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Debante na Globo: Flávio confunde nome da mãe de Ana Clara em confronto com Lula sobre segurança

Terceiro bloco também teve acusações sobre endividamento, promessas para o ensino integral e divergências sobre o combate às facções criminosas


Por Carlos Nathan Sampaio em 23/10/2026 - 23:29

debate na globo lula e flávio
(Imagens: Reprodução)
O terceiro bloco do debate presidencial da TV Globo, realizado nesta sexta-feira (23), terminou com um confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) sobre segurança pública, marcado por acusações envolvendo milícias, propostas de endurecimento das penas e a morte de Ana Clara, uma menina de 5 anos atingida por um disparo de fuzil no Rio de Janeiro. Ao responder ao presidente, Flávio confundiu o nome da criança com o de sua mãe, que acompanhava o debate.

A troca de acusações ocorreu após Lula questionar a atuação do senador na defesa de um policial acusado de envolvimento na morte da menina. Flávio, ao se dirigir à mãe, afirmou: “Ana Clara, eu quero falar para a senhora que isso foi uma tragédia. Eu não consigo imaginar o que é perder uma filha de cinco anos de idade”.

O senador defendeu a presunção de inocência do policial e disse acreditar que ele não foi o responsável pelo disparo. Lula, por sua vez, questionou a relação do adversário com integrantes de milícias e prometeu ampliar a atuação federal no combate ao crime organizado.

Além da segurança pública, o bloco teve discussões sobre o endividamento das famílias, os programas de renegociação de dívidas, a expansão das escolas de tempo integral e a regulamentação das apostas on-line.

Caso Ana Clara expõe atuação de Flávio na defesa de policial

Ana Clara Gomes Machado morreu em 2 de fevereiro de 2021, aos 5 anos, após ser atingida por um tiro de fuzil enquanto brincava perto de casa com o irmão, então com 2 anos, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói (RJ). O policial militar Bruno Dias Delaroli foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, acusado de efetuar o disparo que matou a criança.

Flávio Bolsonaro integrou a equipe de defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que determinou o julgamento pelo Tribunal do Júri. O pedido foi rejeitado. O julgamento, inicialmente previsto para 21 de outubro deste ano, foi remarcado para 5 de maio de 2027. O acusado responde ao processo em liberdade e nega a responsabilidade pela morte.

A mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, foi convidada pela campanha de Lula e acompanhou o debate na primeira fila. O caso já havia sido mencionado pelo presidente no confronto anterior, realizado pela Band, no domingo (18).

No debate desta sexta-feira, Lula voltou a cobrar explicações do senador. “O que leva um senador a defender um policial que deu um tiro de fuzil numa menina de cinco anos? Explica, que segurança é essa? O território da bala?”, questionou.

Flávio respondeu que a morte foi uma tragédia, mas sustentou sua confiança na inocência do policial. “Eu tenho a confiança que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda”, declarou, antes de apresentar suas propostas para a segurança pública.

O candidato do PL prometeu classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, ampliar as penas para integrantes de facções e reduzir a maioridade penal para 14 anos em determinados crimes, como estupro. Também defendeu a castração química para condenados por crimes sexuais.

“Eu vou tratar bandido como bandido. A redução da maioridade penal vai acontecer finalmente no Brasil com Flávio Bolsonaro presidente”, afirmou.

Lula rebateu mencionando episódios da trajetória política do adversário relacionados a homenagens e vínculos com pessoas associadas a milícias. O presidente também prometeu criar um Ministério da Segurança Pública, condicionado à aprovação da PEC da Segurança, e fortalecer as polícias Federal e Rodoviária Federal.

“O trabalhador, proteção; o bandido, cadeia. Isso vai acontecer”, declarou.

Endividamento provoca disputa sobre o Desenrola

O terceiro bloco havia começado com Flávio escolhendo o endividamento dos brasileiros como tema. O senador acusou Lula de não cumprir a promessa de recuperar o poder de compra da população.

“Meu concorrente prometeu picanha e entregou abóbora”, afirmou.

Flávio também responsabilizou os gastos públicos e os juros elevados pelas dificuldades financeiras das famílias. “O brasileiro antes parcelava um fogão, parcelava um micro-ondas, parcelava a geladeira, agora parcela o que tem dentro da geladeira”, declarou.

O candidato voltou a apresentar a proposta de transformar a Caixa Econômica Federal em um “Banco da Prosperidade”, oferecendo crédito para renegociação de dívidas e incentivo ao empreendedorismo, principalmente nas periferias.

Lula respondeu destacando os programas Desenrola Brasil. Segundo ele, as duas primeiras etapas atenderam aproximadamente 31 milhões de pessoas, e uma terceira está sendo preparada para ampliar a renegociação de débitos.

“Nós vamos resolver o problema da dívida do povo, porque nós queremos que o povo volte a consumir e a ganhar um pouco de dinheiro”, afirmou.

O presidente também anunciou a intenção de realizar um leilão de dívidas bancárias e defendeu medidas contra as apostas on-line, argumentando que elas comprometem o orçamento doméstico.

Ensino integral termina em discussão sobre apostas

Na rodada seguinte, Lula escolheu o ensino integral. O presidente prometeu ampliar a jornada escolar e universalizar a oferta de educação em tempo integral até o ensino médio durante um eventual novo mandato.

Flávio criticou a aplicação de recursos federais na modalidade e afirmou que pretende utilizar o contraturno para oferecer formação técnica, programação, inteligência artificial e atividades esportivas.

“Criança mais perto da escola é criança mais longe do crime”, declarou.

O senador também prometeu criar um auxílio-creche para famílias que não conseguirem vagas na rede pública, permitindo a matrícula de crianças em instituições privadas.

A discussão educacional foi interrompida por acusações relacionadas às apostas on-line. Flávio chamou Lula de “pai do Tigrinho”, em referência aos jogos de cassino virtual, e responsabilizou o governo pela expansão do setor.

Lula rebateu afirmando que a origem da regulamentação das apostas ocorreu durante o governo Jair Bolsonaro.

“O Tigrinho foi criado por você em 2022. Não só o seu pai é o pai do Tigrinho como você é o irmão”, declarou o presidente, dirigindo-se ao adversário.

O petista também destacou a expansão das universidades e dos institutos federais durante os governos do PT, enquanto Flávio defendeu parcerias entre empresas e escolas, maior ênfase em português e matemática e a retomada dos Jogos Estudantis Brasileiros.

O bloco terminou com a segurança pública dominando o confronto. Além das divergências sobre as medidas de combate ao crime, a discussão sobre Ana Clara trouxe novamente à campanha a atuação de Flávio como advogado do policial acusado pela morte da menina, enquanto sua mãe acompanhava o debate presencialmente.

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