O novo tarifaço adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22). A cobrança passou a valer à 1h01, pelo horário de Brasília, e será recolhida dos importadores americanos quando as mercadorias entrarem no país.
Na prática, a medida encarece os produtos brasileiros no mercado americano e pode reduzir pedidos, pressionar contratos e obrigar exportadores a procurar outros destinos ou absorver parte do custo.
A decisão foi tomada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR. O órgão concluiu que determinadas políticas brasileiras oneram ou restringem o comércio americano. Entre os pontos citados estão o comércio digital, os meios eletrônicos de pagamento, incluindo o Pix, a propriedade intelectual, o acesso ao mercado de etanol e o combate ao desmatamento.
O governo brasileiro rejeita as acusações e considera a medida injustificada e politicamente motivada. Brasília argumenta que a maior parte dos produtos americanos já entra no Brasil com tarifa zero ou alíquotas reduzidas.
Tarifaço alcança máquinas, etanol e calçados no alvo
A sobretaxa alcança cerca de 3 mil itens. Entre os setores atingidos estão os de máquinas agrícolas e industriais, etanol, madeira, calçados, vestuário, açúcar, pneus e determinados produtos de papel e alumínio.
Mais de 2 mil produtos, porém, foram incluídos na relação de exceções. Ficaram de fora itens relevantes para a pauta brasileira, como café, carne bovina, petróleo, suco de laranja, aeronaves e componentes do setor aéreo. A justificativa americana é evitar falta de matérias-primas e novos custos para cadeias produtivas dos próprios Estados Unidos.
Impacto concentrado
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, estima que a medida atinja 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, considerando os dados de 2024. O volume corresponde a aproximadamente US$ 7,4 bilhões, cerca de R$ 37,6 bilhões.
A extensa lista de exceções reduz o impacto sobre a economia brasileira como um todo, mas concentra as perdas em setores mais dependentes do mercado americano. A indústria de calçados, por exemplo, já revisou para baixo sua projeção de exportações e alerta para o risco de demissões.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirma que continuará negociando com Washington e prepara medidas de apoio aos segmentos afetados. “Continuar negociando, essa é a orientação”, afirmou Elias Rosa















