As eleições de 2026 para a Assembleia Legislativa de Goiás (ALego) será marcada por uma extensa tentativa de permanência. Dos 41 deputados estaduais, ao menos 28 pretendem disputar a reeleição, o equivalente a 68% das cadeiras. Outros cinco planejam concorrer à Câmara dos Deputados, em Brasília. Na prática, 33 parlamentares estarão nas urnas em busca de um novo mandato legislativo. É diante desse bloco experiente que candidatos ligados a Aparecida de Goiânia, Rio Verde e ao Entorno do Distrito Federal tentam abrir espaço como alternativas na composição da próxima legislatura.
A lista dos que buscam continuar no Parlamento estadual reúne Anderson Teodoro, Alessandro Moreira, Amilton Filho, Antônio Gomide, Bia de Lima, Cairo Salim, Charles Bento, Coronel Adailton, Cristiano Galindo, Karlos Cabral, Cristóvão Tormin, Wilde Cambão, Dr. George Morais, Issy Quinan, Gugu Nader, Rosângela Rezende, José Machado, Henrique César, Julio Pina, Lineu Olimpio, Major Araújo, Mauro Rubem, Paulo Cezar Martins, Rubens Marques, Talles Barreto, Veter Martins, Virmondes Cruvinel e Vivian Naves. Já Bruno Peixoto, Lucas do Vale, Lucas Calil, Dra. Zeli e Ricardo Quirino deixam de disputar a reeleição estadual para buscar uma vaga na Câmara Federal.
A movimentação abre uma disputa que não se resume à divisão entre veteranos e estreantes. O elemento novo está, principalmente, na possibilidade de mudança dos representantes e no esforço para deslocar o centro da disputa de Goiânia para grandes colégios eleitorais do interior e da Região Metropolitana. Mas não será fácil. Nomes de Aparecida, Rio Verde e do Entorno aparecem entre os que querem transformar população, influência econômica e lideranças municipais em cadeiras no Legislativo. Os nomes escolhidos nas convenções ainda precisam ter os registros apresentados à Justiça Eleitoral, etapa posterior à homologação partidária.
Em Aparecida de Goiânia, a concorrência interna é um dos principais obstáculos. Dos vários nomes, quatro têm se destacado: o vereador Isaac Martins, o empresário Felipe Mabel e os ex-secretários Willian Panda e Vanilson Bueno. Panda, que comandou a Secretaria de Habitação e disputou a Prefeitura em 2024, tenta aproveitar a visibilidade acumulada naquela eleição. Vanilson, ex-secretário municipal por três vezes e coordenador da campanha vitoriosa de Leandro Vilela em 2024, chega respaldado por integrantes da base governista local.
Ainda nessas eleições, Isaac Martins disputa uma vaga na Alego pela segunda vez. Vereador em terceiro mandato, recebeu 13.726 votos para deputado estadual em 2022 e ficou na suplência. Em 2024, foi reeleito para a Câmara de Aparecida com 3.573 votos. Felipe Mabel, por sua vez, procura combinar a atividade empresarial no município com uma rede política que inclui vereadores aparecidenses. Ele afirma, ainda, que Aparecida integra o eixo central de sua campanha, ao lado da capital e de Anápolis.
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Já Danilo Rios teve a candidatura a deputado estadual homologada pelo Novo. Ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Aragoiânia, ele escolheu Aparecida como principal base eleitoral e recebeu o aval do prefeito Leandro Vilela antes de entrar na disputa. A conversa também teve relação com a presença de sua esposa, Pollyana Borges, no secretariado municipal, onde comanda a área de Meio Ambiente. Rios pretende conservar apoios em Aragoiânia e avançar sobre o eleitorado aparecidense, tornando ainda mais fragmentada a corrida local.
O número de candidaturas cria uma equação difícil para Aparecida. A cidade tem eleitorado suficiente para eleger representantes, mas a pulverização dos votos entre políticos da própria base municipal pode favorecer deputados que já chegam com atuação estadualizada. Para Panda, Vanilson, Isaac, Mabel e Danilo, o desafio não será apenas conquistar votos: será convencer o aparecidense a concentrar sua escolha em candidaturas identificadas com o município. O desempenho de cada partido e o quociente eleitoral também serão decisivos, pois votação individual elevada não garante, sozinha, uma cadeira.
Em Rio Verde, a renovação assume contornos de reorganização de grupos tradicionais. O ex-prefeito Paulo do Vale deixou a Secretaria de Governo municipal e se colocou na disputa por uma vaga estadual pelo PSD. Prefeito por dois mandatos e uma das lideranças mais influentes do Sudoeste, ele deve formar dobradinha com o filho, Lucas do Vale, deputado estadual que agora concorre à Câmara Federal. Os dois ingressaram no PSD em abril. A estratégia permite ao grupo tentar manter presença na Alego e, ao mesmo tempo, ampliar sua representação em Brasília.
O ex-presidente da Assembleia Lissauer Vieira também foi confirmado candidato a deputado estadual, agora pelo PL. Deputado por dois mandatos e produtor rural, ele retorna à disputa estadual depois de concorrer à Prefeitura de Rio Verde em 2024. Sua experiência e sua rede no agronegócio fazem dele um adversário conhecido, embora esteja fora da atual legislatura. Já a vereadora Nayara Barcelos, do Novo, tenta ocupar o espaço de renovação com uma candidatura estadual. Única mulher eleita em Rio Verde em 2024, ela já disputou a Câmara Federal em 2014 e 2022 e construiu atuação ligada ao conservadorismo, à família, ao empreendedorismo e à recuperação de dependentes químicos.
No Entorno do Distrito Federal, dois ex-integrantes de executivos municipais apostam no discurso de representação regional. O vice-prefeito de Formosa, Ramos Somar, foi confirmado candidato a deputado estadual pelo PL. Eleito em 2024 pelo PSD, o empresário migrou para a legenda de Wilder Morais em março de 2026 e vinculou a mudança ao projeto político do partido e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua candidatura procura transformar a base formada em Formosa em alcance sobre outros municípios do Entorno Norte.
Pábio Mossoró, do MDB, faz movimento semelhante no Entorno Sul. Ex-prefeito de Valparaíso por dois mandatos, ele foi eleito e reeleito, derrotou Lêda Borges em uma das disputas municipais e ajudou a eleger Marcus Vinícius como sucessor. Agora candidato a deputado estadual, defende maior integração entre os governos de Goiás e do Distrito Federal para ampliar investimentos na região. A trajetória administrativa dá a Mossoró um ponto de partida mais robusto que o de um estreante, mas ele precisará dividir o eleitorado regional com parlamentares e lideranças que também tratam o Entorno como prioridade.
Essas candidaturas mostram que “renovação”, em 2026, não será sinônimo obrigatório de inexperiência, ao mesmo tempo em que seria importante que novos nomes, de verdade, surgissem em Goiás. A novidade, então, está na possibilidade de troca de cadeiras, na chegada de bases municipais diferentes e na ampliação da voz de regiões que cobram representação própria.











