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Médico investigado por crimes sexuais contra 12 pacientes é preso em Porangatu, Goiás

Prisão preventiva foi obtida pelo MPGO após relatos de mulheres atendidas em unidades públicas de saúde; investigação também envolve ex-companheira do médico, que já tinha medidas protetivas


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 09/10/2026 - 16:59

Médico investigado por crimes sexuais contra 12 pacientes é preso em Porangatu, Goiás - Reprodução
Médico investigado por crimes sexuais contra 12 pacientes é preso em Porangatu, Goiás - Reprodução

Um médico investigado por crimes contra a dignidade sexual de pacientes foi preso preventivamente em Porangatu, no norte de Goiás. A prisão foi solicitada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), após a identificação de 12 possíveis vítimas, e cumprida pela Polícia Civil na quinta-feira (8). Os relatos envolvem situações que teriam ocorrido durante atendimentos profissionais em diferentes unidades públicas de saúde do município.

O caso chegou ao conhecimento do Ministério Público em 28 de setembro, por meio do advogado das vítimas. Inicialmente, foram identificadas 11 mulheres. Posteriormente, uma 12ª vítima apresentou relato envolvendo o ex-companheiro, em um contexto de violência doméstica e familiar. A Justiça reconheceu a aplicação da Lei Maria da Penha a esse caso e a conexão entre os fatos investigados.

Segundo o MPGO, o médico atua em estabelecimentos públicos de saúde de Porangatu, incluindo o Hospital Municipal, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e a policlínica. Ele também exerce a função de perito da Superintendência de Polícia Técnico-Científica de Goiás.

Relatos apontam possível abuso da relação profissional

Ao fundamentar o pedido de prisão preventiva, a 3ª Promotoria de Justiça de Porangatu apontou o risco de repetição das condutas investigadas e de interferência na apuração. De acordo com o Ministério Público, as declarações das mulheres descrevem episódios semelhantes em diferentes locais de atendimento, alguns deles recentes, registrados em 11 de agosto e 9 de setembro deste ano.

Conforme os elementos apresentados à Justiça, o investigado teria se aproveitado da confiança associada à profissão médica e da vulnerabilidade de pacientes que procuravam atendimento ou dependiam de prescrições e acompanhamento profissional. Algumas mulheres estariam em situações de fragilidade emocional ou em busca de assistência obstétrica.

O MPGO também relatou indícios de intimidação para impedir que os fatos fossem denunciados. Para a Promotoria, medidas alternativas à prisão não seriam suficientes para evitar possíveis pressões sobre as vítimas ou garantir a segurança da investigação.

Além da prisão preventiva, o Ministério Público solicitou mandados de busca e apreensão, a suspensão da posse e a restrição do porte de armas de fogo do investigado, bem como o encaminhamento do caso ao Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (CRM-GO), para apuração na esfera ética.

Ex-companheira já tinha medidas protetivas

A 12ª mulher identificada é ex-companheira do médico e já havia obtido medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha. Segundo o MPGO, ela temia pela própria integridade física diante de insistentes tentativas de reaproximação após o término do relacionamento.

A Justiça considerou que os fatos relacionados à ex-companheira têm conexão probatória com os demais relatos, o que contribuiu para fundamentar o pedido de prisão preventiva.

A investigação das condutas atribuídas ao médico está sob responsabilidade da Delegacia Estadual de Atendimento à Mulher (Deam) de Porangatu. O Conselho Regional de Medicina também foi comunicado para avaliar eventuais medidas cabíveis.

Por envolver possíveis crimes contra a dignidade sexual, o Ministério Público não divulgou detalhes individualizados dos relatos nem a identidade das mulheres.

Como denunciar ou buscar acolhimento

O Ministério Público orienta que pessoas que tenham informações sobre possíveis outras vítimas procurem a 3ª Promotoria de Justiça de Porangatu.

Canais de contato:

  • Telefone: (62) 99431-7392
  • E-mail: 3porangatu@mpgo.mp.br
  • Atendimento presencial: sede do Ministério Público em Porangatu.

O Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita), do MPGO, também oferece acolhimento e orientação:

  • Telefones: (62) 3243-8161 e (62) 3243-8120
  • Celular/WhatsApp: (62) 99428-7362
  • E-mail: navita@mpgo.mp.br
  • Atendimento presencial: sede do MPGO em Goiânia.

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