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Bloqueio dos EUA duplica mortalidade infantil em Cuba e derruba sobrevivência de crianças com câncer

Taxa de mortalidade infantil saltou de 4,0 para 9,9 por mil nascidos vivos entre 2018 e 2025, segundo estudo do CEPR; índice de sobrevivência de crianças com câncer caiu de 85% para 65%


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 18/06/2026 - 18:24

Bloqueio dos EUA duplica mortalidade infantil em Cuba e derruba sobrevivência de crianças com câncer
Bloqueio dos EUA duplica mortalidade infantil em Cuba e derruba sobrevivência de crianças com câncer - Jorge Luis Bantos

A taxa de mortalidade infantil em Cuba duplicou em menos de uma década como consequência do recrudescimento do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. O dado consta de um relatório do Centro de Pesquisa em Economia e Política (CEPR), sediado em Washington, e foi divulgado pelo portal Cubadebate com base em informações do Ministério da Saúde Pública de Cuba (MINSAP) .

O indicador saltou de 4,0 mortes por mil nascidos vivos em 2018 para 9,9 em 2025, um aumento de 148%. O relatório estima que, se a taxa tivesse se mantido nos níveis anteriores, aproximadamente 1.800 bebês não teriam morrido .

O documento vincula a deterioração da saúde infantil à asfixia financeira e energética derivada das ordens executivas assinadas pelo governo estadunidense em 29 de janeiro e 1º de maio de 2026 . As medidas, segundo o CEPR, custaram a vida de crianças que não conseguiram sobreviver à falta de recursos médicos essenciais, num contexto em que 80% da população da ilha sofre os efeitos do cerco econômico .

Impacto no tratamento oncológico infantil

O setor oncológico infantil é um dos mais afetados. O índice de sobrevivência entre crianças com câncer despencou de 85% para 65%, resultado direto do desabastecimento energético que paralisa hospitais, afeta a conservação de medicamentos e interrompe tratamentos contínuos .

A crise mantém atualmente 12.000 crianças em lista de espera para cirurgias, parte de um universo superior a 100.000 cubanos que aguardam procedimentos eletivos ou reconstrutivos — entre eles 5.152 pacientes oncológicos .

Em março de 2025, um diplomata cubano na Organização das Nações Unidas (ONU) já havia denunciado a queda na sobrevivência de crianças com câncer para 65%, atribuindo o fato ao desabastecimento energético causado pelo bloqueio .

Escassez de medicamentos e vacinas

O Programa Nacional de Imunização, que cobre 16 vacinas, encontra-se sob ameaça real de interrupção. As restrições do bloqueio dificultam a aquisição de matérias-primas, equipamentos e recursos financeiros para sustentar a produção nacional de vacinas . Ao mesmo tempo, 300 dos 395 medicamentos do Quadro Básico de Saúde estão em falta .

A produção de diagnosticadores da indústria nacional para detecção precoce do câncer também foi paralisada . Em 2025, o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, já havia afirmado que a taxa de sobrevivência de crianças com câncer havia caído de 85% para 65% e que cerca de 100.000 pacientes, incluindo 12.000 crianças, estavam à espera de cirurgias .

Impacto na alimentação infantil

A fome e a desnutrição agravam o quadro. Mais de 100.000 crianças deixaram de receber o litro de leite diário subsidiado pelo Estado porque a escassez de combustível impede o transporte do produto das unidades produtoras para os centros urbanos . A redução no fornecimento de trigo, causada por entraves logísticos e financeiros, obrigou as autoridades a entregar apenas 50% da farinha necessária, reduzindo o peso do pão racionado de 80 para 60 gramas .

O bloqueio energético impede a utilização de 1.400 megawatts de geração elétrica distribuída, provocando apagões médios superiores a 20 horas diárias . A falta de luz afeta a iluminação, a cocção de alimentos, o acesso à água potável e as comunicações, num ciclo de privações que atinge principalmente famílias com crianças pequenas .

Mercadorias retidas e impacto econômic

Nos portos, 170 contêineres de produtos essenciais — equivalentes a 6,3 milhões de dólares — permanecem parados, assim como 11.000 toneladas de alimentos do Programa Mundial de Alimentos e carregamentos da UNICEF e do PNUD . A ordem executiva de 1º de maio ampliou os efeitos extraterritoriais do bloqueio, forçando a retirada de corporações estrangeiras do mercado cubano .

O governo cubano denunciou que o impacto do bloqueio no sistema de saúde é imenso, afetando a disponibilidade de medicamentos, insumos e equipamentos . O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a situação como inaceitável. “É inaceitável que crianças morram por falta de suprimentos médicos essenciais. Essas sanções devem ser levantadas imediatamente”, afirmou .

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