O governador Daniel Vilela (MDB), candidato à reeleição, minimizou as divergências entre aliados na disputa ao Senado e afirmou que existe um entendimento para limitar os ataques dentro do grupo. Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, colunista da Tribuna do Planalto, no podcast Domingos Conversa, na sexta-feira (11), considerou superado o atrito entre a ex-primeira-dama Gracinha Caiado e o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Gustavo Mendanha.
Questionado sobre o episódio, Daniel classificou a divergência como “página virada”. Também assegurou que Mendanha permanece na base governista e citou como demonstração o discurso em que o aliado elogiou o ex-governador Ronaldo Caiado, Gracinha e o grupo político durante uma agenda em Aparecida.
Ao ser confrontado com a avaliação de que a presença de quatro candidaturas já tornava previsível a competição interna, o governador tratou os conflitos como naturais. Comparou a situação às disputas entre candidatos a deputado estadual e federal, que, segundo ele, também são intensas dentro de um mesmo campo político.
“Quando você tem muitos candidatos ao Senado, acaba também tendo aí divergências e disputas”, afirmou.
Daniel ressaltou, porém, que a liberdade para conduzir as campanhas não elimina os compromissos entre aliados. “Dentro da nossa base, entre os nossos candidatos, nós temos que ter o nosso respeito, os nossos limites”, declarou.
“Uma coisa é você apresentar a sua estratégia, fazer o seu trabalho, outra coisa é você atacar qualquer adversário. Isso aí a gente tem clareza e combinado”, completou.
Segundo voto de Gracinha
A discussão também passou pelas combinações de votos entre candidatos governistas e o deputado federal Gustavo Gayer (PL). Em entrevista anterior ao programa, o parlamentar havia atribuído aos próprios eleitores os movimentos de apoio conjunto com Gracinha e Mendanha.
Daniel avaliou que parte dessas articulações ainda circula de forma superficial, sem necessariamente chegar ao eleitor. Disse que cada candidato procura uma estratégia para alcançar a segunda vaga, mas apontou a associação com Gracinha como o caminho que escolheria.
“Agora, se eu fosse um desses candidatos, para mim seria muito óbvio a minha estratégia. É colar no voto daquela que tem o voto mais cristalizado e consolidado hoje, que é a dona Gracinha. É o segundo voto dela”, afirmou.
O governador atribuiu essa condição ao reconhecimento do trabalho desenvolvido pela ex-primeira-dama na proteção social e à força política de Caiado. Na avaliação dele, Gracinha tem um eleitorado mais consolidado, enquanto os demais concorrentes ainda dependem das definições da reta final.
A recomendação veio acompanhada de uma ressalva: a associação entre candidaturas precisa ter alinhamento político para funcionar.
“Tem que ter o mesmo objetivo, o mesmo princípio, a mesma linha política. Isso aí é preciso ter, porque se você destoar, isso não vai colar”, disse. Apesar de sugerir a estratégia, Daniel não anunciou sua dupla pessoal de votos ao Senado.
Definição na última semana
Daniel também evitou tratar o cenário da disputa como definitivo. Na leitura do governador, o eleitor costuma escolher seus candidatos ao Senado depois de decidir os votos para outros cargos, o que abre espaço para mudanças nos últimos dias de campanha.
“O Senado muda de quinta para domingo, na última semana”, afirmou. Para ele, uma campanha conjunta pode produzir crescimento nesse período, desde que os candidatos consigam consolidar o apoio de uma mesma base eleitoral.













