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Copa do Mundo, eleições e a oposição em Goiás


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 07/06/2026 - 08:00

No campeonato eleitoral, o governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB) entrou em junho, mês de Copa do Mundo, jogando com o placar a favor. A eleição ainda está longe do apito final, mas as pesquisas divulgadas nas últimas semanas mostram o chefe do Executivo goiano em vantagem e a oposição ainda tentando decidir quem entra em campo para enfrentá-lo.

A Goiás Pesquisas colocou Daniel com 32,6% das intenções de voto. O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) aparece em segundo, com 18,6%. O senador Wilder Morais (PL) vem depois, com 12,2%. Já o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno (PT) marca 3,1%, enquanto a socióloga e presidente do PSOL em Goiás, Cíntia Dias, tem 2,6%, e o ex-vereador e advogado Telêmaco Brandão (Novo) registra 1,1%.

A Directa, divulgada dias antes, mostrou o mesmo desenho, ainda que com outro placar: Daniel com 44,3%, Marconi com 23,1%, Wilder com 10,9% e Adriana Accorsi (PT) com 8,7%. 

Marconi é o nome da oposição que larga melhor. Tem camisa, o  mascote tucano, arquibancada conhecida e memória eleitoral. O problema é que também entra em campo com cartão pendurado. Na Goiás Pesquisas, aparece com 39% de rejeição. Daniel tem 13,1%.

É o dilema tucano. Marconi é o adversário mais próximo no placar, mas também o jogador mais visado. Tem largada, mas enfrenta um teto difícil de romper. Não por falta de conhecimento do eleitor. Ao contrário. O problema é que parte do eleitorado conhece demais o ex-governador. Lembram do Felipe Melo na Copa de 2010? Coisa parecida.

Wilder Morais joga outro jogo. O senador tem partido, mandato, estrutura e um campo ideológico que parece favorável. A Goiás Pesquisas mostra que 35,1% dos eleitores se declaram de direita e 14,5% de direita moderada. Somados, são quase metade do eleitorado. Mesmo assim, Wilder aparece com 12,2% para governador. 

A direita existe em Goiás. O bolsonarismo também. A pergunta é se, na atual conjuntura, essa força ainda tem potência suficiente para carregar uma candidatura estadual como a de Wilder Morais, contra um governo instalado no Palácio das Esmeraldas, com prefeitos, deputados e tempo político a favor.

O PL tem barulho, base digital e capacidade de pressão. Mas eleição majoritária não se ganha apenas no contra-ataque. É preciso ocupar território, organizar palanque, dar discurso local ao eleitor e transformar identidade ideológica em voto pessoal.

O PT vive uma situação ainda mais incômoda. Tem campo político, eleitorado potencial e a presença nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas não tem candidato definido. A Goiás Pesquisas aponta 14,4% de eleitores de esquerda e 10% de esquerda moderada, mas os nomes testados nesse campo não passam de 3,1%. É como ter meio-campo, posse de bola e torcida, mas entrar em campo sem centroavante.

A oposição, por ora, joga a favor do governador. Marconi tem voto, mas rejeição alta. Wilder tem ambiente ideológico, mas ainda não demonstrou tração suficiente, tampouco empolga o próprio eleitorado. O PT tem base potencial, mas segue sem nome consolidado. Cada um tem uma peça importante. Nenhum montou o time inteiro.

Daniel não está eleito. Pesquisa é fotografia, não súmula. Mas, neste momento, o governador joga com vantagem, campo aberto e adversários desorganizados. Para a oposição, o problema não é apenas tirar a diferença no placar. É decidir quem, afinal, vai bater a bola no meio de campo.

Luís César Bueno, ex-deputado estadual (Foto: Ruber Couto)


No PT, a indefinição virou problema político. Embora a Executiva estadual fale em cautela, a base já dá sinais de impaciência. Nos bastidores, o nome da deputada federal Adriana Accorsi voltou a ser citado para encabeçar a chapa, mas ela resiste. Com isso, cresce a possibilidade de o ex-deputado estadual Luís Cesar Bueno assumir o protagonismo da disputa. “A decisão, dificilmente, será tomada antes das convenções”, diz um interlocutor com trânsito na cúpula petista. 

 
“Mentira contada muitas vezes…”
Livre pela Justiça para disputar as eleições deste ano, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares quer passar uma borracha no passado. Em entrevista à Tribuna Política, ele destaca ter sido alvo de inúmeras mentiras. “Uma mentira contada muitas vezes não se torna verdade, mas pode estragar uma trajetória”, avalia.

“Não se torna verdade. Mas estraga”
Por isso, além das bandeiras que vai defender caso eleito, como melhorias na infraestrutura e transporte coletivo público gratuito, a estratégia de Delúbio passará também por contar “verdades” sobre sua trajetória. “Fui alvo de fakenews e lawfare. Isso não vai pautar a campanha, mas é claro que não vou perder a oportunidade de defender aquilo que fiz de bom”, pontua.

O cara do Lula em Goiás’
Questionado sobre a falta de definição do PT ante à disputa deste ano, Delúbio, que se apresenta como “o cara do Lula em Goiás”, responde: “Caberá a executiva estadual tomar a melhor decisão quanto ao assunto”, salienta.

Com a palavra, Delúbio Soares
“Eu sou militante do partido e sempre cumpri as decisões do partido. Se o partido no estado preferir e tiver a autorização do presidente Lula, eu cumpro a missão. Mas esse não é meu objetivo. Acredito que os atuais federais, tanto a Adriana quanto ao Rubens, têm melhores condições de cumprir essa função. Acredito também que o Gomide, o Mauro Rubem e a Bia de Lima, que são os estaduais, têm condições melhores do que as minhas. Fiquei 20 anos afastado da política”, destaca à coluna.

Dobradinha liberal
O vereador e pré-candidato a deputado estadual Willian Veloso e o pré-candidato a deputado federal Major Vitor Hugo, ambos do PL, anunciaram uma parceria política voltada para fortalecer as ações sociais, inclusão e desenvolvimento humano em Goiás na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. 

Bandeiras
A aliança reúne duas lideranças que têm atuado na destinação de recursos e apoio a instituições que trabalham diretamente com famílias em situação de vulnerabilidade e pessoas com deficiência na Câmara de Goiânia. De acordo com interlocutores, o objetivo da aliança é ampliar a presença dessas políticas em diferentes regiões do estado.

Sem Faedo
A desistência de Flávio Faedo devolveu o PT ao ponto de partida na montagem da chapa majoritária. O produtor rural era tratado como aposta para tentar furar resistências no agronegócio, mas comunicou que não entrará na disputa. A saída aumentou a pressão sobre a direção estadual.

Nova rodada
O Grupo de Trabalho Eleitoral do PT voltou a se reunir para discutir o nome que disputará o Governo de Goiás. Valério Luiz Filho e Luís Cesar Bueno seguem colocados. Nos bastidores, o nome do ex-reitor do IFG Jerônimo Rodrigues também passou a circular como alternativa.

Pressão em Adriana
A deputada federal Adriana Accorsi segue como o nome mais lembrado quando o partido fala em densidade eleitoral. O problema é que ela resiste à candidatura ao governo e trabalha com a perspectiva de disputar a reeleição à Câmara. No PT, a solução desejada pela cúpula nem sempre é a mesma que cabe no projeto pessoal de seus quadros.

PV quer espaço
O PV indicou o advogado Ricardo Dias para disputar o Senado pela frente democrática. O movimento pressiona a federação e os partidos aliados a abrirem espaço na chapa majoritária. A esquerda ainda não resolveu quem será o cabeça de chapa, mas a fila para o Senado já começou a andar. Vale lembrar que o PSB quer espaço na mesma corrida majoritária e já indicou o nome da ex-deputada estadual Isaura Lemos.

Base na estrada
Enquanto a oposição discute escalação, Daniel Vilela prepara novos encontros regionais da base governista. Uruaçu, Itumbiara, Campos Belos e Trindade estão no roteiro antes da convenção conjunta dos partidos aliados. A estratégia é simples: manter a tropa reunida antes que a campanha comece de fato.

Mendanha na pista
Gustavo Mendanha calculou a rota em busca de se firmar como pré-candidato ao Senado. Ato contínuo, ele declarou apoio a Luiz do Carmo na disputa pela vice de Daniel. O ex-prefeito de Aparecida vai intensificar agendas no interior e promete lançar oficialmente a pré-candidatura dentro do mês de junho.

Discurso de Marconi
Marconi Perillo tenta transformar experiência em ativo eleitoral. Em entrevista, disse que não envelheceu, mas amadureceu. A frase resume a aposta tucana: vender bagagem administrativa como resposta ao desgaste acumulado. O desafio é convencer o eleitor de que passado pode ser apresentado como solução, não como problema.

Wilder e o agro
Wilder Morais tenta ocupar uma faixa sensível do eleitorado goiano: o campo. O senador cobrou rapidez na votação de projeto para renegociação de dívidas rurais e citou juros altos, queda das commodities e impactos climáticos. 

 

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