Quando o assunto é morar em Goiânia, bairros como Bueno, Marista, Oeste e Jardim Goiás ainda estão entre os endereços mais disputados — e também entre os mais caros da capital. Segundo levantamento da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), o metro quadrado nesses quatro setores custa, em média, R$ 12.881, enquanto a média geral de Goiânia é de R$ 10.925.
Mas o mapa de preferência dos moradores começa a ganhar novos contornos.
Em busca de qualidade de vida, áreas verdes, mobilidade, infraestrutura e preços mais acessíveis, moradores e investidores passaram a olhar para regiões que durante muito tempo ficaram fora do circuito tradicional dos bairros mais valorizados.
É nesse cenário que Goiânia 2, Setor Central e Park Lozandes vêm ganhando espaço. Com características bastante diferentes entre si, os três bairros têm em comum a combinação de localização estratégica, novos empreendimentos e mudanças no perfil de ocupação.
Goiânia 2: natureza e sensação de cidade pequena
Planejado na década de 1980 para funcionar como condomínio fechado, o Setor Goiânia 2 acabou se transformando em um bairro aberto, mas preservou características que continuam atraindo moradores: ruas tranquilas, áreas verdes e uma forte convivência entre vizinhos.
Com 5,19 km², a região abriga o Parque Leolídio Ramos Caiado, com mais de 100 mil metros quadrados de área verde, além de reservas ambientais, praças e dois cursos d’água.
A localização também pesa na escolha. O bairro fica, segundo o levantamento apresentado, a cerca de 15 minutos da Praça Cívica, 13 minutos do Aeroporto Santa Genoveva, nove minutos do Shopping Passeio das Águas e sete minutos da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Para o analista fiscal Marcos Guilherme da Silva, de 28 anos, que escolheu morar na região, a combinação entre natureza e estrutura foi decisiva. “O que chamou a atenção no Goiânia 2 foi justamente o fato de ser um lugar mais aconchegante, com muita natureza, parques e tudo que precisamos no dia a dia.”
Ele também destaca a movimentação no parque e a convivência entre os moradores como diferenciais do bairro.
Setor Central: revitalização coloca bairro novamente no radar
Depois de décadas marcadas pela perda de moradores, o Setor Central começa a apresentar sinais de retomada residencial.
Dados do IBGE compilados pela Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo mostram que a população passou de 24.204 habitantes em 2010 para 29.011 em 2022, crescimento de quase 20%.
A valorização dos imóveis acompanha esse movimento. Segundo o levantamento do Índice FipeZAP citado na matéria, o Centro registrou alta de 30,7% no valor médio do metro quadrado nos últimos 12 meses, o maior avanço entre os bairros de Goiânia no período analisado.
Para Guido Santos, coordenador comercial da Sim Incorporadora e especialista do mercado imobiliário, a localização é um dos principais fatores que explicam a procura. “O Centro é um bairro que conecta todas as regiões da cidade.”
A região também concentra equipamentos históricos e culturais, como a Praça Cívica, o Mercado Central, teatros e museus, além de comércio de rua consolidado.
Mudanças na legislação municipal e incentivos voltados à ocupação residencial ajudaram a estimular novos empreendimentos. Um dos exemplos citados é o Katedral Sky Rooftop, entregue em 2024, que trouxe ao bairro uma proposta de moradia com áreas de lazer, rooftop e vagas de garagem.
Park Lozandes: novo polo residencial de Goiânia
Conhecido por concentrar órgãos públicos como o Paço Municipal, a Assembleia Legislativa, o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado, o Park Lozandes vem deixando de ser apenas um polo administrativo para ganhar força também como endereço residencial.
Segundo os dados do Censo 2022 apresentados na matéria, a população da região cresceu 63,3% em 12 anos.
Embora o planejamento urbanístico tenha sido aprovado em 1992, a ocupação residencial ganhou força principalmente a partir da década de 2010, quando novos empreendimentos residenciais e comerciais começaram a mudar o perfil do bairro.
A combinação entre baixa densidade populacional, localização estratégica e proximidade de importantes equipamentos urbanos passou a atrair moradores e investidores. É o caso do empresário Gustavo Henrique Rezende, que mantém um apartamento no bairro desde 2022.
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