Quem teve o prazer de testemunhar ontem o embate entre Cabo Verde e Argentina, não só viveu um grande jogo de Copa do Mundo, como também pôde testemunhar os atuais campeões do mundo sendo envolvidos pelos cabo-verdianos. Morosa e novamente centralizada em torno de Messi, a Argentina teve dificuldades de abrir um placar confortável perante um Cabo Verde corajoso e reativo.
A Argentina demonstrou apenas lampejos da sua versão campeã do mundo e se portou como a mesma Argentina de 2021 para trás – um time que gira em torno de um craque e que não parece se importar em criar e buscar soluções que fujam do pragmatismo proposto por Scaloni.

Como Cabo Verde jogou
Postado em um rígido 4-1-4-1, Cabo Verde criou uma muralha que emparedou a principal linha ofensiva da Argentina, formada por Messi, Martinez e Almada. O que aconteceu não foi necessariamente uma neutralização da ofensividade argentina, mas sim a diminuição de espaços e, logo, de criatividade dos hermanos.
Os gols da Argentina surgiram de criação dos tri-campeões mundiais que, apesar der ser menor, de fato encontrou caminho em um ou outro momento do jogo. Com um passe sensacional, Lisandro Martínez passa a bola praticamente do meio de campo e encontra Messi na ponta direita da área em condições para mandar um chute fatal, de baixo para cima, e fazer o primeiro gol.
Entretanto, era notável e prazeroso assistir o quão tranquilamente e maduramente Cabo Verde saía da pressão em linha alta da Argentina. Uma vez com a bola, principalmente após sofrer o primeiro gol, Cabo Verde não se contentou em esperar ser atacado para acionar sua linha de meio de campo e consequentemente seu atacante, Nuno da Costa, em possível contra-ataque.
O primeiro gol de empate de Cabo Verde surgiu em mais uma tentativa de passe longo da Argentina. O que funcionou antes, aos 13 minutos do segundo, acabou parando na interceptação do volante Pina, que logo passou para a ponta direita com Mendes que, em um passe rasteiro, encontrou Deroy Duarte que finalizou bem.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2026/G/k/19nzQIR0mMvTha5FdEpQ/115535674-argentinas-head-coach-lionel-scaloni-gestures-ahead-of-the-2026-world-cup-round-of-32.jpg)
Scaloni manteve Messi no campo e não procurou soluções
Segundo a mídia argentina, a intenção não era deixar Messi o jogo inteiro em campo. Porém, dado o cenário do jogo, o craque argentino foi permanecendo ao longo da partida e acabou ficando por todos os 138 minutos de jogo – contando com as prorrogações.
Mesmo levando um empate duas vezes, as únicas mudanças que Scaloni fez no time tiveram efeito de renovar a estamina e capacidade física da equipe. A impressão que ficou é de que a Argentina possui pouco repertório prático quando o jogo precisa fugir de Lionel Messi. Com as mudanças, isso fica mais evidente. Não houve nenhuma mudança para tentar, de alguma forma, fugir do emparedamento cabo-verdiense. Scaloni trocou lateral por lateral, meia por meia, e o jogo seguiu.
Já na prorrogação, Enzo Fernandes chegou a sentir o que não ficou claro se eram caimbras ou um início de lesão. Com o jogo rolando, pediu substituição e ouviu de Scaloni que teria que aguentar em campo – e assim, ele ficou. Porém, o pedido não era tático, era porque não havia outra opção. Todas as substituições foram queimadas pelo treinador.
Além de parecer sem muitas cartas na manga, a Argentina também pareceu surpresa com um Cabo Verde que já havia desafiado dois campeões mundiais e dado muito trabalho. Soberba? Talvez.













