Um estudo da organização Transparência Brasil revelou que a Câmara dos Deputados pagou R$ 1,3 bilhão em emendas parlamentares ao longo de 2025 sem identificar qual deputado foi responsável pela indicação dos recursos e quais partidos se incluem na lista. Segundo o levantamento, o montante foi liberado por meio das chamadas “emendas de liderança”, modalidade que registra apenas a liderança partidária como autora da indicação, sem informar o parlamentar que direcionou o dinheiro.
De acordo com os dados, o Progressistas (PP) lidera o volume de recursos distribuídos nessa modalidade, com R$ 427,7 milhões em 464 indicações. Na sequência aparecem União Brasil, com R$ 288,7 milhões distribuídos em 303 indicações, e o Partido Liberal (PL), responsável por R$ 254,3 milhões em 234 indicações.
Também figuram na lista o Republicanos, com R$ 218,4 milhões em 260 indicações, Avante, com R$ 29,9 milhões, Solidariedade, com R$ 22 milhões, e Podemos, com R$ 18,9 milhões.
A pesquisa foi elaborada a partir de documentos divulgados pela Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) do Congresso Nacional. Na Lei Orçamentária Anual de 2025, as emendas de comissão somavam R$ 11,7 bilhões, sendo R$ 7,9 bilhões referentes à Câmara dos Deputados e R$ 3,8 bilhões ao Senado Federal.
Segundo a Transparência Brasil, diferentemente da Câmara, todas as indicações feitas pelas comissões do Senado identificaram nominalmente o senador responsável pela destinação dos recursos.
No relatório, a organização afirma que a forma como as emendas de liderança são distribuídas dificulta a rastreabilidade dos recursos públicos e impede a identificação dos parlamentares beneficiados politicamente pelas indicações. A entidade avalia que parte significativa dos repasses fica concentrada nas bases eleitorais de líderes partidários, enquanto o restante é distribuído entre outros estados.
Outro ponto destacado pelo estudo é a ausência de documentos que comprovem as reuniões internas dos partidos para definir a distribuição das emendas. Embora a legislação preveja a publicação das atas dessas deliberações, a Transparência Brasil informou não ter localizado registros que demonstrem a realização das reuniões ou as decisões coletivas das bancadas.
A organização também criticou as respostas fornecidas pela Câmara dos Deputados durante o levantamento, classificando os esclarecimentos como insuficientes. Para a entidade, as mudanças implementadas após decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou maior transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares, ainda não foram suficientes para eliminar a falta de identificação dos autores das indicações.
O levantamento aponta que a prática continuou em 2026. Até maio, documentos analisados pela Transparência Brasil registravam R$ 373,8 milhões em emendas atribuídas apenas às lideranças partidárias. O Republicanos concentrava o maior volume, com R$ 126,5 milhões, enquanto o PT passou a integrar a lista, com R$ 107,5 milhões registrados em nome da liderança da legenda. Segundo a organização, os dados indicam que as chamadas emendas de liderança continuam operando com baixo nível de transparência, mantendo características semelhantes às do antigo orçamento secreto.















