Exercício com Chile e Argentina ocorreria no dia em que Washington reivindicou ‘domínio’ sobre a América Latina. FAB não foi informada.
O governo dos Estados Unidos adiou por tempo indeterminado um exercício militar aéreo em conjunto com Chile e Argentina, que seria realizado na última terça-feira (11) em espaço aéreo próximo ao território brasileiro . A demonstração, na qual participariam bombardeiros estratégicos B-52, serviria como ato simbólico de reivindicação da influência de Washington sobre a região, segundo fontes diplomáticas.
A ação coincidiria com a publicação, pelo Departamento de Estado americano, de uma postagem na qual era exaltada a Doutrina Monroe. A doutrina, que desde o século 19 define a América Latina como zona de influência exclusiva dos EUA, foi atualizada na Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump.
Pelo plano inicial, três bombardeiros B-52H Stratofortress decolariam de sua base em Minot, na Dakota do Norte, voariam até o Cone Sul e seriam acompanhados por caças F-16 do Chile e da Argentina . Sete aviões-tanque baseados na Flórida dariam suporte à missão, que poderia durar até 29 horas.
Segundo o Comando Sul das Forças Armadas dos EUA, o adiamento ocorreu “devido a outras exigências operacionais”, mas não detalhou o motivo . O site chileno Zona Defensa apontou uma falha em um dos aviões-tanque KC-135 como a causa do cancelamento. A missão, no entanto, ainda deverá acontecer.
Contexto de crise diplomática
O exercício ocorreria em meio à pior crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O governo Trump sobretaxou importações de produtos brasileiros e cassou o visto da representante do Brasil em Washington. A Aeronáutica brasileira não foi informada da manobra porque ela não utilizaria o espaço aéreo nacional.
O timing da operação chamou atenção de oficiais da Força Aérea Brasileira. Segundo um diplomata americano, o governo Trump quis demonstrar alinhamento com seus seguidores ideológicos na América do Sul, em oposição ao crescente mal-estar com o governo Lula no Brasil.
Alianças regionais
Argentina e Chile, governados por líderes aliados ideológicos de Trump, participariam da operação. A Argentina incorporou recentemente 24 caças F-16 da Dinamarca, e seis deles já estão no país. O Chile possui 46 F-16 americanos e já realizou exercícios de interoperabilidade com os EUA.
A presença dos B-52 no continente não é inédita, mas o grau de engajamento com dois aliados fora de um exercício multinacional é considerado atípico . A operação, que envolveria bombardeios simulados, ampliaria a cooperação militar dos EUA com as duas forças aéreas do extremo sul do continente.
A relação entre Brasil e Estados Unidos está em seu pior momento histórico, com sobretaxas e tensões diplomáticas. Cidadãos podem acompanhar os desdobramentos da crise por meio de canais oficiais do Itamaraty e do Departamento de Estado dos EUA. Denúncias sobre violações de soberania nacional podem ser encaminhadas ao Ministério das Relações Exteriores.
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