Itamaraty confirma 35 mortes e 92 desaparecidos; Ucrânia reformula contratos e oferece até R$ 53 mil mensais para atrair combatentes.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou, nesta quarta-feira (29), 35 mortes e 92 desaparecimentos de brasileiros na Guerra da Ucrânia . O número de óbitos mais que dobrou desde dezembro do ano passado. Contagens não oficiais colocam o Brasil entre os países com maior número de estrangeiros mortos no conflito, atrás apenas de Estados Unidos e Colômbia . Um dos casos mais recentes é o de Edi Soares de Souza, morto em combates na região de Zaporíjia.
A Ucrânia intensificou o recrutamento de estrangeiros para reforçar suas tropas após mais de quatro anos de invasão russa . Canais oficiais publicam conteúdos em português, e há uma companhia militar formada majoritariamente por falantes do idioma e liderada por brasileiros . Os novos contratos exigem permanência mínima de seis meses, oferecem facilidades migratórias e podem pagar o equivalente a R$ 53 mil mensais, conforme a função e a proximidade da linha de frente.
A presença de brasileiros no conflito expõe riscos jurídicos e denúncias de abusos. O governo russo classifica voluntários estrangeiros que combatem ao lado da Ucrânia como mercenários e nega a eles as proteções destinadas a prisioneiros de guerra . Kiev contesta essa posição e sustenta que integrantes da Legião Internacional assinam contratos oficiais . Em 2025, o caso do brasileiro Bruno Gabriel Leal da Silva, encontrado morto em uma base militar com sinais de tortura, colocou sob escrutínio uma unidade composta majoritariamente por brasileiros. A Procuradoria Militar da Ucrânia investiga o caso como homicídio culposo por negligência.
Ao contrário da Colômbia, o Brasil não aderiu à Convenção da ONU contra mercenários, criando uma lacuna jurídica sobre a participação de cidadãos em conflitos estrangeiros . O Itamaraty emitiu alerta recomendando que brasileiros evitem qualquer envolvimento com forças armadas estrangeiras. A pasta destaca que a assistência consular pode ser severamente limitada e que voluntários podem estar sujeitos a persecução penal no Brasil, com base no artigo 7º do Código Penal.
Brasileiros em zonas de conflito armado que precisem de assistência consular devem entrar em contato com as Embaixadas do Brasil nos países em que se encontrem ou com o plantão da Divisão de Comunidades Brasileiras e Assistência Consular do Itamaraty, pelo telefone +55-61-98260-0610. O governo recomenda fortemente que convites ou ofertas de trabalho em exércitos estrangeiros sejam recusados.
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