Em entrevista à Tribuna do Planalto, o candidato do PT ao governo de Goiás, Luis Cesar Bueno, apresenta uma plataforma marcada pela ampliação da presença do Estado em áreas como saúde, transporte, educação e segurança. Entre as principais propostas, estão a implantação gradual da tarifa zero no transporte coletivo, a reestatização da gestão dos hospitais estaduais e a criação de oito zonas de desenvolvimento econômico. Bueno também aposta na transferência dos votos de Lula para a chapa petista em Goiás e afirma que pretende ampliar a arrecadação sem aumentar impostos.
TRIBUNA DO PLANALTO
O senhor chega à campanha depois de um processo interno bastante conturbado, no qual houve preferência de setores da direção nacional do PT pelo nome de Adriana Accorsi. Em algum momento o senhor sentiu que sua candidatura poderia não ser confirmada?
LUIS CESAR BUENO
Não, porque tanto a Adriana (Accorsi) quanto a vereadora Aava (Santiago) me deram garantias de que elas não seriam candidatas, e isso realmente se confirmou. Eu obedeci à resolução, à decisão da direção estadual que definiu o meu nome ainda bem antes da convenção oficial. Portanto, eu tinha certeza desde o início que meu nome seria confirmado.
O presidente Lula chegou a defender Adriana Accorsi como candidata ao governo. Como fica hoje sua relação política com o presidente? O senhor terá efetivamente o apoio de Lula em Goiás?
Ele se reuniu comigo já por duas vezes, a primeira vez junto com o presidente Edinho Silva, quando nós definimos as estratégias e o discurso para Goiás, e o segundo momento quando ele fez a gravação do programa eleitoral. A relação com ele é muito boa, tanto que no lançamento da candidatura dele, em São Bernardo, eu fui um dos poucos que usou a palavra no estádio de Vila Euclides.
O PT perdeu tempo precioso discutindo internamente a candidatura? Isso pode prejudicar a campanha?
Eu costumo dizer que isso é passado. Nós temos que discutir agora o presente e o futuro. Iniciou um processo eleitoral e nós estamos na disputa representando a continuidade do governo do Brasil aqui em Goiás como candidato a governador. E volto a falar, isso foi uma questão de estratégia porque o presidente Lula trabalha em todos os estados para ampliar ao máximo o palanque.
Sua candidatura representa um palanque para Lula em Goiás, uma tentativa de reconstrução do PT em Goiás ou o objetivo é efetivamente disputar o governo com chances de vitória?
Reconstruir o PT?
O PT não perdeu espaço em Goiás nos últimos anos, na sua avaliação?
Em 2022, nós tivemos 1.542 milhão de votos no segundo turno; nós vencemos as eleições em Goiânia quatro vezes e duas vezes em Anápolis. Portanto, o PT é um partido muito bem estruturado no estado de Goiás, nós temos diretórios em quase todos os municípios. O que nós temos que fazer, esse é o debate, é transferir os votos do presidente Lula para a candidatura ao governo, ao Senado, à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados. É esse movimento que nós precisamos fazer. Estamos elaborando um conjunto de táticas e estratégias para atingir esse objetivo. A minha candidatura tem como objetivo construir um governo com geração de emprego e renda, desenvolvimento econômico e justiça social e estabelecer um governo que tenha parceria com o presidente Lula, sendo ele reeleito para comandar o Brasil por mais quatro anos.
O senhor fala em oito zonas econômicas. Qual será a primeira medida prática para transformar esse conceito em realidade?
Nós precisamos estabelecer arranjos produtivos locais nas oito zonas de desenvolvimento econômico para garantir o equilíbrio regional; precisamos aumentar a arrecadação do estado sem aumentar os impostos para viabilizar essas zonas de desenvolvimento econômico e social. Dentro desse contexto nós achamos ínfima essa arrecadação atual do Estado. Um orçamento anual de R$ 54 bilhões não representa a verdadeira potencialidade do Estado de Goiás. Nós precisamos estabelecer um equilíbrio orçamentário pelo menos com o Rio Grande do Sul, com o Paraná e com Santa Catarina, porque considerando que o estado de Goiás é um estado geograficamente muito bem situado no coração do Brasil, nós temos que desenvolver políticas de atração das indústrias, de atração do setor produtivo, ampliar a nossa participação no setor mineral, sobretudo sobre terras raras, para crescer a arrecadação – isso no período máximo de 36 meses – e poder implantar um plano de desenvolvimento econômico com os oito polos de desenvolvimento.
Como Goiás poderá atrair novos investimentos com o fim dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado? Haverá novos incentivos? Quais serão os critérios?
Primeiro, atrair as empresas que já estão procurando o estado de Goiás em função da localização geográfica. Precisamos urgentemente resolver o gargalo na infraestrutura. É inadmissível uma empresa chegar em Goiás, alugar um galpão, contratar 100, 150 funcionários e ficar seis meses esperando a Equatorial disponibilizar energia elétrica. E não disponibiliza energia elétrica por falta de energia, mas porque não investiu nas redes de transmissão. As redes de transmissão são praticamente as mesmas da época da Celg, os transformadores estão precisando de reposição. A primeira questão a resolver é esse gargalo da distribuidora de energia, que era Enel e agora é Equatorial. E o segundo ponto é, dentro da estrutura da nova reforma tributária, fazer os arranjos produtivos onde o Estado, através de um parque de consumo grande e de um polo centralizado de distribuição de mercadoria, possa atrair os vários setores da atividade econômica. Acredito que os dois setores que serão importantes para aumentar a arrecadação do Estado – ampliando a atividade econômica e não com o aumento de impostos – são o setor do agronegócio e o setor mineral, onde o estado de Goiás tem potencial muito grande nessas duas atividades.
Goiás tem atraído investimentos importantes em mineração, indústria e energia. Qual é o limite entre exploração econômica e proteção ambiental para o seu eventual governo?
Nós temos uma estrutura produtiva muito grande no agronegócio e temos uma estrutura produtiva que pode crescer muito na agricultura familiar. A agricultura familiar representa em todo o país algo em torno de R$ 26 bilhões; o agronegócio representa R$ 600 bilhões e 15%, 20% de todo esse recurso está concentrado no estado de Goiás. Nós precisamos fazer uma estruturação de ampliação do agronegócio no estado tendo uma política de parceria com o setor produtivo, sobretudo no deslocamento da produção. Eleito, pretendo instalar ramais intermediários de ferrovias entre os entrepostos dos polos de distribuição de mercadoria localizados em Uruaçu, Rio Verde, São Simão para poder fazer o escoamento direto da produção agrícola para os portos do Oceano Pacífico e do Oceano Atlântico sem passar pelo modal do transporte rodoviário. Isso economiza significativamente o custo com transporte. O outro eixo que nós temos que avançar no campo do agronegócio é ter uma política específica para os arrendatários, porque eles já iniciam o processo de produção da soja com déficit de 15% a 20%. Nós temos uma ideia de, junto com o Ministério da Agricultura e Pecuária, estimular o seguro para, caso haja problema de clima, não atingir diretamente os produtores arrendatários. Tenho discutido muito essa questão do seguro de proteção dos arrendatários com os produtores de soja. Outra questão que será importante é o estabelecimento de uma política mineral para o estado de Goiás. O ouro que já está em fase adiantada de exploração com as empresas canadenses e chinesas, temos as terras raras, que precisam de uma política de exploração junto com o governo federal – que é bom entender que a concessão de terras raras é uma atribuição do governo federal. Nós queremos fazer uma política de estímulo às indústrias para que não venhamos a exportar o minério de forma bruta sem o processo de industrialização. Nós queremos fazer o processo de produção de baterias no próprio estado de Goiás. Com isso, estaremos estimulando uma atividade produtiva muito grande para alavancar a nossa arrecadação. Nós temos vários segmentos da atividade econômica que terão condição de expandir.
Quanto vai custar a Tarifa Zero no transporte coletivo para o Estado de Goiás? De onde virá o dinheiro? O senhor já tem uma estimativa de quanto o governo precisará colocar anualmente no sistema?
Na região metropolitana de Goiânia, algo em torno de R$ 500 milhões, R$ 600 milhões por ano. Na região metropolitana de Brasília, algo em torno de R$ 900 milhões, em função da complexidade da distância do sistema. Na região metropolitana de Brasília, nós teremos que fazer uma parceria com o governo federal, com o governo do Distrito Federal, os municípios e o estado. Nós pretendemos instalar corredores exclusivos do transporte coletivo, ampliar ao máximo o investimento em BRT, fazer um transporte coletivo seguro, rápido, eficiente e com tarifas zero. Dessa forma, nós faremos com que as pessoas deixem o automóvel em casa e dirijam sobretudo ao trabalho e outras outras funções de ônibus. Se você considerar que para ir para casa ou para o trabalho, você gasta uma hora, uma hora e vinte, no caso da região metropolitana de Brasília, ir de ônibus vai chegar em 20, 25 minutos, você automaticamente irá de ônibus. Essa é a forma de desobstruir o gargalo de mobilidade que existe nas regiões metropolitanas. Aqui em Goiânia, o Governo Federal já investiu muito, algo em torno de R$ 1,5 bilhão no Eixo Anhanguera e no Eixo Norte-Sul. Aqui em Goiânia nós temos que estabelecer corredores exclusivos, montar o modal do transporte coletivo na região metropolitana com segurança, com conforto, para estimular a população a deixar o carro em casa e ir para o trabalho de ônibus. É um trabalho que não se implanta de imediato, tem que ser feito de forma escalonada através de algumas linhas inicialmente e na medida que o sucesso vai acontecendo você vai fazendo de forma escalonada até durante quatro anos fazer a implantação de todo o sistema.
O sucesso está condicionado a essa mudança de comportamento, deixar o carro em casa e passar a usar o sistema?
Para todos os lugares onde a tarifa zero e o sistema modal de eixo exclusivo foi colocado, esse processo foi através de cultura e mudança de comportamento. O cidadão tem que perceber que ele vai de forma segura e mais rápida para casa de transporte coletivo do que de carro. Eu estava em Lisboa, ia para o centro histórico e pedi no hotel um táxi, o recepcionista do hotel assustou: ‘como o senhor vai de táxi? O senhor vai demorar 40 minutos. Se o senhor pegar o ônibus aqui na porta, o senhor vai com 8 minutos. Por favor, pega o ônibus que é mais rápido.’ É essa nova concepção que a sociedade aos poucos irá absorver. E nós temos que fazer políticas públicas na área de mobilidade urbana para os próximos 50 anos e não para os próximos 4 anos, como tem sido feito.
Quem vai pagar a conta: Estado, municípios, União, empresas ou algum fundo específico?
É o Estado que vai financiar. Nós vamos instalar um fundo que vai gerenciar esse modelo. Hoje os próprios empresários dão vale aos funcionários e nós vamos estudar qual é a forma que vamos financiar, e entendemos que, com o aumento da arrecadação e com o que já se gasta hoje, nós poderemos tornar esse gasto mais eficiente com o apoio da população, do cidadão. O usuário vai ter tarifa zero.
O senhor propõe reestatizar gradualmente a gestão dos hospitais estaduais. Quais hospitais seriam os primeiros?
Você não entrega o comando da Polícia Militar para a OS; também não entrega a direção e a gestão de uma escola para uma OS; não entrega o Gabinete do governador para uma OS. Eu entendo que saúde, educação e segurança pública é dever do Estado, que não pode jamais terceirizar essas três funções, que são espinha dorsal do estado. O modelo de gestão de saúde não deu certo, estamos vendo a catástrofe que vive o sistema de saúde, as pessoas estão morrendo por falta de UTI, o sistema de modulação para alta complexidade é um absurdo. Em uma crise renal, a pessoa tem que ficar gritando de dor na fila da modulação. Isso não pode acontecer. Nós queremos que o Estado assuma a gerência, o controle e o processo de gestão total das unidades de saúde. Para isso você tem que promover a função do médico como profissão de estado, do enfermeiro, do auxiliar de saúde para que tenhamos profissionais eficientes, com plano salarial de estado para conduzir esse processo de voltar o sistema de saúde para o modelo de gestão do Estado. Nós vamos fazer um processo também escalonado, escolher uma determinada unidade de saúde que esteja com maior gargalo e obstrução e promover essa unidade de saúde com interferência direta da gestão do estado. E de forma escalonada iremos fazer o processo de gestão em todas as unidades de saúde. Outra coisa que nós queremos instalar são os hospitais regionais, que precisam ser estruturados com tratamento ambulatorial, UTI, serviço eficiente de acolhimento de todas as modalidades de alta complexidade para acabar com a indústria da ambulância. Porque eu estava em Itumbiara e o que eu vi durante o percurso entre Morrinhos e Goiatuba foi um conjunto de ambulâncias saindo de Morrinhos, Goiatuba e cidades próximas indo ou para Itumbiara ou vindo para Goiânia. Nós precisamos que os municípios, principalmente os municípios de referência, os maiores municípios, tenham todo um complexo de atendimento de saúde que resolva o problema na região e o prefeito não tenha que ficar comprando ambulância para mandar os pacientes para Goiânia. É todo um processo de gestão do estado que precisa ser instituído.
Qual a unidade seria a primeira a ser reestatizada? Há uma estimativa de custo para esse processo?
Nós estamos fazendo o estudo, estamos analisando, achamos que cortando os 30% que encarece o sistema com a contratação das OS, teremos condições de absorver as intervenções, principalmente em nível de recuperação salarial dos servidores, que nós teremos que fazer. O serviço de saúde será um dos serviços de Estado, assim como segurança pública e assim como educação.
O governo atual apresenta a segurança pública como uma de suas principais vitrines. O senhor reconhece que houve melhora nos indicadores de criminalidade em Goiás?
Houve uma reconfiguração do crime, o crime mudou de face. Não compensa para o tráfico de drogas roubar veículos, assaltar residência, porque isso não dá dinheiro mais para você colocar no tráfico de drogas. O tráfico de drogas hoje vive da lavagem de dinheiro, da adulteração de combustível; ele subiu para o andar de cima, consegue fazer contratos com o governo de Goiás. Isso quem está dizendo não sou eu, é a Operação Carbono Oculto, é a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a grande imprensa nacional, que aqui em Goiás quase não divulga isso. Se você bate uma carteira na rua, na carteira não tem mais dinheiro, então você pode andar com a carteira com o celular na mão que ninguém vai te roubar. Roubar o celular pra quê? Em cinco minutos ele trava sozinho, você não consegue utilizá-lo. Dentro desse contexto, nós entendemos que o crime mudou de configuração e, na nova configuração do crime, Goiás tem índices alarmantes. Nós temos índices alarmantes no estelionato digital, aquele que clona os dados do seu telefone, que rouba o seu CPF, que abre um cartão de crédito no seu nome, que abre uma empresa no seu nome, esse tipo de crime interessa às organizações que fazem o tráfico de drogas. O crime de abrir empresa no seu nome interessa ao tráfico de drogas. Precisamos fazer um combate intenso ao crime eletrônico, ao estelionato eletrônico, coisa que Goiás não tem ainda um conjunto de delegacias especializadas. Nesse sentido, nós vamos fazer investimento na Polícia Civil para que ela seja uma polícia eficiente de investigação e de inteligência para combater o crime organizado e vamos investir na Polícia Militar também, porque a de Goiás envelheceu. As patentes subiram, tem muitos chefes, coronéis, tenentes, majores, e um número muito reduzido de soldados. Precisamos fazer concurso público para contratar soldados e fazer com que a corporação, numericamente, seja uma corporação importante para fazer o combate junto com a Polícia Civil, um combate ao crime no estado de Goiás. Agora precisamos urgentemente ter políticas públicas na área de segurança pública para reduzir o feminicídio. De 2015 pra cá, o feminicídio cresceu 300%. Se uma mulher é agredida em Senador Canedo, ela tem que se dirigir a Goiânia, que é a única delegacia especializada dessa área que tem. Nós temos que levar as delegacias especializadas de proteção da mulher para todas as regiões do estado de Goiás e, mais do que isso, desenvolver campanhas de combate ao feminicídio, desenvolver políticas públicas de estado para proteção da mulher. Não podemos deixar Goiás liderar o ranking dos estados onde o feminicídio existe. A segurança pública é muito mais complexa do que os dados que o governo do estado apresenta. Eu queria muito debater esses dados com o governador Daniel Vilela, mas ele não tem comparecido aos debates.
O senhor defende o uso de câmeras corporais pela Polícia Militar. Isso seria obrigatório num eventual governo do senhor?
O governador de São Paulo fez lá e deu certo, no Rio está dando certo, no país está dando certo, em Goiás também vai dar certo. Isso protege o policial, protege o cidadão e reduz a criminalidade.
Goiás já possui uma política forte de educação em tempo integral. O que o senhor fará diferente?
Nós precisamos valorizar o professor, precisamos devolver a titularidade, devolver o plano de carreira, tirar os trabalhadores da educação que trabalham de forma temporária e fazer da educação realmente um modelo para o estado e para o país. Precisamos ampliar as escolas de tempo integral, instituir o ensino técnico no ensino médio para que o jovem, quando termina o ensino médio, esteja apto a escolher se vai para a universidade ou se vai para o mercado de trabalho, ter uma profissão quando terminar o ensino médio. Nós queremos participar inclusive do debate, que está em nível federal, de federalização do ensino médio, que a escola de ensino médio seja transformada em instituto federal de ensino. Isso não está na alçada do estado, está na da União, mas vamos desenvolver uma política educacional capaz de viabilizar a educação com uma escola alegre, uma escola moderna, uma escola com inserção da comunidade. O poder local é muito forte na escola, porque na escola tem todas as camadas da sociedade, tem todas as religiões, tem todos os problemas. A inserção do psicólogo nas escolas é uma medida importante, até para corrigir o problema social que várias famílias têm, assim como alguns debatem também a própria inserção do assistente social dentro da escola.Temos que fazer a escola como instrumento de poder local, eficiente, que garanta a promoção da qualidade de vida de todas as famílias. A escola é um instrumento muito importante que vai ser valorizado.
Quanto de um eventual governo Luis Cesar Bueno dependeria de recursos federais? O plano cita R$ 66,7 bilhões da carteira do Novo PAC relacionada a Goiás. Quanto desse dinheiro já está garantido e quanto dependeria de novas negociações?
O orçamento é muito ridículo, um orçamento ínfimo, R$ 54 bilhões. Goiás pode muito mais. Nós vamos aumentar a arrecadação do estado, e, ao aumentar a arrecadação do estado, teremos condições de reestruturar a Universidade Estadual de Goiás, que foi desmontada, literalmente desmontada. E o que que fizeram com a UEG? Pegaram os recursos da UEG e jogaram nos 25% da educação. Com isso desmontou toda a estrutura de ensino superior que o estado tinha. A UEG é um importante polo de ensino técnico-científico para ajudar a corrigir as distorções do estado de Goiás, sobretudo as distorções econômicas, e o que nós vimos foi um desmonte da Universidade Estadual de Goiás. Junto com o investimento em ensino técnico e científico, junto com a recuperação da UEG, nós iremos cumprir aquela missão econômica nossa, que é corrigir as distorções e os desequilíbrios regionais.
Em seu plano, o senhor fala que pretende ampliar a fiscalização e punições contra desmatamentos e queimadas. Considerando que Goiás é um estado agrícola, como conciliar questões ambientais com a produção agrícola?
Eu acho que não precisa mais desmatar o Cerrado. Nós temos que proteger as nascentes, proteger os nossos mananciais, acabar com o assoreamento, sobretudo do Rio Araguaia, recuperar a bacia do Meia Ponte, que é uma importante fonte de água para a população de Goiânia, preservar sobretudo as nascentes dos ribeirinhos, que alimentam os grandes rios, e para isso a gente pode fazer uma parceria com o setor produtivo. As terras que já foram desmatadas, se tiverem investimentos, já são suficientes para garantir a nossa produção agrícola. É uma questão de conscientização. Boa parte dos grandes produtores do agro já entendeu essa necessidade. É uma questão de diálogo e conscientização, mas nós vamos fazer uma política agressiva de recuperação do meio ambiente, acredito que não vamos ter que fazer tanta aplicação de multas, tanta pressão. Aqueles que continuarem cometendo crime ambiental, automaticamente serão punidos, mas ao estabelecer a legislação, cumprir a legislação, nós já estaremos garantindo a recuperação do meio ambiente.
O plano fala em acabar com os lixões em Goiás. Qual é o prazo para isso e quanto custará?
Nós queremos fazer uma parceria com a Funasa (Fundação Nacional de Saúde), que de forma isolada faz parceria direto com os municípios, mas não conseguimos instalar os consórcios. Se não me engano, dois ou três consórcios de municípios para administrar os resíduos foram instalados. Com a presença do Estado, mesmo não sendo de competência do estado, mas dos municípios, mas quando fala em consórcio, em grupos de municípios que possam coletivamente gerenciar o seu próprio lixo, o Estado pode ser um instrumento importante, tanto na agilidade das licenças ambientais, quanto – junto com a Funasa e com as prefeituras – para garantir estrutura necessária para o gerenciamento coletivo do lixo.
Como conciliar a expansão da mineração de terras raras com a proteção da Chapada dos Veadeiros e das comunidades tradicionais?
A exploração de terras raras acontecerá justamente nos lugares onde já tem jazidas descobertas, jazidas em andamento. A proteção da Chapada dos Veadeiros é intocável. Nós não vamos jamais desenvolver terras raras na Chapada dos Veadeiros. O estado de Goiás é rico em terras raras em várias regiões e nós vamos produzir terras raras e fazer um processo de atração de indústrias para industrialização naquelas regiões onde já tem perspectiva de atividade econômica, onde já tem inclusive licença ambiental. É bom ressaltar que a Agência Nacional de Mineração recebeu, de 2023 para cá, 1.690 novas licenças para pesquisa e exploração de terras raras, dessas quase mil são em Goiás. Existe um quantitativo enorme de jazidas que poderão ser trabalhadas. Isso é rápido, porque estamos vivendo um período de transição entre o combustível fóssil, petróleo e gasolina, para o carro elétrico. E o carro elétrico a cada dia que passa ele toma conta das nossas ruas. Nesse contexto, as terras raras passam a ser uma atividade econômica de forte desenvolvimento, forte lucratividade e rápido, vamos trabalhar nesse sentido, preservando, sim, 100% a Chapada dos Veadeiros.














