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37 candidatos a deputado já deixaram disputa ou tiveram registro negado em Goiás

Renúncias atingem 22 nomes; outros 15 tiveram candidaturas indeferidas pelo TRE-GO


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 13/09/2026 - 14:00

Pedro Sales está entre as principais baixas (Foto: Divulgação)

Ao menos 37 candidaturas a deputado estadual ou federal em Goiás já foram atingidas por renúncias ou decisões que negaram o registro antes das eleições de outubro. Levantamento a partir dos dados da Justiça Eleitoral mostra 22 desistências e outros 15 pedidos indeferidos pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO).

A maior movimentação está na disputa pela Assembleia Legislativa. São 14 candidatos a deputado estadual que renunciaram e outros 12 que tiveram o registro indeferido, totalizando 26 nomes.

Na corrida pelas vagas goianas na Câmara dos Deputados, oito candidatos desistiram e três receberam decisão pelo indeferimento. São outros 11 registros atingidos.

Os números não significam, porém, que todos os 37 estejam definitivamente fora das urnas. As 22 renúncias já homologadas representam desistências efetivas. Entre os 15 registros indeferidos, há casos em que ainda cabe recurso à Justiça Eleitoral.

Pedro Sales está entre as principais baixas

Entre os candidatos que deixaram a corrida pela Câmara está o ex-presidente da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) Pedro Sales, que havia sido lançado pelo PSD.

Também renunciaram às candidaturas de deputado federal Cabo Lorrane (PRD), Carlos Branquinho (Republicanos), Cláudio Meirelles (PSB), Felisberto Tavares (PP), Mônica de Paula (Missão), Neide Alves (DC) e Nicolina Tia Nicola (MDB).

Parte dessas vagas foi recomposta pelos partidos e federações. Cabo Lorrane, por exemplo, foi substituída por Sargento Wiviane na Federação PRD-Solidariedade. Carlos Branquinho deu lugar a Samuel da Ração no Republicanos. Neide Alves foi substituída por Edivania Silva no DC.

Já Pedro Sales, Nicolina Tia Nicola e Felisberto Tavares estavam, no levantamento mais recente, sem substitutos indicados.

Alego concentra maior número de desistências

Na disputa por uma das 41 cadeiras da Alego, renunciaram Agenor Curado (Novo), Aldenor Carneiro (PSB), Ana Paula da 44 (PL), Carlos Kozlowski (Solidariedade), Felix Ar Motociclista Entregador (MDB), Joaquim Guilherme (Mobiliza), Lidevam Lima (PSB), Lisieux Borges (PSDB), Macarrão do Esporte (PSOL), Márcio da Segurança Privada (Novo), Oziel Lirio (União Brasil), Raimundo da Casa da Saúde (PSD), Sargento Lorena (MDB) e Terapeuta Ariel Luz (PT).

A renúncia mais recente identificada no levantamento foi a de Joaquim Guilherme, do Mobiliza, homologada pelo TRE-GO na segunda-feira (7). Ele havia registrado candidatura a deputado estadual pelo número 33800.

Algumas desistências também foram seguidas de substituição. Lisieux Borges deu lugar a Rosa Maria, do Cidadania; Oziel Lirio foi substituído por Thiago do Vale, do União Brasil; e Terapeuta Ariel Luz deu lugar a Héllem Costa, do PT.

Quinze registros foram negados

Além das renúncias, o TRE-GO já havia indeferido 15 candidaturas proporcionais até o último levantamento.

Para deputado federal, tiveram registro negado Baiano do Picolé, Edivania Silva e Rosalina Proteção Animal, todos do DC.

Na disputa estadual, a lista tem Adão Ferraz (DC), Alexandre Cruz (PSOL), Ângela da Saúde (PT), Cidinha Araújo (DC), Diego Jejees (PSOL), Haroldo Shawlyn (DC), Margareth Lopes (Republicanos), Mauro do Alho (PSOL), Pastor Julio Cezar (Rede), Samara do Posto (DC), Tacileide Lemos (DC) e Wagner (DC).

As razões variam entre os processos e incluem problemas relacionados à quitação eleitoral, comprovação de filiação partidária, desincompatibilização e condições de elegibilidade. O simples indeferimento em primeira instância não significa necessariamente exclusão definitiva, já que algumas decisões ainda admitem recurso.

O que leva à desistência e quais os impactos

Para o professor e especialista em marketing político Marcos Marinho, parte das desistências ocorre porque candidatos entram na disputa sem dimensão real da estrutura necessária para sustentar uma campanha.

“A grande questão é que muita gente se aventura a sair candidata sem ter a real noção do que é o processo eleitoral. Na montagem das chapas, há muita conversa, promessa por parte de presidentes de partido e de políticos que enxergam naquela pessoa alguém que pode contribuir para sua própria eleição ou para ampliar sua presença em determinado território”, afirma.

Segundo Marinho, o choque ocorre quando a campanha deixa a fase de articulação e passa a exigir estrutura, equipe e recursos. “Quando a realidade se apresenta, aquele que se candidatou se assusta, porque é um processo tenso, complexo e difícil, que demanda estrutura e recurso.”

O especialista avalia que a expectativa em torno do financiamento partidário também pesa nesse processo. Segundo ele, candidatos com menor densidade eleitoral podem entrar na disputa contando com recursos que acabam direcionados prioritariamente aos nomes considerados mais competitivos pelas legendas.

“A história de se candidatar contando com fundo partidário sempre foi uma ilusão. É estratégica a forma como os presidentes de partido distribuem o recurso e nunca vai de maneira igualitária. É destinado a quem tem mais potencial de voto”, diz.

Marinho aponta que, diante de uma estrutura menor que a esperada, alguns candidatos preferem abandonar a eleição antes de assumir despesas que não conseguiriam sustentar. “Quando percebe que o dinheiro não vai aparecer, ou que o que vai aparecer é muito pequeno diante da demanda de uma campanha, prefere sair para não se endividar, tirar dinheiro do próprio bolso e terminar a eleição derrotado e com dívida.”

Na avaliação dele, a eleição de 2026 aumenta essa pressão pela presença de candidaturas já conhecidas e com estrutura consolidada. “É um pleito muito difícil, com nomes bastante pesados e gente com muita densidade eleitoral. Isso foi assustando quem chegou de última hora ou sem uma noção concreta de como é disputar uma eleição. Antes sair agora do que esperar até o final e terminar numa condição pior do que entrou.”

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