Um médico investigado por crimes contra a dignidade sexual de pacientes foi preso preventivamente em Porangatu, no norte de Goiás. A prisão foi solicitada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), após a identificação de 12 possíveis vítimas, e cumprida pela Polícia Civil na quinta-feira (8). Os relatos envolvem situações que teriam ocorrido durante atendimentos profissionais em diferentes unidades públicas de saúde do município.
O caso chegou ao conhecimento do Ministério Público em 28 de setembro, por meio do advogado das vítimas. Inicialmente, foram identificadas 11 mulheres. Posteriormente, uma 12ª vítima apresentou relato envolvendo o ex-companheiro, em um contexto de violência doméstica e familiar. A Justiça reconheceu a aplicação da Lei Maria da Penha a esse caso e a conexão entre os fatos investigados.
Segundo o MPGO, o médico atua em estabelecimentos públicos de saúde de Porangatu, incluindo o Hospital Municipal, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e a policlínica. Ele também exerce a função de perito da Superintendência de Polícia Técnico-Científica de Goiás.
Relatos apontam possível abuso da relação profissional
Ao fundamentar o pedido de prisão preventiva, a 3ª Promotoria de Justiça de Porangatu apontou o risco de repetição das condutas investigadas e de interferência na apuração. De acordo com o Ministério Público, as declarações das mulheres descrevem episódios semelhantes em diferentes locais de atendimento, alguns deles recentes, registrados em 11 de agosto e 9 de setembro deste ano.
Conforme os elementos apresentados à Justiça, o investigado teria se aproveitado da confiança associada à profissão médica e da vulnerabilidade de pacientes que procuravam atendimento ou dependiam de prescrições e acompanhamento profissional. Algumas mulheres estariam em situações de fragilidade emocional ou em busca de assistência obstétrica.
O MPGO também relatou indícios de intimidação para impedir que os fatos fossem denunciados. Para a Promotoria, medidas alternativas à prisão não seriam suficientes para evitar possíveis pressões sobre as vítimas ou garantir a segurança da investigação.
Além da prisão preventiva, o Ministério Público solicitou mandados de busca e apreensão, a suspensão da posse e a restrição do porte de armas de fogo do investigado, bem como o encaminhamento do caso ao Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (CRM-GO), para apuração na esfera ética.
Ex-companheira já tinha medidas protetivas
A 12ª mulher identificada é ex-companheira do médico e já havia obtido medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha. Segundo o MPGO, ela temia pela própria integridade física diante de insistentes tentativas de reaproximação após o término do relacionamento.
A Justiça considerou que os fatos relacionados à ex-companheira têm conexão probatória com os demais relatos, o que contribuiu para fundamentar o pedido de prisão preventiva.
A investigação das condutas atribuídas ao médico está sob responsabilidade da Delegacia Estadual de Atendimento à Mulher (Deam) de Porangatu. O Conselho Regional de Medicina também foi comunicado para avaliar eventuais medidas cabíveis.
Por envolver possíveis crimes contra a dignidade sexual, o Ministério Público não divulgou detalhes individualizados dos relatos nem a identidade das mulheres.
Como denunciar ou buscar acolhimento
O Ministério Público orienta que pessoas que tenham informações sobre possíveis outras vítimas procurem a 3ª Promotoria de Justiça de Porangatu.
Canais de contato:
- Telefone: (62) 99431-7392
- E-mail: 3porangatu@mpgo.mp.br
- Atendimento presencial: sede do Ministério Público em Porangatu.
O Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita), do MPGO, também oferece acolhimento e orientação:
- Telefones: (62) 3243-8161 e (62) 3243-8120
- Celular/WhatsApp: (62) 99428-7362
- E-mail: navita@mpgo.mp.br
- Atendimento presencial: sede do MPGO em Goiânia.
LEIA TAMBÉM:
Caminhão frigorífico roubado durante a madrugada é recuperado pela PRF










