A formação de uma coligação com 12 partidos dará ao governador Daniel Vilela (MDB), além da maior estrutura política entre os candidatos ao Governo de Goiás, uma vantagem importante quando a campanha chegar ao rádio e à televisão no tempo de propaganda. Pelas projeções feitas a partir das alianças definidas nas convenções partidárias, Daniel deverá ocupar quase cinco minutos de cada bloco de dez minutos reservado aos candidatos ao Palácio das Esmeraldas, praticamente metade de todo o horário disponível.
A distribuição ainda não é definitiva porque os partidos têm até 15 de agosto para apresentar à Justiça Eleitoral os pedidos de registro das candidaturas e das respectivas coligações. A partir dessa data, o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) reunirá partidos, federações, coligações e emissoras para elaborar o plano de mídia e estabelecer as frações exatas destinadas a cada concorrente. A legislação determina que esse procedimento seja concluído até cinco dias antes do início do horário eleitoral gratuito.
Com o desenho que saiu das convenções, porém, a diferença entre os candidatos já pode ser projetada. Daniel deve ficar com aproximadamente 4min56 por bloco. Luis Cesar Bueno (PT), beneficiado pela composição da Federação Brasil da Esperança com PSB, Federação PSOL-Rede e PDT, aparece em seguida, com cerca de 2min27.
Wilder Morais (PL) terá aproximadamente 2 minutos, já que o peso de sua chapa está concentrado principalmente no PL, uma das maiores bancadas individuais da Câmara dos Deputados. O Novo também havia declarado apoio à candidatura do senador durante a pré-campanha. Marconi Perillo, candidato da Federação PSDB-Cidadania, deverá contar com a menor parcela entre os quatro concorrentes com acesso ao horário, em torno de 34 segundos.
A professora Luciana Amorim, candidata da Unidade Popular (UP), fica fora dessa divisão porque a legenda não atende aos requisitos constitucionais de desempenho que dão acesso aos recursos partidários e à propaganda gratuita. A cláusula de desempenho leva em consideração o resultado nacional obtido pelos partidos nas eleições para a Câmara dos Deputados.
As projeções colocam a campanha governista em posição privilegiada em uma etapa tradicionalmente importante da corrida eleitoral. Em uma única exibição de dez minutos, Daniel terá aproximadamente o dobro do espaço de Luis Cesar, mais que o dobro de Wilder e uma presença muito superior à de Marconi.
A diferença se torna ainda mais significativa ao longo das semanas. O horário eleitoral gratuito do primeiro turno será exibido entre 28 de agosto e 1º de outubro. O calendário foi definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e antecede o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
No caso da disputa pelo governo, os programas em bloco são exibidos às segundas, quartas e sextas-feiras, além das inserções distribuídas ao longo da programação das emissoras. O resultado é que diferenças aparentemente pequenas de segundos se transformam, acumuladas durante a campanha, em uma exposição consideravelmente maior para as chapas com grandes alianças.
TV será teste para estratégias diferentes de campanha
A diferença de tempo de propaganda também deverá obrigar as campanhas a adotarem estratégias distintas. Daniel terá espaço para programas mais longos, com possibilidade de combinar apresentação de propostas, realizações administrativas, depoimentos e presença de aliados em uma mesma exibição.
Luis Cesar também contará com uma faixa capaz de sustentar programas estruturados e terá o desafio de utilizar o segundo maior tempo para ampliar sua presença em uma disputa na qual PT e aliados procuram estabelecer um palanque próprio em Goiás.
Wilder terá aproximadamente 2 minutos para reforçar sua candidatura e explorar a vinculação com seu campo político nacional. Com tempo menor, Marconi enfrentará uma situação diferente daquela encontrada em suas campanhas anteriores ao governo e terá pouco mais de meio minuto em cada bloco para concentrar a mensagem eleitoral.
O tucano deverá compensar parte dessa diferença com outros meios de comunicação, especialmente internet, redes sociais, eventos e inserções ao longo da programação. O tempo reduzido nos blocos não impede a candidatura de participar da propaganda, mas exige mensagens mais condensadas.
A televisão perdeu, ao longo dos últimos ciclos eleitorais, a exclusividade que já teve na comunicação das campanhas. Redes sociais, vídeos para internet, transmissões ao vivo e conteúdos impulsionados passaram a ocupar parcela crescente das estratégias eleitorais. Ainda assim, o horário gratuito permanece como um dos poucos instrumentos capazes de colocar todos os dias uma candidatura simultaneamente diante de grandes audiências, sobretudo entre parcelas do eleitorado menos expostas à comunicação política digital.
| Candidato | Tempo projetado |
| Daniel Vilela (MDB) | 4min54 |
| Luis Cesar Bueno (PT) | 2min30 |
| Wilder Morais (PL) | 2min01 |
| Marconi Perillo (PSDB) | 34 segundos |
| Luciana Amorim (UP) | Sem tempo projetado |
Os tempos são estimativas calculadas a partir das coligações definidas nas convenções e da representação partidária considerada para a distribuição do horário eleitoral. A divisão oficial será estabelecida pela Justiça Eleitoral.











