A Nissan está se preparando para encerrar a comercialização do Sentra no mercado brasileiro. O sedã médio, que por anos foi uma das principais alternativas ao Toyota Corolla, entra na reta final de vendas no país, enquanto a montadora direciona sua estratégia para modelos de maior volume e para a eletrificação. As últimas unidades ainda estão disponíveis nas concessionárias, mas a tendência é que o modelo deixe definitivamente o portfólio da marca no Brasil.
Importado do México, o Sentra sempre se destacou pelo bom acabamento, conforto e amplo espaço interno. O modelo oferece motor 2.0 aspirado a gasolina de 151 cavalos de potência e 20 kgfm de torque, combinado ao câmbio automático Xtronic CVT. Além disso, conta com porta-malas de 466 litros, características que o colocavam entre as opções mais tradicionais do segmento dos sedãs médios.
Apesar do conjunto equilibrado, o carro perdeu competitividade nos últimos anos. O mercado brasileiro passou por uma transformação significativa, com consumidores migrando para SUVs compactos e médios, além do crescimento dos modelos híbridos e elétricos. Esse novo cenário reduziu o espaço dos sedãs tradicionais, que hoje representam uma parcela cada vez menor das vendas nacionais.
Além da mudança no perfil do consumidor, o Sentra também sofreu com a falta de atualizações. Enquanto concorrentes passaram a oferecer centrais multimídia maiores, painéis totalmente digitais e sistemas mais modernos de assistência à condução, o modelo manteve a central de oito polegadas e o painel com instrumentos analógicos, tornando-se menos atrativo diante de rivais mais recentes.
Outro fator que contribuiu para sua perda de espaço foi o avanço de novos concorrentes. O Toyota Corolla permaneceu como principal referência entre os sedãs médios, enquanto modelos eletrificados, como o BYD King, conquistaram consumidores ao oferecer tecnologia, menor consumo de combustível e preços competitivos.
Mesmo com preços sugeridos de R$ 174.490 na versão Advance CVT e R$ 198.790 na configuração Exclusive CVT Interior Premium, muitas concessionárias passaram a oferecer descontos para reduzir o estoque das últimas unidades. Isso pode tornar o Sentra uma alternativa interessante para quem busca um sedã confortável, confiável e bem equipado por um valor abaixo da tabela.
A possível substituição do modelo já começa a ganhar forma. O Nissan N7, sedã elétrico desenvolvido pela joint venture Dongfeng Nissan na China, foi visto recentemente em testes no Brasil e desponta como um dos candidatos naturais a ocupar esse espaço no futuro.
Construído sobre uma plataforma voltada para veículos eletrificados, o N7 é significativamente maior que o Sentra. São 4,93 metros de comprimento e 2,91 metros de entre-eixos, dimensões que o aproximam de sedãs de categoria superior e reforçam a estratégia da fabricante de investir em modelos com novas tecnologias.
Enquanto isso, a Nissan concentra seus esforços comerciais no Brasil em veículos como o Kicks, um dos SUVs mais vendidos da marca, no novo Kait e no Versa, sedã compacto que continua sendo uma opção de entrada com foco no custo-benefício.
Embora a nova geração do Sentra já esteja disponível em mercados como México e Estados Unidos, com visual atualizado, telas maiores e acabamento renovado, essa evolução nunca chegou oficialmente ao Brasil. A decisão da Nissan de retirar o modelo de linha evidencia a mudança de comportamento do consumidor brasileiro e a nova direção da indústria automotiva, cada vez mais voltada para SUVs e veículos eletrificados.














