Uma força-tarefa formada por órgãos federais e estaduais deflagrou, nesta sexta-feira (28), a Operação Bomba Oculta, destinada a interromper o funcionamento de postos de combustíveis clandestinos possivelmente ligados ao PCC e atingir a estrutura financeira de organizações criminosas infiltradas no setor. A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que revelou suspeitas de fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro atribuídas a grupos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ao menos seis postos que operavam irregularmente foram lacrados na cidade de São Paulo. Em todo o país, a ofensiva alcança mais de 1,2 mil estabelecimentos e prevê tornar inaptos 1.283 CNPJs. No estado paulista, 228 inscrições estaduais foram suspensas durante a operação. Outras 682 já haviam sido declaradas inaptas, totalizando 910 registros estaduais atingidos.
As medidas impedem os estabelecimentos de emitir documentos fiscais eletrônicos, dificultam a compra e a venda de combustíveis e podem provocar o bloqueio das contas bancárias vinculadas às empresas. O objetivo é evitar que postos sem autorização continuem operando por meio de cadastros empresariais ainda ativos.
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que a operação pretende “asfixiar” financeiramente o crime organizado. Segundo as autoridades, mais de R$ 10 bilhões podem ser retirados de circulação com o bloqueio dos fluxos financeiros e patrimoniais identificados durante as investigações.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revogou, desde 2019, a autorização de funcionamento de mais de 10 mil postos em todo o Brasil. O número, portanto, não representa a quantidade de estabelecimentos fechados nesta sexta-feira. Parte dessas empresas, porém, teria continuado comercializando combustíveis clandestinamente por manter o CNPJ ativo.
A operação reúne Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, ANP, Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Polícia Civil. Mais de 80 servidores participam das ações.
A ofensiva também foi viabilizada por uma norma publicada pela Receita Federal em 24 de agosto. A medida ampliou as hipóteses para a declaração sumária de inaptidão de CNPJs pertencentes a empresas envolvidas em atividades irregulares ou que funcionem sem as autorizações obrigatórias.
A Carbono Oculto foi deflagrada há um ano e apontou a presença do crime organizado em diferentes etapas da cadeia de combustíveis, da importação e produção até a distribuição e a venda nos postos. Conforme as investigações, aproximadamente mil estabelecimentos ligados ao grupo movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Uma fintech suspeita de funcionar como banco paralelo do esquema teria movimentado sozinha R$ 46 bilhões sem rastreabilidade no mesmo período.
As apurações indicam que o setor era utilizado para lavagem de recursos provenientes do tráfico de drogas, adulteração de combustíveis, fraude contra consumidores e sonegação de impostos. Somente as perdas tributárias provocadas pelo esquema são estimadas em R$ 7,6 bilhões.












