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Relatório prevê aumento de 80% na geração de resíduos até 2050

Preocupação com o aumento previsto na produção global de resíduos sólidos domiciliares contrasta com uma decisão MP em relação ao aterro de Aparecida de Goiânia


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 04/03/2024 - 09:11

Lagoas de chorume do aterro ficam próximas ao Córrego Santo Antônio foto: Arquivo da 9ª Promotoria de Justiça de Aparecida de Goiânia
Lagoas de chorume do aterro ficam próximas ao Córrego Santo Antônio foto: Arquivo da 9ª Promotoria de Justiça de Aparecida de Goiânia

A produção global de resíduos sólidos domiciliares está projetada para aumentar em 80% até 2050, alerta o relatório Global Waste Management Outlook 2024 (GWMO 2024), revelado durante a Assembleia das Nações Unidas para o Ambiente em Nairóbi. Diante desse cenário desafiador, o presidente da Associação Internacional de Resíduos Sólidos (ISWA), Carlos Silva Filho, ressalta a importância de ações urgentes para evitar que 40% desses resíduos continuem contribuindo para danos ambientais e impactos na saúde humana.

No Brasil, onde 40% dos resíduos ainda são enviados para lixões e aterros controlados, a situação é crítica. Até 2050, a produção de resíduos no Brasil pode aumentar em mais de 50%, atingindo 120 milhões de toneladas anuais. Isso indica a necessidade de medidas urgentes. O Ministério Público de Goiás (MPGO) tomou uma medida significativa ao acolher um pedido em ação ambiental, determinando que o município de Aparecida de Goiânia adote, em 60 dias, medidas ambientais para tratar e descontaminar o chorume presente no solo do aterro municipal.

Essas medidas, implementadas pela Justiça, visam cessar definitivamente qualquer contaminação do Córrego Santo Antônio, do lençol freático e do solo, especialmente durante o período chuvoso, quando há risco de extravasamento do chorume. O promotor de Justiça Élvio Vicente da Silva detalhou as irregularidades na gestão do aterro sanitário de Aparecida de Goiânia desde 2014, destacando a necessidade urgente de proteger o meio ambiente e a saúde da comunidade diante da omissão da prefeitura em adotar as medidas necessárias para evitar danos ambientais.

Município é condenado por Danos Ambientais e Morais

O município está enfrentando um processo por danos ambientais e morais devido à gestão inadequada do aterro local. O promotor apontou que o município não lidou corretamente com a destinação final do chorume, resultando em danos ao solo e à água e perturbando o equilíbrio ecológico. A proximidade das lagoas de chorume com o Córrego Santo Antônio e a contaminação do solo e do lençol freático são problemas significativos. A ação exige que o município pague uma indenização de pelo menos R$ 1 milhão pelos danos causados ao meio ambiente. Além disso, o município deve parar de lançar efluentes sem tratamento, redirecionar o lixão para um aterro adequado e descontaminar a área afetada. O promotor enfatizou que a situação atual é um ilícito contínuo e que o dano ambiental continuará enquanto houver vazamentos de chorume. Ele também destacou que permitir a continuação do serviço de aterro no local atual permitirá que o ilícito continue indefinidamente.

Desafios da gestão de resíduos

O relatório GWMO 2024 destaca a alarmante projeção de aumento na geração de resíduos sólidos, exigindo medidas urgentes para conter essa tendência e promover práticas sustentáveis de consumo e descarte. A falta de acesso a serviços básicos de limpeza urbana afeta mais de 2,7 bilhões de pessoas em todo o mundo, agravando os impactos ambientais e de saúde pública. É crucial que governos, indústrias e sociedade civil atuem em conjunto para implementar soluções eficazes de gestão de resíduos e reduzir o impacto negativo no meio ambiente.

“O relatório mostra que o país ainda está bastante deficiente na gestão de resíduos. Em termos de aumento e de crescimento da geração, o Brasil está seguindo a mesma linha do mundo, com esse crescimento acelerado. Mas em termos de aproveitamento do resíduo, nós estamos muito atrasados”, avaliou presidente da ISWA, Carlos Silva Filho, um dos autores do relatório.

Atraso na reciclagem

Apesar dos avanços em algumas áreas, como a coleta de resíduos sólidos domiciliares, o Brasil enfrenta desafios significativos na gestão e aproveitamento desses materiais. Com um índice de reciclagem estagnado em torno de 3 a 4%, o país está muito aquém da média global de 19%. Essa estagnação representa não apenas uma perda econômica, mas também um sério obstáculo para a sustentabilidade ambiental, exigindo investimentos e políticas públicas que incentivem a inovação e o desenvolvimento de cadeias produtivas mais circulares.

 

 

Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e repórter no jornal Tribuna do Planalto e Tribuna de Anápolis, nas editorias de cidades, educação, economia, agro, diversão e arte.

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