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Em Catalão, Lula chama filhos de Bolsonaro de “traidores” e reage a novo tarifaço de Trump

Presidente associa pressão dos Estados Unidos à articulação bolsonarista em Washington e diz que Brasil vai buscar outros mercados


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 02/06/2026 - 12:53

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o discurso desta terça-feira (2), em Catalão, para transformar a nova ameaça de tarifa dos Estados Unidos contra produtos brasileiros em embate político com o bolsonarismo. Diante de uma plateia reunida em agenda de educação e saúde, Lula acusou filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de atuarem contra o Brasil em Washington e classificou o movimento como traição.

A fala ocorreu no mesmo dia em que o governo Donald Trump avançou na proposta de uma tarifa punitiva de 25% sobre parte das importações brasileiras. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, após investigação sobre práticas comerciais do Brasil em áreas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

Lula retomou a crise criada em julho do ano passado, quando os Estados Unidos impuseram tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo o presidente, a justificativa americana era falsa porque os EUA não teriam déficit com o Brasil.

“O superávit americano com o Brasil, nos últimos 15 anos, ultrapassa 415 bilhões de dólares”, afirmou. “Quem tinha que aumentar a taxação éramos nós, não eles.”

O presidente disse que reagiu à primeira ofensiva com artigos em jornais americanos, cartas ao governo dos Estados Unidos e conversa direta com Trump. “A minha guerra é a guerra da verdade contra a mentira, é a guerra da narrativa”, afirmou.

Filhos de Bolsonaro na mira

O tom mais duro veio quando Lula mirou os filhos de Bolsonaro. Sem poupar adjetivos, o presidente citou publicações feitas por integrantes da família em apoio à pressão americana contra o Brasil e disse que eles teriam recorrido ao governo estrangeiro para tentar atingir seu governo.

“São traidores. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, afirmou Lula.

O presidente também citou a ida de integrantes da família Bolsonaro aos Estados Unidos e a conversa com Marco Rubio, secretário de Estado do governo Trump. Para Lula, a nova proposta de tarifa de 25% surgiu depois dessas articulações e em meio às negociações abertas entre os dois governos.

“Quando nós estávamos em negociação, quando eu tinha tido uma reunião com o presidente Trump”, disse Lula. Em seguida, voltou a atacar: “Esse filho do Bolsonaro consegue ser pior do que ele”.

Agro no centro

O discurso em Catalão teve dois alvos simultâneos. Para fora, Lula tentou enquadrar a pressão americana como disputa de soberania econômica. Para dentro, buscou colar no bolsonarismo a imagem de força política disposta a prejudicar empresas, produtores e trabalhadores brasileiros para atingir o governo.

“Ele não sabe que ele não vai prejudicar o Lula. Ele vai prejudicar é o povo brasileiro. Ele vai prejudicar é o empresário brasileiro. Vai prejudicar é o agronegócio nosso”, afirmou.

A menção ao agronegócio não foi casual. Lula discursou em Goiás, estado de forte peso agroindustrial e historicamente resistente ao PT. Mais tarde, o presidente seguiria para Rio Verde, um dos principais polos do agronegócio nacional.

No mesmo dia, o governo brasileiro comemorou a decisão da China de reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa, medida que abre espaço para ampliar exportações de carne ao mercado chinês.

Lula usou o gesto chinês como contraponto à pressão americana. “Eu não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, pode ficar com as coisas. Eu vou vender para outro”, afirmou.

Terras raras e soberania

O presidente também conectou a disputa comercial ao tema das terras raras e minerais críticos. Lula disse ter entregue a Trump um documento sobre o assunto e afirmou que o governo brasileiro vai tratar o setor como tema de soberania nacional.

“O Brasil é o segundo país do mundo em terras raras e minerais críticos”, declarou. “Nós vamos transformar os minerais críticos e a terra rara numa questão de soberania nacional. É uma questão de Estado.”

Lula defendeu que o país deixe de exportar apenas matéria-prima barata para recomprar produto industrializado a preço elevado. Citou o ouro e o minério de ferro como exemplos históricos de exploração econômica sem agregação de valor dentro do Brasil.

“A gente agora quer ser dono do nosso nariz. Os minerais críticos são nossos. As terras raras são nossas”, afirmou.

A fala teve peso adicional por ocorrer em um instituto federal, diante de jovens estudantes. Lula elogiou um laboratório voltado ao estudo de terras raras e disse que o país precisa formar conhecimento técnico para dominar a separação, industrialização e uso desses minerais.

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