Ibama recomendou avaliação integrada de impactos. Moradores acusam Prefeitura de incoerência e pedem anulação de certidão que autorizou o licenciamento da mineradora australiana.
O parecer técnico do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) acendeu o sinal de alerta no Planalto de Poços de Caldas. O órgão federal recomendou a avaliação integrada dos impactos acumulativos de projetos de extração de terras raras na região. Entre os riscos apontados estão contaminação do lençol freático, alteração de águas subterrâneas próximas ao passivo nuclear da antiga mina da INB e ameaças aos mananciais dos rios Mogi Guaçu e Pardo.
A questão adquire uma dimensão que ultrapassa as fronteiras de Minas Gerais. A bacia hidrográfica da região integra um sistema maior de cursos d’água. O aquífero e os rios afetados não seguem limites municipais ou estaduais . Uma contaminação no lençol freático em Poços de Caldas poderia, em tese, comprometer rios que percorrem outros estados, incluindo Goiás, impactando o abastecimento de cidades, a agricultura e a biodiversidade .
O alerta impulsionou a mobilização popular em Poços de Caldas. O Projeto Colossus, da mineradora Viridis, prevê escavações a apenas 270 metros de residências, escolas e postos de saúde na Zona Sul. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) já confirmou que os projetos não possuem risco radiológico e que os níveis de radioatividade estão abaixo do limite de isenção definido pela norma . O licenciamento ambiental é conduzido pelo Estado de Minas Gerais.
Em resposta, a Prefeitura Municipal enviou ofícios ao Estado pedindo que a atividade não seja autorizada próxima a áreas habitadas. A atitude do Executivo, no entanto, gerou forte reação de moradores e movimentos socioambientais, como o Terra Viva Aguarara e o Rara é a Vida. Liderando a campanha #AnulaPrefeito, os grupos acusam a gestão de incoerência.
A principal crítica é que a própria Prefeitura concedeu, em fevereiro de 2024, a Certidão de Uso e Ocupação do Solo que dá respaldo jurídico para o avanço do licenciamento. Como o controle do solo urbano é prerrogativa constitucional do município, a comunidade exige que o prefeito Paulo Ney anule o documento de 2024. A revogação pode retirar a base legal do empreendimento e travar a Licença de Instalação (LI).
Ambientalistas e autoridades também cobraram uma análise técnica detalhada dos impactos em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em novembro de 2025 . As principais preocupações incluem o risco para o abastecimento de água, a poluição causada pela poeira e a proximidade com o único hospital da Zona Sul, a 300 metros de uma das cavas .
O processo de licenciamento enfrenta críticas adicionais. Os projetos utilizam a lixiviação de argila iônica, uma técnica de mineração que emprega solução química para extrair os minerais. A região abriga 98 nascentes e é área de recarga de aquífero . O município de Andradas também deve receber medidas mitigadoras, já que recebe influência do escoamento da produção via BR-146 .
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