Victor Shimada, alvo de prisão temporária na Operação Exchange, não foi localizado; diretor da PF afirma que alerta dos americanos dificultou o trabalho dos investigadores
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (3) a Operação Exchange, que apura lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira estão entre os 11 alvos de prisão temporária. Stella Stefanie foi presa, mas Shimada está foragido.
Na quarta-feira (1), ambos foram sancionados pelo governo de Donald Trump por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As empresas de Shimada também foram alvo das sanções americanas.
Segundo a PF, a sanção americana causou prejuízo à operação, que teve de ser adiantada. A avaliação é que a decisão dos EUA soou como um alerta aos investigados. “Não houvesse essa designação, o desfecho seria outro. Não localizamos Shimada. Houve um prejuízo à investigação”, respondeu o diretor da PF, Andrei Rodrigues.
A Justiça autorizou a operação no dia 2 de junho, mas houve dificuldade em localizar todos os alvos. As apurações da PF indicam que os investigados utilizavam um sistema estruturado para movimentar recursos, por meio de transferências ilícitas de criptomoedas, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. Investigações preliminares identificaram movimentações superiores a R$ 10 bilhões.
Shimada foi condenado pela Justiça Federal no ano passado por lavagem de dinheiro e furto qualificado mediante fraude eletrônica. Ele foi investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo em um inquérito que apurou irregularidades no contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet, que levou à denúncia contra o ex-presidente do clube, Augusto Melo.
Na época, Victor Shimada foi incluído na denúncia e chegou a ser detido provisoriamente por lavagem de dinheiro e furto qualificado. Segundo o MP de São Paulo, ele teria lavado R$ 35 milhões por meio de diversas contas em criptomoedas. A defesa de Shimada afirmou que ainda não teve acesso às decisões judiciais e que qualquer manifestação seria precipitada.
Suposto elo com o PCC
Todas as empresas sancionadas pelos EUA pertencem a Victor Shimada: Victory Trading, Pixwave Soluções de Pagamentos, Wave Construções Inteligentes e a portuguesa Avenidas Flutuantes. O Tesouro americano afirma que Shimada atuava como elo central entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais, tendo lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos.
A GP8 Pay, fintech de Stella Stefanie, havia sido apontada pelos policiais brasileiros como sendo 98% de propriedade de Shimada. Ela, no entanto, não aparece nas investigações brasileiras, que também não fazem relação com o PCC.
O promotor Lincoln Gakiya, que investiga o PCC há décadas, afirmou à BBC desconhecer a suposta relação dos sancionados com a facção.
“Aqui ele respondeu por outros crimes, inclusive pelo caso da VaideBet. Mas não consta que Victor ou Stella sejam ligados ao PCC.”
O que acontece com os sancionados
As sanções bloqueiam todos os bens e interesses nos EUA ou sob controle de cidadãos americanos. Qualquer entidade pertencente, direta ou indiretamente, em 50% ou mais a uma pessoa bloqueada também fica sujeita a bloqueio. Pessoas e empresas americanas ficam proibidas de realizar transações com os alvos.
No fim de maio, os EUA classificaram o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida que, para alguns analistas, pode trazer consequências para empresas de diversos segmentos.
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