A crise aberta entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reforçou, dentro da pré-campanha presidencial do PL, a busca por uma mulher para ocupar a vice na chapa. O movimento é uma tentativa de reduzir danos no eleitorado feminino e reorganizar a imagem da campanha depois da troca pública de farpas entre os dois.
Michelle deixou a presidência do PL Mulher após o estremecimento com Flávio. A saída expôs uma fissura no núcleo bolsonarista justamente em um dos segmentos mais sensíveis para a direita: o eleitorado feminino, especialmente entre evangélicas e conservadoras.
Nesse cenário, nomes de parlamentares e lideranças ligadas à direita passaram a circular com mais força como alternativas para a vice de Flávio Bolsonaro. A lista inclui Bia Kicis (PL-DF), Daniella Marques (Republicanos), Júlia Zanatta (PL-SC), Simone Marquetto (PP-SP) e Tereza Cristina (PP-MS).
Bia Kicis é uma das opções mais próximas do núcleo bolsonarista. Deputada federal pelo Distrito Federal, ela é aliada de Michelle, mas mantém lealdade à família Bolsonaro como um todo. Após reunião com Flávio na sede do PL, em Brasília, o senador elogiou a parlamentar.
“Não estou falando que ela vai ser a vice, não, mas é uma pessoa que topa alguns desafios, que está disposta a dar o seu melhor pelo Brasil”, disse Flávio Bolsonaro.
Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, aparece como nome ligado ao núcleo econômico da pré-campanha. Ela tem relação próxima com Flávio desde o período em que trabalhou com o ex-ministro Paulo Guedes no Ministério da Economia, durante o governo Jair Bolsonaro.
Outro nome cotado é o da deputada federal Júlia Zanatta, de Santa Catarina. Ela tem respaldo de Carlos Bolsonaro, que sugeriu publicamente seu nome para a vice de Flávio. Júlia representa uma ala mais ideológica do bolsonarismo e já afirmou que aceitaria eventual convite para compor a chapa.
A deputada Simone Marquetto, do PP de São Paulo, entra na lista com outro perfil. Católica, ela poderia ajudar Flávio a ampliar diálogo com esse segmento religioso, em uma disputa na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta manter vantagem entre grupos fora do núcleo duro bolsonarista.
Tereza Cristina, senadora pelo PP de Mato Grosso do Sul, também é citada. Ex-ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, ela tem bom trânsito no Congresso e forte identificação com o agronegócio. O setor vem recebendo atenção especial de Flávio na pré-campanha.
A escolha de uma mulher para a vice, no entanto, não resolve sozinha o problema criado pela crise com Michelle. A ex-primeira-dama era uma das principais pontes do bolsonarismo com mulheres conservadoras e evangélicas. Sua saída do comando do PL Mulher deixou a campanha sem um ativo simbólico importante.










