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Registros de violência contra crianças e adolescentes saltam 125% no Brasil em cinco anos

Dados do Sinan mostram que violência sexual lidera notificações e que meninas são maioria entre as vítimas; especialistas apontam que aumento reflete maior capacidade da rede de proteção em identificar casos.


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 06/07/2026 - 18:10

Registros de violência contra crianças e adolescentes saltam 125% no Brasil em cinco anos
Registros de violência contra crianças e adolescentes saltam 125% no Brasil em cinco anos - Foto: Abrinq

Dados do Sinan mostram que violência sexual lidera notificações e que meninas são maioria entre as vítimas; especialistas apontam que aumento reflete maior capacidade da rede de proteção em identificar casos

Os registros de violência contra crianças e adolescentes saltaram 125% no Brasil entre 2020 e 2025, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), banco do Ministério da Saúde que concentra os casos de doenças e violências documentados pela rede de saúde. O avanço acende o alerta para a importância da rede de proteção na identificação de abusos, já que a maior parte das ocorrências acontece dentro de casa e envolve vítimas sem autonomia para buscar ajuda.

A alta ocorreu em todas as regiões do país no período analisado. O Nordeste teve a maior variação percentual, com crescimento expressivo de 1.200%. Na sequência aparecem o Norte (809%), o Centro-Oeste (508%), o Sul (421%) e o Sudeste (221%). Segundo especialistas, os índices refletem, de um lado, uma rede mais preparada para identificar e registrar os casos e, de outro, reforçam a real dimensão do problema.

Violência sexual

Violência sexual liderou os registros, presente em 34% deles. Casos de negligência e abandono aparecem em seguida, com 33,3%, seguidos da violência física, com 32,9%. A análise mostra que a adolescência concentrou a maior parcela das notificações: foram 294 mil registros, 43% do total.

Quando um menor de idade não consegue contar o que está acontecendo, cabe aos adultos perceber que há algo errado. Professores, médicos, assistentes sociais e outros profissionais fazem parte dessa rede de proteção, e cada suspeita investigada pode representar o fim do ciclo violento e o início de um processo de acolhimento.

A primeira infância, de crianças com até 6 anos, responde por 37% dos casos (256,6 mil), e a segunda infância, entre 7 e 12 anos incompletos, por 20% (135 mil). As meninas e adolescentes do sexo feminino são maioria entre as vítimas, com 62% dos registros, enquanto os meninos aparecem em 38%.

Em 2024, foram notificados 256.030 casos de violência contra pessoas com idade entre 0 e 19 anos, o que representa uma média de 701 casos por dia. Os números de 2025 ainda não foram fechados, mas a tendência é de crescimento.

A violência sexual é a que mais exige atenção, pois muitas vezes é invisibilizada e de difícil identificação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cada hora, 12 crianças e adolescentes sofrem violência sexual no Brasil. A maioria dos casos (60%) é cometida por parentes ou pessoas próximas, o que torna a denúncia ainda mais difícil.

Uma em cada dez crianças brasileiras sofre abuso sexual, e a maior parte dos agressores é do sexo masculino (94%), tem mais de 30 anos (54%) e é pai ou padrasto da vítima (77%). Os dados mostram que o perfil das vítimas é majoritariamente feminino, com 72% dos casos.

A Lei nº 13.010/2014, conhecida como Lei da Palmada, que proíbe castigos físicos contra crianças, não tem sido suficiente para conter os índices de violência. Em 2025, mais de 17 mil denúncias foram registradas no Disque 100, o que representa um aumento de 21% em relação ao ano anterior. As regiões com maior número de denúncias são Sudeste e Nordeste.

O Movimento da Primeira Infância, que reúne especialistas e organizações da sociedade civil, defende que a ampliação da cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS) e a capacitação de profissionais da educação e saúde são fundamentais para quebrar o ciclo de violência. A implementação de políticas públicas de proteção à infância, como o Programa Criança Feliz, também é considerada essencial, embora seus resultados ainda sejam incipientes.

O Ministério da Saúde afirma que os dados do Sinan são utilizados para direcionar ações de prevenção e enfrentamento à violência. A pasta também destaca a importância da notificação obrigatória, que permite maior visibilidade ao problema e subsidia a criação de políticas públicas.

O site Pode Ser Abuso, da Fundação Abrinq, orienta a sociedade sobre como identificar sinais de violência sexual contra crianças e adolescentes e reforça a importância da denúncia. A iniciativa disponibiliza informações sobre comportamentos que podem indicar abuso, dados sobre o cenário no Brasil e canais oficiais para reportar casos, como o Disque 100. Denunciar é um ato de proteção que pode salvar vidas.

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