A Cerrado Galeria inaugura neste sábado (8), às 10h, duas exposições simultâneas de artistas brasilienses. “O voo silencioso do pássaro de fogo”, de Alice Lara, e “Dentro da estrela azulada”, de Renato Rios, marcam as primeiras mostras individuais dos dois artistas em Goiânia. A visitação será gratuita.
Com curadoria de Divino Sobral, também diretor artístico da galeria, as exposições apresentam diferentes leituras sobre temas ligados ao Centro-Oeste. Enquanto Alice Lara utiliza elementos da cultura sertaneja e do agronegócio para abordar relações de poder e violência de gênero, Renato Rios explora memórias familiares, natureza, espiritualidade e práticas tradicionais de cura.
Em “O voo silencioso do pássaro de fogo”, objetos e imagens recorrentes no universo sertanejo, como chapéus, fivelas, caminhonetes, motocicletas, cavalos, bois e a terra vermelha, aparecem associados a conceitos de masculinidade, dominação e propriedade. As pinturas são ocupadas exclusivamente por figuras masculinas e discutem questões como machismo e feminicídio.
O título da exposição foi inspirado em uma música da cantora Paula Fernandes. Segundo o curador Divino Sobral, o trabalho articula crítica e sensibilidade ao tratar da estética conhecida como agropop.
“Alice Lara constrói um olhar ao mesmo tempo crítico e poético sobre o universo masculino associado aos valores do agronegócio e à estética agropop/sertaneja. A artista questiona relações de poder, identidade e os papéis desempenhados pelas mulheres nesse contexto”, explica.
Para Alice Lara, a apresentação das obras nas mostras em Goiânia pode estimular uma identificação particular do público com os símbolos retratados. “O fato da exposição acontecer na capital goiana, epicentro da cultura sertaneja, deve trazer novas perspectivas sobre o assunto. Nesse trabalho, pude pensar de forma mais clara alguns elementos, como os animais tentando reaver o seu espaço, a forma com a natureza revida sua exploração ou ainda o sofrimento dos sujeitos envolvidos na cultura agro”, afirma.
Já “Dentro da estrela azulada”, de Renato Rios, reúne pinturas produzidas nos últimos anos, incluindo trabalhos ainda inéditos. A exposição recupera lembranças das avós do artista e os conhecimentos transmitidos por elas sobre plantas, ervas e práticas de cura.
As telas combinam cores e formas geométricas, como estrelas, triângulos, elipses e hexágonos. O nome da mostra faz referência ao subtítulo do álbum “Muito”, lançado por Caetano Veloso em 1978.
Ricardo Resende, crítico e curador responsável pelo texto curatorial da exposição, destaca a importância das cores na produção de Renato Rios. Segundo ele, o artista encontra inspiração nas tonalidades, nos aromas e nas diferenças visuais das infusões de ervas e chás.
“A pintura de Renato Rios nos convida a desacelerar o olhar. É uma obra construída na escuta, no silêncio e na contemplação, em que as relações entre cor, natureza e espiritualidade revelam uma pesquisa profundamente comprometida com a experiência sensível”, afirma.
Renato Rios explica que a exposição também busca criar uma pausa diante da rotina contemporânea. “Vivemos cercados por informação, tecnologia e cobranças por produtividade. Com essas pinturas, espero abrir um espaço de contemplação para quem as vê e lembrar, ainda que por um instante, que a vida está lá fora e aqui dentro também”, ressalta.
Alice Lara nasceu em Brasília, em 1987, e vive em Vicente Pires, no Distrito Federal. Formada em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB), possui mestrado em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo (USP). A artista foi indicada ao Prêmio Pipa em 2020 e recebeu o Prêmio Aquisição do 22º Salão Anapolino de Arte, em 2016.
Renato Rios nasceu em Brasília, em 1989, e mora em São Paulo desde 2016. Também formado em Artes Visuais pela UnB, possui obras nos acervos do Museu de Arte de Brasília, do Museu de Arte do Rio e do Museu Casa do Olhar.
As duas exposições poderão ser visitadas até 26 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h. A Cerrado Galeria está localizada na Rua 84, nº 61, no Setor Sul, em Goiânia. A entrada é gratuita.












