A Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a alertar nesta quarta-feira (12) para a gravidade do surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC). Segundo a entidade, o elevado número de pessoas que estão morrendo fora das unidades de saúde indica a existência de cadeias de transmissão ainda não identificadas.
De acordo com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o surto avança em ritmo considerado alarmante e exige uma resposta coordenada para evitar que a situação se agrave.
Os números apresentados pela organização apontam 4.449 casos confirmados e 2.061 mortes distribuídos por cinco províncias e 53 zonas de saúde.
Ituri concentra a maior parte dos casos
A província de Ituri é o principal epicentro da atual crise. Segundo a OMS, a região concentra aproximadamente 90% dos casos e 80% das mortes registrados no surto.
A transmissão permanece ativa em cidades como Bunia, Rwampara, Nizi e Lita, aumentando a pressão sobre as equipes de saúde que atuam no combate à doença.
Um dos principais desafios identificados pela OMS é o número de pacientes que morrem dentro das próprias comunidades, antes de chegar aos hospitais ou centros de tratamento.
Para a organização, esse cenário dificulta a identificação dos contatos e pode revelar a existência de cadeias de transmissão que ainda não foram detectadas.
Cuidados em casa e funerais estão entre os momentos de maior risco
Segundo Tedros, grande parte das transmissões ocorre em situações de maior vulnerabilidade, principalmente quando familiares cuidam de pessoas doentes em casa.
Outro momento considerado crítico são os preparativos para os funerais e o contato com os corpos das vítimas.
Por isso, a OMS considera a realização de sepultamentos seguros e dignos uma das medidas fundamentais para interromper a circulação do vírus.
A organização também destaca que a adesão da população é essencial para que as medidas de prevenção funcionem. A confiança das comunidades afetadas é apontada como um dos principais fatores para o sucesso da resposta.
OMS quer ampliar rastreamento e número de leitos
A resposta à epidemia está sendo ampliada. A meta imediata é aumentar o rastreamento de contatos de 80% para 95%.
Também está prevista uma expansão significativa da capacidade hospitalar. A estratégia é triplicar o número de leitos para 3 mil nas próximas 12 semanas.
Mais de 21 mil agentes comunitários de saúde já foram capacitados para identificar casos suspeitos e encaminhar pacientes para atendimento.
Mais de 886 pessoas se recuperaram
Apesar da gravidade do cenário, a OMS aponta sinais de avanço no combate à doença. Pelo menos 886 pacientes já se recuperaram do ebola durante o atual surto.
A organização também informou que duas novas vacinas desenvolvidas especificamente contra a cepa Bundibugyo entraram na primeira fase de testes de segurança em humanos.
Financiamento é considerado essencial
A OMS estima que sejam necessários US$ 518 milhões para o Plano de Resposta e Preparação Continental. Até o momento, cerca de US$ 264 milhões já foram desembolsados.
A organização afirma que a combinação entre ciência, financiamento adequado e participação das comunidades será fundamental
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