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Faedo retira pré-candidatura, e PT sai de agenda de Lula em Goiás sem nome ao governo

Produtor rural diz que não conseguiu conciliar atividades com uma campanha; visita presidencial foi dominada por críticas à família Bolsonaro


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 03/06/2026 - 08:15

A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por Goiás nesta terça-feira (2) não destravou a candidatura do PT ao governo estadual. Pelo contrário: ao fim das agendas em Catalão e Rio Verde, o partido saiu sem nome definido e com a retirada do produtor rural Flávio Faedo, que era tratado por parte da legenda como alternativa para encabeçar a chapa.

“Decidi retirar a candidatura. Fiquei honrado com o convite, mas não consegui conciliar as minhas atividades para enfrentar uma campanha de tanta responsabilidade”, afirmou Faedo ao repórter e colunista da Tribuna do Planalto, Domingos Ketelbey.

A expectativa nos bastidores era de que a passagem de Lula pelo interior goiano pudesse produzir algum desfecho. Faedo era aguardado como possível nome para comunicar sua decisão, qualquer que fosse ela. A resposta veio, mas não na direção esperada pelo grupo que defendia uma definição imediata.

Agenda institucional

Questionada pela coluna, a deputada federal Adriana Accorsi, presidente estadual do PT em Goiás, afirmou que o debate sobre a candidatura petista não estava na pauta da passagem presidencial pelo estado. Segundo ela, os compromissos de Lula eram “institucionais”.

A explicação se confirmou no roteiro público. Lula concentrou as agendas em entregas na área de educação e saúde. Em Catalão, participou de compromissos ligados ao Instituto Federal Goiano e à Universidade Federal de Catalão. Em Rio Verde, visitou o Hospital Municipal Universitário.

A política local, no entanto, corria por fora. O PT goiano chegou à visita presidencial pressionado por uma definição. Saiu dela com uma alternativa a menos.

Nome do agro sai da mesa

Faedo havia ganhado espaço por representar uma tentativa de aproximação do PT com o setor produtivo. Produtor rural, ele era visto por uma ala da legenda como um nome capaz de reduzir resistências do partido em Goiás, estado onde o agronegócio tem peso econômico e político.

A tese tinha apelo simbólico: colocar um produtor rural na cabeça de chapa justamente no momento em que Lula tenta conversar com setores refratários ao petismo. Mas a operação esbarrou na realidade de uma candidatura majoritária, que exige tempo, estrutura, exposição e disposição para enfrentar uma campanha estadual.

Divisão interna

A retirada também expõe uma divisão interna. Um grupo queria a publicação rápida da resolução com Faedo como candidato ao governo. Para essa ala, a legenda precisava sair da indefinição e apresentar logo um nome capaz de servir de palanque para Lula em Goiás.

Outro grupo nunca viu Faedo como candidatura suficientemente competitiva. A avaliação era de que o partido não deveria transformar a pressão por prazo em escolha precipitada. Eles defendem uma aliança com o ex-governador Marconi Perillo, do PSDB ou até mesmo que Adriana Accorsi recue da reeleição à Câmara dos Deputados e encabece o projeto. Ambas as possibilidades são consideradas praticamente impossíveis por interlocutores.

Essa mesma ala defende que a legenda avalie melhor o cenário antes de bater o martelo. O argumento é que uma candidatura ao governo não serve apenas para cumprir tabela. Ela precisa organizar a federação, dialogar com a campanha nacional de Lula e evitar prejuízo às chapas proporcionais.

Com a desistência, essa segunda leitura ganha força. O PT terá de voltar às alternativas anteriores, entre elas a própria Adriana Accorsi, nomes internos da federação e possíveis composições que ainda dependem de negociação nacional. A deputada federal, contudo, reforça intenção de se candidatar à reeleição e resiste ao projeto.

Lula nacionaliza o palanque

Enquanto o PT goiano esperava um sinal sobre a sucessão estadual, Lula escolheu outro caminho. Em Catalão, o presidente nacionalizou o discurso. Fez críticas duras à família Bolsonaro, reagiu à nova ameaça de tarifa dos Estados Unidos contra produtos brasileiros e tentou transformar o tarifaço de Donald Trump em debate sobre soberania nacional.

O presidente chamou os filhos de Bolsonaro de “traidores” e acusou aliados do ex-presidente de buscarem interferência estrangeira contra o Brasil. “Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, afirmou. O discurso serviu ao Planalto, mas não resolveu o impasse local. Lula falou ao país. O PT goiano continuou sem candidato.

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