A eleição para o Senado virou o nó mais sensível da base governista em Goiás. A disputa pelo governo está organizada em torno de Daniel Vilela. A vice provoca ruído, mas aliados apostam que, quando o martelo for batido, os que hoje disputam espaço vão se abraçar. “Luiz do Carmo, Adriano Rocha Lima e José Mário Schreiner querem ver a reeleição de Daniel Vilela antes de qualquer disputa”, avalia um aliado.
O problema mais difícil está nas duas vagas ao Senado. A base tem nomes demais para pouco espaço político. “Está se repetindo o mesmo que aconteceu em 2022 e parece não haver caminho de volta. Quem está no jogo não recua. Vejo um cenário com uma desistência. No mais, é isso aí que está posto”, avalia um palaciano.
A ex-primeira-dama Gracinha Caiado trabalha para ser o principal nome do grupo. Vanderlan Cardoso tenta consolidar a reeleição. O ex-prefeito de Aparecida Gustavo Mendanha, que até pouco tempo atrás trabalhava para ser vice de Daniel, agora anda pelo interior em pré-campanha declarada ao Senado.
Em 2022, a base do então governador Ronaldo Caiado, hoje no PSD, lançou Delegado Waldir, Alexandre Baldy e Vilmar Rocha ao Senado. Nenhum venceu. Quem cresceu e levou a única vaga foi Wilder Morais, do PL. A lembrança ainda pesa nas conversas.
Com Alexandre Baldy confirmado como suplente de Gracinha Caiado, ele sai da linha de frente e ajuda a fortalecer a chapa de Gracinha. É também uma tentativa de reduzir o impacto do que aconteceu quatro anos atrás, quando o excesso de candidaturas governistas favoreceu a dispersão. “O governador quer eleger a Gracinha. Isso é o mais importante”, salienta.
O problema é que acomodar Baldy não resolve toda a conta. Não há sinais de eventuais desistências. Gracinha reluta com a multiplicidade de candidaturas no mesmo campo. Sabe que uma campanha ao Senado exige capilaridade, palanque e clareza de prioridade. Ao mesmo tempo, já trabalha com a hipótese de fazer dobradinhas com aliados que também disputarão a vaga.
Na prática, a base pode tentar transformar concorrência em convivência. Gracinha pode pedir voto ao lado de Mendanha em uma região, de Zacharias Calil e Vanderlan em outra.
Mendanha é o caso mais emblemático. Fez “campanha” por meses para ser vice de Daniel. Ao migrar para o Senado, incomodou aliados e aqueles que já estavam na estrada, mas não titubeou. Passou a rodar o interior com discurso próprio.
Vanderlan nem de longe joga para recuar. Tem mandato, estrutura, recall e interesse direto na reeleição. Sua presença obriga a base a lidar com uma campanha em que nem todos aceitarão papel secundário.
Esse é o dilema de Daniel e Caiado. A base precisa parecer unida para sustentar a candidatura ao governo, mas terá de conviver com uma disputa interna dura pelo Senado. O risco é repetir 2022 com personagens diferentes: muitos aliados pedindo voto, pouca coordenação e adversário ocupando o espaço da clareza. Sem definir prioridade, a base pode chegar a 2026 com excesso de aliados no palanque e falta de comando na urna. A oposição pede passagem.
Chamou atenção, durante o evento na última quinta-feira (25), em que Daniel Vilela entregou carros, ambulâncias e bicicletas elétricas a 156 municípios, o assento reservado ao presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner. “O curioso caso do homem sem cargo, mas com cadeira marcada”, brincou um aliado, em tom bem-humorado. Zé Mário, como se sabe, faz campanha aberta para ser vice na chapa do atual governador.
Pacote fardado
A Alego aprovou o pacote do governo para a Segurança Pública. A medida cria auxílio-alimentação, reajusta indenizações e mexe no efetivo da Polícia Militar. Daniel Vilela reforça uma área que já é central no discurso da base. Segurança segue sendo política pública e ativo eleitoral.
Meia vitória
O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Goiás, Renato Rick, avalia à coluna que o pacote da segurança aprovado trouxe avanços, mas deixou pendências importantes. Segundo ele, a equiparação da Polícia Civil com a Polícia Penal foi resolvida apenas no topo da carreira, enquanto o meio ainda mantém distorções. O auxílio-alimentação de R$ 1 mil agradou servidores da ativa, mas gerou insatisfação entre aposentados, que não foram contemplados. Ainda assim, Renato elogia os esforços de Daniel Vilela em atender todas as demandas.
Com a palavra
“Apesar de terem gargalos ainda a serem resolvidos, não posso negar que não faltou esforço do atual governador em contemplar todas as medidas. Ficou o compromisso da parte dele em atender o restante das demandas, em uma eventual reeeleição”, descreve Renato.
Teto repartido
A Assembleia também aprovou a divisão do teto de gastos entre os Poderes no âmbito do Propag. O assunto é técnico, mas político. Daniel começa a lidar com uma etapa menos vistosa do governo: organizar limite fiscal, negociar espaço orçamentário e evitar atrito institucional.
Máquina na ponta
Daniel entregou veículos, ambulâncias, tratores, bicicletas elétricas, cadeiras de rodas e equipamentos a municípios goianos. O governo fala em R$ 108 milhões. Mais do que entrega administrativa, é aceno direto a prefeitos e um reforço à gestão municipalista. Um gesto de continuidade, inclusive. Na agenda, Vilela chamou Caiado de “sempre governador”.
Campanha paga
Levantamento da Biblioteca de Anúncios da Meta mostra Marconi Perillo, Clécio Alves e Gustavo Gayer entre os políticos que mais impulsionaram conteúdos em Goiás nos últimos 90 dias. O PT também aparece na lista. A pré-campanha já está no ar.
Cada um por si
A disputa ao Senado começa a produzir apoios cruzados dentro da própria base governista. O discurso oficial ainda fala em unidade, mas, na prática, vereadores e deputados já montam suas próprias dobradinhas para 2026.
MDB fora da linha
No MDB, Lucas Vergílio é um exemplo. Vereador por Goiânia e pré-candidato a deputado federal, ele está no partido de Daniel Vilela, mas apoia Gustavo Mendanha, do PRD, na corrida ao Senado. Isso mesmo com Zacharias Calil nas fileiras emedebista, que mantém projeto rumo à Casa Alta.
Outro MDB
Cairo Salim segue por outro caminho. Deputado estadual pelo MDB, ele trabalha com Gracinha Caiado, do UB, e Vanderlan Cardoso, do PSD, para o Senado. No mesmo partido, portanto, há pelo menos duas leituras diferentes sobre como atravessar a eleição majoritária.
Podemos (?) com Gayer
No Podemos, Igor Franco também saiu do roteiro governista. O vereador, que deixou o MDB na janela partidária, apoia Gustavo Gayer, do PL, para o Senado. Gayer, aliás, nem integra a base caiadista. É adversário direto do grupo que sustenta Daniel Vilela.
Quarta via
Na disputa pela vice de Daniel Vilela, um quarto nome começou a circular nos bastidores: Vilmar Rocha, ex-deputado estadual, ex-deputado federal e presidente de honra do PSD em Goiás. Ele nega articulação própria e diz ser contra qualquer disputa interna, mas crava uma certeza à coluna: “Não tenho dúvidas de que o vice de Daniel será uma indicação do meu partido”.
Irreversível
Um ato previsto para a próxima quinta-feira (2), com a presença do presidente nacional do PT, Edinho Silva, vai confirmar de vez a pré-candidatura do ex-deputado estadual Luís César Bueno ao Palácio das Esmeraldas. É o lançamento do projeto nas eleições deste ano.
Engenheiros nas urnas
Engenheiros goianos vão às urnas na próxima sexta-feira (3) para eleger o próximo presidente da entidade. A votação será online. Concorrem ao cargo Tatiana Jucá, Ulysses Sena, Idalino Hortêncio e Roberto Viana. Este último tem o apoio do atual presidente, Lamartine Moreira. Jucá conta com o apoio de Francisco Almeida, ex-presidente da entidade.













