O setor precisa de uma revitalização urgente.”

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