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Entenda por que EUA rejeitaram alerta do Brasil sobre possível ação militar contra facções criminosas

Departamento de Estado classificou como "absurda" a hipótese levantada pelo Itamaraty e afirmou que medidas visam combater organizações que já atuam em território americano


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 08/07/2026 - 10:20

Entenda por que EUA rejeitaram alerta do Brasil sobre possível ação militar contra facções criminosas
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. (Foto: Reprodução)

O governo dos Estados Unidos classificou como “absurda” a possibilidade de uma ação militar norte-americana em território brasileiro, hipótese mencionada pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) em um documento enviado à Câmara dos Deputados. A manifestação foi feita por um porta-voz do Departamento de Estado em resposta ao portal CNN.

A discussão surgiu após o Itamaraty responder a questionamentos da Câmara sobre os possíveis impactos da decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. No ofício, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o governo brasileiro afirma que a legislação antiterrorismo norte-americana pode gerar consequências para cidadãos brasileiros nas áreas financeira, migratória e penal.

O documento também menciona que, diante da amplitude da legislação dos Estados Unidos, haveria a possibilidade de uso de força militar em território brasileiro, entendimento que foi rechaçado pelo governo norte-americano.

Na resposta, o Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos estão adotando medidas dentro de sua própria soberania para combater “narcoterroristas” e argumentou que as facções criminosas brasileiras já operam em território americano, o que justificaria a adoção de medidas para proteger a população do país.

O porta-voz também criticou o posicionamento do Itamaraty ao afirmar que “alegações vagas de intervenção servem, muitas vezes, de pretexto para auxiliar e acobertar alguns dos grupos mais violentos do mundo”.

No documento encaminhado ao Legislativo brasileiro, o Itamaraty sustenta que enquadrar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas não traria benefícios concretos para a cooperação bilateral no combate ao crime organizado. Segundo o ministério, a atual classificação das facções como organizações criminosas transnacionais já permite a colaboração entre os dois países nas investigações e no enfrentamento às atividades ilegais.

Após a manifestação do governo dos Estados Unidos, o Itamaraty não comentou a resposta do Departamento de Estado.

Redação Tribuna do Planalto

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