“Dollynho, seu amiguinho”, bordão que marcou os brasileiros nas propagandas da marca de refrigerantes Dolly, pode estar próximo de se tornar apenas uma lembrança. As procuradorias do Estado de São Paulo e da Fazenda Nacional protocolaram, na quarta-feira (1º), um pedido conjunto de falência das empresas que integram o Grupo Dolly, responsável pela tradicional fabricante de refrigerantes.
A solicitação foi encaminhada à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, responsável por conduzir o processo de recuperação judicial da empresa, iniciado em 2018. Após quase oito anos de tramitação, o procedimento foi extinto em maio deste ano sem que houvesse uma solução definitiva para a crise financeira do grupo.
Com o encerramento da recuperação judicial, a empresa passou a tentar uma recuperação extrajudicial, modalidade em que busca negociar diretamente com os credores, sem a condução do Judiciário. No entanto, segundo as procuradorias, a Dolly não conseguiu cumprir os requisitos legais necessários para dar continuidade ao novo processo.
Na petição, os órgãos públicos afirmam que o grupo utilizou a recuperação judicial para ganhar tempo, suspendendo execuções fiscais e dificultando medidas de bloqueio de bens, sem promover a regularização de seus débitos tributários. De acordo com o documento, todas as tentativas convencionais de cobrança realizadas pela União e pelo Estado de São Paulo foram frustradas.
O passivo tributário do Grupo Dolly é estimado em R$ 15,746 bilhões em inscrições de dívida ativa. Conforme os procuradores, grande parte desse valor é considerada exigível e não possui garantias suficientes para assegurar o pagamento.
A ação também aponta indícios de manipulações contábeis, sucessões societárias e confusão patrimonial entre empresas do grupo. Segundo a petição, essas práticas teriam sido utilizadas para esvaziar empresas, transferir patrimônio, criar novas sociedades para dar continuidade às operações e dificultar a cobrança dos tributos.
As procuradorias sustentam que a decretação da falência é a única medida capaz de permitir a arrecadação universal dos bens, aprofundar a investigação patrimonial, responsabilizar eventuais administradores e buscar a recuperação de ativos que possam ter sido desviados. Até a publicação do pedido, o Grupo Dolly não havia se manifestado sobre o processo.













